Como a artrite muda a rotina e amizades das crianças

Saiba como a doença influencia a vida escolar e social e incentive relacionamentos positivos.

Quando uma criança tem uma doença reumática, como artrite juvenil, os pais logo pensam na dor nas juntas. Mas você sabia que essas doenças podem afetar muito mais que isso? Aqui no Clube da Saúde Infantil, queremos mostrar como essas condições podem mexer com a vida social e emocional do seu pequeno e o que você pode fazer para ajudar.

O que vai além da dor: os sintomas invisíveis

Cansaço que não passa

Cerca de 7 em cada 10 crianças com doenças reumáticas sentem um cansaço muito forte todos os dias. É como se a bateria do corpo nunca carregasse por completo. Esse cansaço não é igual ao que sentimos depois de correr – não melhora nem depois de dormir bem.

O cansaço é muitas vezes pior que a dor nas juntas para atrapalhar o dia a dia da criança.

A dor que muda a rotina

A dor crônica afeta 65% das crianças com essas doenças, mudando como brincam, estudam e se relacionam. Imagine ter que parar uma brincadeira gostosa porque as juntas doem – isso acontece quase todo dia para essas crianças.

Sentimentos difíceis

Crianças com doenças reumáticas têm três vezes mais chance de ficarem tristes ou com medo comparado com outras crianças da mesma idade. Lidar com dor e limitações todos os dias é muito difícil para qualquer pessoa, ainda mais para uma criança.

Como afeta a vida na escola e com os amigos

Faltar aulas e perder momentos

Metade das crianças com doenças reumáticas acaba se sentindo sozinha na escola. Isso acontece porque:
• Faltam muito às aulas por causa das consultas médicas e dias ruins.
• Não conseguem brincar como os outros colegas no recreio.
• Ficam cansadas mais rápido durante as atividades.

Desafios do dia a dia

Essas crianças enfrentam situações como:
• Dificuldade para acompanhar os colegas na Educação Física.
• Mudanças no corpo por causa dos remédios.
• Horários rígidos para tomar medicamentos.

Não conseguir acompanhar os amigos nas brincadeiras não afeta só o corpo – mexe também com a autoestima e amizades.

A boa notícia: como ajudar funciona

Estudos mostram que quando as crianças recebem o apoio certo, 8 em cada 10 conseguem ter uma vida social e emocional muito melhor. O segredo está em:

Na escola

• Conversar com os professores sobre as limitações da criança.
• Pedir adaptações nas atividades físicas.
• Criar um plano para os dias de crise.

Em casa

• Manter uma rotina equilibrada entre descanso e atividade.
• Incentivar amizades e atividades que a criança consegue fazer.
• Buscar apoio psicológico quando necessário.

Com os amigos

• Explicar de forma simples sobre a doença para os colegas.
• Encontrar atividades que todos possam fazer juntos.
• Valorizar os talentos únicos da criança.

Dicas práticas para o dia a dia

  1. Comunique-se com a escola: os professores precisam entender as necessidades especiais.
  2. Mantenha as amizades: organize encontros em casa quando sair for difícil.
  3. Celebre pequenas conquistas: cada dia bom é uma vitória.
  4. Procure grupos de apoio: conhecer outras famílias na mesma situação ajuda muito.

Conclusão

As doenças reumáticas na infância trazem desafios que vão muito além da dor física, mas com o apoio adequado, as crianças podem ter uma vida plena e feliz. Lembre-se: cada criança é única e tem seus próprios talentos e forças.

Com amor, paciência e o acompanhamento médico correto, é possível superar as dificuldades e construir uma infância rica em experiências positivas. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal – e isso inclui cuidar tanto do corpo quanto do coração e da mente das nossas crianças.


Referências

  1. Silva JM, et al. Fatigue in juvenile rheumatic diseases: prevalence and impact on daily activities. Rev Bras Reumatol. 2019;59(3):195-201.
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