Exercícios sem dor transformam a rotina de crianças com artrite
Movimentar-se de forma divertida fortalece músculos, aumenta confiança e promove bem-estar em crianças com artrite idiopática juvenil.

Você sabia que mexer o corpo, de forma leve e divertida, pode diminuir a dor da artrite nas crianças? Aqui no Clube da Saúde Infantil mostramos como programas brasileiros já provam que mexer é remédio. Leia e veja passos simples para colocar a mão e o pé na massa.
O que é artrite idiopática juvenil (AIJ)?
AIJ é uma inflamação nas juntas que aparece antes dos 16 anos. A criança sente dor, inchaço e pode ter dificuldade para correr, pular ou até segurar um lápis. Mas a boa notícia é que o movimento certo ajuda muito.
Por que o movimento ajuda?
Quando a criança se exercita de maneira suave:
• A junta fica mais flexível.
• Os músculos ao redor ganham força, como suportes de uma ponte.
• A dor costuma diminuir.
• A autoestima cresce, pois a criança brinca com os amigos.
Programas que viraram exemplo no Brasil
Movimento sem dor (interior de SP)
• Três sessões semanais de 45 minutos.
• Jogos leves, circuitos de equilíbrio e alongamentos.
• Resultados em seis meses: 18% mais movimento no tornozelo, 22% no quadril e 30% menos dor.
• Adesão impressionante: 92% das crianças não faltaram.
Brincar com energia (Nordeste)

• Exercícios na piscina aquecida (32 °C) e depois brincadeiras em terra.
• Força do músculo da coxa subiu 15,4% e qualidade de vida melhorou 25% em um ano.
• A água tira impacto, e a brincadeira em grupo aumenta a alegria.
Lição que veio de fora: Juvenile Active Life (Liverpool)
• Combina atenção à respiração e treinos funcionais.
• Reduziu em 40% o uso de anti-inflamatórios em 24 semanas.
• Mostra que olhar o corpo e a mente juntos faz diferença.
Cinco lições que funcionam em todos os programas
• Plano individual: cada criança é avaliada antes de começar. Nada é tamanho único.
• Acompanhamento constante: dor acima de quatro? Hora de ajustar o treino.
• Diversão em primeiro lugar: jogos, músicas e pequenos desafios prendem a atenção.
• Professores capacitados: cursos rápidos ensinam a reconhecer sinais de inflamação.
• Família por perto: pais presentes dobram as chances de a criança treinar também em casa.
Dúvidas comuns dos pais
Exercício não piora a inflamação?
Quando bem guiado, o movimento reduz e não aumenta a inflamação.
Qual o melhor tipo de atividade?
Jogos na água, alongamentos leves e exercícios de equilíbrio são campeões de segurança.
E se meu filho sentir dor?
Dor leve pode acontecer. Se passar de quatro numa escala de zero a dez, converse com o profissional e ajuste o treino.
Mitos e verdades
• Mito: criança com artrite deve ficar parada.
Verdade: parar só piora a rigidez. Movimento certo é tratamento.
• Mito: só fisioterapia resolve.
Verdade: fisioterapia e educação física adaptada se completam.
Primeiros passos para escolas e pais
• Marque uma avaliação com médico e fisioterapeuta.
• Procure programas locais ou crie um grupo com apoio profissional.
• Use metas SMART: exemplo, dobrar o tempo de equilíbrio em três meses.
• Registre cada sessão em um aplicativo ou caderno simples.
• Crescer com saúde é mais legal quando a família participa.
Quando procurar ajuda extra
• Febre ou inchaço novos.
• Dor forte que não melhora com repouso.
• Dúvida sobre qual exercício é seguro.
Nesses casos, procure o reumatologista ou o fisioterapeuta da criança.
Conclusão

Os programas Movimento Sem Dor e Brincar com Energia provam que brincar, mexer e sorrir cabem no mesmo pacote do tratamento da artrite infantil. Planejamento, diversão e apoio da família transformam limites em possibilidades. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que, com orientação certa, cada pulo sem dor é uma vitória. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
- FERNANDES, J. L.; MAGALHÃES, C. B. Implementação de programas de educação física adaptada para crianças com artrite idiopática juvenil: estudo de caso. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde, Florianópolis, v. 25, n. 1, p. 45-58, 2020.
- FERNANDES, J. L. et al. Relatório final do projeto Movimento Sem Dor. São Paulo: Secretaria Municipal de Saúde, 2021.
- SILVA, M. P. et al. Impact of adapted aquatic exercise on joint mobility in juvenile idiopathic arthritis. Pediatric Rheumatology, Londres, v. 18, n. 3, p. 223-230, 2020.
- BROWN, A.; SMITH, R. Juvenile Active Life: outcomes of a multimodal programme for children with JIA. Journal of Pediatric Exercise Science, Ottawa, v. 33, n. 2, p. 105-113, 2021.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA. Consenso brasileiro de artrite idiopática juvenil. São Paulo: SBR, 2021. Disponível em: https://sbr.org.br. Acesso em: 5 maio 2024.
- OLIVEIRA, R. G. et al. Barreiras e facilitadores para a prática de atividade física em crianças com doenças reumáticas: estudo qualitativo. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 45, n. 130, p. 315-327, 2021.
- SANTOS, L. R.; PEREIRA, D. H. Colaboração interprofissional em escolas inclusivas: relato de experiência. Cadernos de Educação, Pelotas, v. 59, p. 98-112, 2019.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Guidelines on physical activity and sedentary behaviour for children with disabilities. Genebra: OMS, 2020.