Da teoria à prática: estratégias que cortam agressões em até 25%

Descubra ações eficazes que promovem respeito, inclusão e segurança na rotina escolar.

Bullying machuca e atrapalha o aprendizado. A boa notícia é que algumas ações já provaram que funcionam. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos como programas bem planejados podem cortar os casos de bullying em até 25%. Vamos aprender juntos e deixar a escola mais segura para todas as crianças!

Por que falar de bullying?

Bullying é repetir agressões físicas ou verbais contra alguém que não consegue se defender. Ele pode causar dor, tristeza e até piorar doenças, como as reumáticas. Por isso, prevenir é cuidar da saúde.

O que dizem os estudos?

Revisões científicas mostram:
• Programas estruturados reduzem 15%–25% dos casos de bullying presencial.
• Quanto mais partes da escola participam (alunos, professores e pais), melhor o resultado.

Modelos que deram certo lá fora

Olweus Bullying Prevention Program (OBPP) – regras claras e reuniões de turma.
KiVa – treina alunos para defender colegas e aumenta empatia.
Friendly Schools – trabalha emoções e envolve a comunidade.

Todos têm pontos em comum: regras visíveis, reforço de atitudes positivas e apoio às vítimas.

Como adaptar para escolas brasileiras

A Lei 13.185/2015 pede que toda escola tenha um plano contra bullying. Mesmo assim, só 37% das redes públicas usam material completo. Veja passos simples:

  1. Use a linguagem local: troque exemplos estrangeiros por situações do bairro.
  2. Capacite mediadores: treine funcionários e alunos para agir rápido.
  3. Oficinas de empatia: simule o uso de órtese ou remédios para mostrar a rotina de colegas com doenças reumáticas.
  4. Embaixadores da inclusão: alunos voluntários aprendem a intervir.
  5. Cartões de informação: explique em linguagem simples o que é artrite ou lúpus.

Proteção extra para crianças com doenças reumáticas

Política escrita com cláusula de saúde.
Treinamento contínuo: pelo menos 20 h ao ano aumenta a eficácia em 1,5 vez.
Monitorar sempre: questionários anônimos a cada semestre ajudam a enxergar problemas escondidos.
Apoio psicológico evita que a vítima adoeça ainda mais.
Parceria com o médico: relatórios do reumatologista orientam adaptações, como trocar a aula de Educação Física por fisioterapia.

Dicas rápidas para aplicar já

  1. Mostre as regras na sala: cartazes coloridos lembram todos de respeitar.
  2. Reforce o bom comportamento: elogio em público vale muito.
  3. Abra um canal de escuta: urna ou formulário on-line anônimo.
  4. Envolva a família: reuniões curtas e objetivas.

Perguntas que sempre aparecem

“Bullying não é coisa de criança?”
Não. Ele pode causar depressão e piorar doenças já existentes.

“Só conversar resolve?”
Conversar ajuda, mas precisa de regras claras e acompanhamento.

“O agressor merece punição dura?”
Consequências são necessárias, mas também é preciso apoio para que ele mude de atitude.

Quebra-mitos

• Mito: “Quem sofre bullying é fraco.”
Fato: Qualquer pessoa pode ser vítima; o problema é o comportamento do agressor.
• Mito: “Ignorar faz o bullying parar.”
Fato: Sem ação da escola, a agressão costuma piorar.

Conclusão

Programas anti-bullying bem planejados reduzem agressões, melhoram o clima da escola e protegem especialmente crianças com doenças reumáticas. Regras claras, treinamento e apoio fazem toda a diferença. Juntos, podemos construir ambientes seguros onde aprender, brincar e crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. ABRAPIA. Manual de intervenção em casos de bullying escolar. Rio de Janeiro: ABRAPIA, 2022.
  2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA. Cartilhas educativas sobre doenças reumáticas na infância. São Paulo: SBR, 2021.
  3. BRASIL. Lei n.º 13.185, de 6 de novembro de 2015. Diário Oficial da União, Brasília, 9 nov. 2015.
  4. CROSS, D. et al. Friendly Schools: impact on bullying and social environment in Australian primary schools. Journal of School Health, v. 86, n. 7, p. 423-433, 2016.
  5. GAFFNEY, H.; FARRINGTON, D. P.; TTOFI, M. M. Effectiveness of school-based programs to reduce bullying: a systematic and meta-analytic review. Aggression and Violent Behavior, v. 45, p. 111-133, 2019.
  6. KÄRNÄ, A. et al. A large-scale evaluation of the KiVa anti-bullying program: grades 4–6. Child Development, v. 82, n. 1, p. 311-330, 2011.
  7. MODECKI, K. L. et al. Bullying prevention programs: a meta-analytic review. Journal of School Psychology, v. 52, n. 1, p. 1-14, 2014.
  8. OLWEUS, D. School bullying: development and some important challenges. Annual Review of Clinical Psychology, v. 9, p. 751-780, 2013.
  9. SILVA, M. A. I.; PEREIRA, B. O. Preparação docente para lidar com bullying em contextos de doenças crônicas. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 26, n. 4, p. 625-642, 2020.
  10. SOUZA, R. L.; SILVA, J. A. Implementação adaptada do Olweus Program em escolas públicas do interior paulista. Psicologia Escolar e Educacional, v. 24, e219063, 2020.
  11. UNESCO. Behind the numbers: ending school violence and bullying. Paris: UNESCO, 2019.