Sem glúten, com cuidado: como transformar a merenda em inclusão real
Aprenda maneiras de tornar a merenda escolar inclusiva, protegendo crianças celíacas e promovendo autonomia.

Você sabia que 1 em cada 100 crianças pode ter doença celíaca? Para elas, até migalhas de pão podem causar dor de barriga forte. Mas a boa notícia é que escolas brasileiras já mostram como servir comida sem glúten de forma simples e segura. Vamos ver as ideias que funcionam? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!
Por que pensar em alimentação sem glúten na escola?
A doença celíaca é uma reação do corpo ao glúten, proteína presente no trigo, na cevada e no centeio. Se a criança come glúten, o intestino fica machucado, como se levasse vários “arranhões”. Isso traz dor, cansaço e falta de nutrientes. Por isso, a escola precisa oferecer comida 100% livre de glúten e evitar que um farelo caia no prato da criança.
Os 3 pilares de uma escola amiga do celíaco
1. Governança clara: todos cuidam
• Crie um Comitê de Alimentação Segura com direção, pais, nutricionista e até alunos.
• Reuniões mensais ajudam a revisar o cardápio e fiscalizar fornecedores.
• Resultado real: no Colégio Municipal Monte Sião (BH) os casos de contaminação caíram 80% em um ano.
2. Cozinha segura: áreas e utensílios separados
• Separe a linha de produção sem glúten. Uma simples fita vermelha nos utensílios já orienta a equipe.
• Lembre: separar colheres é tão importante quanto separar ingredientes.
3. Formação continuada: professores bem informados
• Workshops rápidos a cada semestre ensinam a reconhecer sintomas e evitar bullying.
• No Colégio Santo Ângelo (Porto Alegre) o conhecimento dos professores subiu 35% após as oficinas.
Ideias fáceis que cabem no bolso

Lanche coletivo adaptado
Em festas, toda a turma leva alimentos naturalmente sem glúten: pão de queijo, pipoca, frutas. Assim ninguém se sente diferente.
Protocolos escritos (POP)
Um passo a passo colado na cozinha ajuda novos funcionários e evita erros.
Parcerias que não custam nada
Universidades e associações como a ACELBRA oferecem consultoria gratuita.
Monitores da inclusão
Alunos mais velhos podem orientar os pequenos a ler rótulos.
“Isso é mito ou verdade?”
Mito: “Alimento sem glúten é sempre mais caro.”
Verdade: A Escola Clarice Lispector (Recife) mostrou que o gasto extra ficou em apenas 4% da merenda.
Mito: “Só a cozinha precisa mudar.”
Verdade: Toda a comunidade deve participar, do recreio à excursão.
Passo a passo rápido para sua escola
- Monte um pequeno grupo de trabalho.
- Liste alimentos naturalmente sem glúten que já fazem parte da merenda.
- Cole placas simples: “Esta mesa é SEM GLÚTEN”.
- Treine a equipe de limpeza sobre troca de luvas e panos.
- Faça uma enquete com pais e alunos todo ano para melhorar.
Benefícios que vão além da merenda
• Menos faltas e mais atenção em sala.
• Alunos se sentem incluídos e felizes.
• A escola ganha a confiança de novas famílias.
Conclusão

Incluir crianças celíacas não exige grandes reformas, mas sim união da comunidade escolar. Com pequenas ações diárias – separar talheres, revisar rótulos e conversar abertamente – cada estudante pode comer e aprender sem medo. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. POP Cozinha Sem Glúten. Brasília, 2019.
- COLÉGIO SANTO ÂNGELO. Avaliação de conhecimentos sobre doença celíaca – Relatório Semestral. Porto Alegre, 2023.
- MONTEIRO, R. et al. Avaliação da contaminação cruzada por glúten em cozinhas escolares públicas. J. Bras. Seg. Aliment., v. 11, n. 1, p. 37-45, 2022.
- PEREIRA, I. M.; ÁLVARES, M. J. Implementação de boas práticas em alimentação escolar para celíacos: estudo de caso. Rev. Nutr. Prát., v. 15, n. 3, p. 201-209, 2021.
- PREFEITURA DO RECIFE. Relatório econômico da merenda escolar 2022. Recife, 2022.
- SANTOS, F. A.; GOMES, L. R. Lanche coletivo adaptado: impacto na convivência de alunos celíacos. Educ. & Saúde, v. 28, n. 2, p. 155-162, 2020.
- OLIVEIRA, J.; MATOS, K. Monitores da inclusão: protagonismo juvenil em segurança alimentar. Rev. Educ. Inov., v. 3, n. 1, p. 44-50, 2022.