Doença celíaca na escola: orientações práticas para segurança

Aprenda medidas simples para proteger crianças, evitar contaminação por glúten e favorecer inclusão.

Você sabia que mesmo uma migalha de pão pode fazer mal a uma criança com doença celíaca? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que toda escola pode ser um lugar seguro e acolhedor. Neste post, mostramos passos simples para professores, pais e alunos protegerem quem não pode comer glúten.

O que é doença celíaca?

Doença celíaca é quando o corpo reage ao glúten – uma proteína do trigo, da cevada e do centeio. É como um alarme falso: o sistema de defesa ataca o próprio intestino toda vez que a pessoa come glúten.

Por que a escola precisa entender?

Uma única exposição pode causar dor de barriga, vômito e falta de nutrientes. A escola é onde a criança passa muitas horas. Se o local for seguro, ela aprende melhor e sofre menos bullying.

Materiais que ajudam professores

Kit Escola Segura

A Associação dos Celíacos do Brasil (ACELBRA) oferece pôsteres, cartilhas e check-lists para cantina. Cole o pôster perto do refeitório para lembrar que “sem glúten” é regra, não opção.

Infográficos na sala dos professores

Infográficos simples colados no mural mostram sintomas, telefones dos pais e o que fazer em caso de emergência. Isso deixa a equipe mais segura e rápida na ação.

Treinamento anual

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda pelo menos 8 horas de formação sobre saúde na escola todo ano. Inclua doença celíaca no cronograma.

Atividades para a turma toda

Semana da Diversidade Alimentar

Rodas de conversa, oficinas de receitas sem glúten e jogos cooperativos reduziram em 40% os casos de bullying em escolas do RS.

Classe invertida nutricional

Os alunos pesquisam rótulos em casa e trazem para debater. Assim, aprendem ciência, cidadania e matemática de forma prática.

App que lê código de barras

O aplicativo “Gluten-Free Finder Kids” transforma a lição em jogo: a turma escaneia produtos e descobre se são seguros.

Comitê de Alimentação Segura

Monte um grupo com direção, pais, nutricionista e alunos. O comitê revisa cardápios, compras e limpeza. Em Belo Horizonte, essa ideia cortou 65% da contaminação cruzada.

Que dúvidas podem surgir?

• “Só um pedacinho faz mal?” Sim. Mesmo uma migalha pode causar reação.
• “Alimentos sem glúten são ruins?” Não. Há pães, bolos e biscoitos saborosos sem glúten.
• “A doença passa?” Não. A dieta sem glúten é para a vida toda.

Resumo dos passos práticos

  1. Treinar professores com material simples.
  2. Fixar cartazes de “sem glúten” na cantina.
  3. Promover atividades de empatia, como a Semana da Diversidade Alimentar.
  4. Usar aplicativos e jogos para tornar o tema divertido.
  5. Criar um comitê que revise cardápios e compras.

Quer mais dicas? Visite nosso post sobre como ler rótulos de alimentos infantis e compartilhe este guia com outros educadores.

Conclusão

Fazer da escola um espaço sem glúten é possível com informação clara e trabalho em equipe. Quando professores, pais e alunos se unem, todos aprendem a cuidar uns dos outros. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. ACELBRA – Associação dos Celíacos do Brasil. Kit Escola Segura: orientações para inclusão de alunos celíacos. São Paulo, 2022.
  2. ALMEIDA, J. R.; FONSECA, M. P. Capacitação de professores para manejo de restrições alimentares em escolas públicas paulistas. Revista Paulista de Educação, v. 41, n. 2, p. 145-158, 2019.
  3. HERNANDEZ, P.; COSTA, L.; RAMOS, D. Programa de diversidade alimentar e impacto no bullying escolar: estudo multicêntrico. Educação & Saúde, v. 12, n. 3, p. 33-42, 2018.
  4. MENEZES, T.; CAVALCANTE, R. Implementação de comitê de alimentação segura em escola de Belo Horizonte: resultados preliminares. Revista Mineira de Nutrição, v. 6, n. 1, p. 21-29, 2022.
  5. OLIVEIRA, F.; SANTOS, C. Classe invertida como ferramenta de empatia alimentar no ensino fundamental. Cadernos de Pedagogia, v. 18, n. 1, p. 84-97, 2021.
  6. ROSA, L.; VASCONCELOS, J. Alfabetização em saúde para docentes: revisão narrativa. Cadernos de Saúde Escolar, v. 9, n. 1, p. 11-19, 2021.
  7. SOCIETY FOR PEDIATRIC GASTROENTEROLOGY. Celiac Disease in the Classroom: Guidelines for Teachers. New York, 2020.
  8. SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Saúde na Escola. Rio de Janeiro, 2021.
  9. TAYLOR, S.; GREEN, K. Gamified apps to support gluten-free diets in children: a pilot study. Journal of School Health, v. 90, n. 10, p. 772-778, 2020.
  10. WHO – World Health Organization. School interventions to promote healthy nutrition and inclusive practices. Geneva, 2020.