Seu filho entrou cedo ou tarde na puberdade? Veja impactos na escola
Descubra formas de apoiar crianças e adolescentes que vivem puberdade precoce ou tardia.

Você já viu uma criança que parece crescer “antes da hora” ou “depois da hora”? Quando isso acontece chamamos de puberdade precoce ou tardia. Essas mudanças não afetam só o corpo: elas também mexem com a cabeça e com o dia a dia na escola. Neste texto, o Clube da Saúde Infantil explica de forma simples o que a ciência descobriu e mostra caminhos fáceis para apoiar quem passa por isso.
O que é puberdade precoce e tardia?
Puberdade é a fase em que o corpo muda de criança para adulto, como quando um botão é apertado para “crescer”. Se esse botão liga muito cedo, chamamos de puberdade precoce. Se demora muito a ligar, é a puberdade tardia.
Quantas crianças passam por isso?
No Brasil, cerca de 1 em cada 5.000 crianças tem puberdade precoce, e é mais comum em meninas. Ainda não há número exato para a puberdade tardia, mas sabe-se que ela também existe e precisa de atenção.
Impacto na cabeça e nas notas

Dificuldade de concentração
Os hormônios mudam rápido, como se várias luzes acendessem ao mesmo tempo. Isso pode atrapalhar a atenção e a memória.
Queda no desempenho escolar
Logo no começo das mudanças, algumas crianças podem tirar notas mais baixas ou demorar mais para aprender novos conteúdos.
Desafios sociais na escola
• Bullying: 6 em cada 10 crianças que mudam fora do tempo sofrem provocações ou isolamento.
• Baixa autoestima: o corpo parece “de outro time” e a criança pode se sentir diferente.
• Ansiedade e vergonha: medo de falar em público ou participar de esportes.
Como a escola pode ajudar?
Programas que funcionam
- Mentoria individual: um adulto de confiança conversa toda semana.
- Grupos de apoio: alunos se reúnem para falar sobre sentimentos.
- Aulas flexíveis: adaptações simples, como mais tempo para provas.
- Treino para professores: aprender a notar sinais e agir com empatia.
Essas ações podem diminuir em até 40% os problemas de notas e convivência.
Dicas rápidas para pais e cuidadores
• Converse sem tabus sobre as mudanças do corpo, usando palavras claras.
• Mantenha rotina de sono e alimentação, pois o corpo em mudança gasta mais energia.
• Procure a escola e combine estratégias simples, como sentar a criança perto do professor para facilitar a atenção.
• Se notar tristeza ou medo constantes, busque ajuda de um psicólogo.
Quando procurar um profissional de saúde?
Se os sinais de puberdade aparecem antes dos 8 anos nas meninas ou antes dos 9 anos nos meninos, ou se não aparecem após 13 anos nas meninas e 14 nos meninos, é hora de conversar com um endocrinologista pediátrico.
Conclusão

A puberdade que chega cedo ou tarde pode bagunçar a rotina escolar, mas com informação e apoio tudo fica mais fácil. Escola, família e profissionais juntos fazem a diferença. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!
Referências
- SILVA, R. B. et al. Epidemiologia da puberdade precoce no Brasil. Revista Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, v. 63, n. 1, p. 45-52, 2019.
- MARTINEZ, J. et al. Cognitive function in early and late puberty. Journal of Pediatric Endocrinology, v. 33, n. 2, p. 89-96, 2020.
- THOMPSON, R. M. et al. Academic performance and pubertal timing. Pediatrics, v. 142, n. 4, e20180375, 2018.
- SANTOS, M. E. et al. Psychological impact of pubertal disorders. Journal of School Psychology, v. 59, p. 78-89, 2021.
- ANDERSON, K. L. et al. School-based interventions for pubertal disorders. Child Development, v. 90, n. 3, p. 892-904, 2019.
- OLIVEIRA, P. S. et al. Estratégias educacionais na puberdade precoce. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 26, n. 2, p. 299-312, 2020.