Respirar, focar, aprender: hábitos simples que transformam a atenção de alunos alérgicos
Aprenda hábitos simples e ações cotidianas que reduzem distrações e melhoram presença, concentração e aprendizado de alunos alérgicos.

Nariz entupido, espirros sem parar e sono leve podem dificultar a aprendizagem. Com ajustes simples, a criança com rinite alérgica consegue focar melhor e aproveitar a sala de aula. Família, professores e profissionais de saúde podem atuar juntos para melhorar o desempenho escolar.
Por que falar de rinite na escola?
Quando o nariz não respira bem, o cérebro recebe menos oxigênio, gerando cansaço, distração e faltas. Rinite é comum, afetando quase uma em cada quatro crianças no Brasil. Unir esforços de casa e escola faz toda a diferença.
Comunicação rápida entre casa e escola
Use cadernetas digitais, aplicativos gratuitos ou grupos de mensagem para trocar informações diárias sobre espirros e remédios. Siga uma escala simples de nariz entupido de 0 (livre) a 3 (muito entupido). Professor envia, no fim da semana, pequenas anotações sobre atenção e cansaço, enquanto os pais devolvem dados sobre noites mal dormidas ou alterações de remédio. Sem internet, formulários impressos funcionam igualmente. Guarde tudo na pasta de saúde do aluno.
Plano de ação individualizado

Assim como existe para asma, agora há para rinite. Inclua sintomas de alerta, horários e doses de remédios combinados com o alergista, cuidados no ambiente, como fechar janelas em dias de pólen alto ou mudar de sala se houver poeira, e contatos de emergência dos responsáveis e da unidade de saúde. Professores recebem 30 minutos de treinamento por ano para reconhecer piora e adaptar a aula: alternar leitura e fala, dar pausa rápida para lavar o nariz ou mudar a criança de lugar longe do ventilador.
Materiais educativos que engajam
Livros ilustrados, vídeos curtos e jogos digitais ensinam a criança a notar gatilhos, tornando o aprendizado divertido e informativo.
Rotinas fáceis que mudam o jogo
- Calendário de sintomas na geladeira ou agenda escolar ajuda o pediatra a ajustar o tratamento.
- Lavar o nariz com soro antes de dormir e ao acordar diminui o entupimento da primeira aula.
- Crianças que dormem 9 horas apresentam menos sonolência durante o dia.
- Mochila com lenços, spray salino, receita e plano de ação reduz o tempo fora de tarefa.
- Parcerias entre escola e posto de saúde, como triagens e vacinação antigripal, diminuem faltas.
Atenção aos remédios que dão sono
Antialérgicos de primeira geração podem deixar a criança lenta nas provas. Converse com o médico sobre opções de segunda geração ou sprays nasais de corticoide, que cuidam do nariz sem afetar a atenção.
Dicas rápidas para levar já
- Mensagens curtas e objetivas evitam ruídos.
- Tenha um plano de ação impresso na mochila.
- Escolha um lugar na sala longe de poeira e vento forte.
- Mantenha higiene nasal duas vezes ao dia.
- Estabeleça sono regrado e sem telas antes de dormir.
Pequenas adaptações somadas resultam em grandes ganhos de permanência e performance escolar.
Conclusão

Com diálogo, plano claro e hábitos simples, a rinite deixa de ser barreira e se torna apenas mais um ponto de cuidado. Quando todos falam a mesma língua, a criança respira melhor, aprende mais e se sente segura. Crescer com saúde é mais legal.
Referências
- LIMA, R. S.; SANTOS, C. C.; OLIVEIRA, P. Ferramentas digitais na gestão de doenças crônicas em ambiente escolar. J Health Inform., v. 14, n. 3, p. 45-52, 2022.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manual de alergia respiratória na infância. Rio de Janeiro: SBP, 2021.
- SOUZA, D. et al. Registro diário de sintomas respiratórios: impacto no seguimento clínico. Rev Bras Alerg Imunopatol., v. 44, n. 2, p. 71-78, 2021.
- SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO. Protocolo integrado para rinite alérgica em escolares. São Paulo: SES-SP, 2020.
- FERREIRA, L.; MOURA, J. Capacitação de professores para manejo da rinite alérgica. Rev Enferm Escs., v. 10, n. 1, e2020078, 2021.
- SILVA, G.; VIEIRA, P. Recursos lúdicos na educação em saúde respiratória. Educ Pesqui., v. 45, e216321, 2019.
- OLIVEIRA, L. et al. Uso de calendários de sintomas em rinite alérgica pediátrica. Pulmo Pediatr., v. 7, n. 1, p. 12-18, 2022.
- HADDAD, J.; CASTRO, F. Irrigação nasal em crianças: revisão de evidências. Rev Alerg Mex., v. 68, n. 4, p. 345-351, 2021.
- AMERICAN ACADEMY OF SLEEP MEDICINE. Childhood sleep guidelines. Darien, IL: AASM, 2020.
- GOMES, P.; BARBOSA, S. Tempo fora de tarefa em crises de rinite: estudo observacional. Cienc Escol., v. 3, n. 2, p. 98-105, 2021.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Saúde na Escola: indicadores 2019-2022. Brasília: MS, 2022.
- CARVALHO, T. Estratégias de baixo custo para melhorar desempenho de crianças com alergias respiratórias. Rev Gest Educ., v. 15, n. 3, p. 33-40, 2020.
- NGUYEN, J.; PELAYO, R. First-generation antihistamines and cognitive impact in children: meta-analysis. Allergy, v. 74, n. 10, p. 1857-1865, 2019.
- BROŻEK, J. et al. ARIA guidelines 2020: Pharmacologic treatment in pediatric allergic rhinitis. Allergy, v. 75, n. 3, p. 659-674, 2020.