Seus direitos na escola: crianças com doenças endócrinas também têm voz
Descubra como leis e estratégias práticas podem proteger aprendizado e bem-estar de crianças com doenças endócrinas.

Seu filho ou aluno tem diabetes tipo 1, hipotireoidismo ou precisa de hormônio de crescimento? A boa notícia é que a lei brasileira garante apoio dentro da escola. Mas, na prática, ainda faltam passos simples para que esse direito vire realidade. Vamos explicar, em linguagem fácil, o que dizem as leis, quais são os desafios e como todos nós podemos ajudar. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!
Quais leis protegem meu filho na escola?
• Constituição Federal – Todo brasileiro tem direito à saúde e à educação.
• LDB – Obriga o sistema de ensino a atender necessidades médicas dos alunos.
• LBI – Determina que escolas públicas e particulares façam “adaptações razoáveis” sem cobrar nada extra da família.
Em palavras simples: se uma criança precisa medir a glicose fora do horário do recreio, a escola deve permitir e ajudar.
Principais desafios do dia a dia
1. Falta de informação clara
Apenas 38% das redes municipais têm um formulário médico-pedagógico para doenças endócrinas. Sem esse papel, o professor “age no escuro”.
2. Professores sem treinamento
Só 21% dos docentes do ensino fundamental receberam curso sobre doenças crônicas na última década. Resultado? Erros como não deixar o aluno diabético lanchar fora do recreio.
O que o mundo faz e o Brasil pode copiar

Países como Estados Unidos e Reino Unido seguem três pilares:
- Comunicação estruturada – Documento anual com metas de saúde.
- Plano individual de cuidado – Combina escola, família e médicos.
- Recursos financeiros garantidos – Dinheiro extra para suprir a necessidade do aluno.
Com esse modelo, as faltas escolares de crianças diabéticas caíram 27% nos EUA. A OMS afirma que o risco de repetência escolar cai até 40%.
Como avançar no Brasil
1. Capacitação de professores
Cursos on-line da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) já existem, mas a adesão é baixa. Ideia simples: oferecer pontos de progressão na carreira para quem concluir o módulo.
2. Mais dinheiro onde é preciso
A Portaria MEC 1.530/2021 libera verba extra do Fundeb para alunos com doenças crônicas. Estados como Pernambuco e Rio Grande do Sul já criaram códigos específicos na matrícula, facilitando contratação de monitores ou compra de sensores de glicose.
3. Regras claras na própria escola
Quando o fluxo de cuidados está no Projeto Político-Pedagógico, ninguém depende da “boa vontade” de uma só pessoa.
Perguntas que ouvimos com frequência
“A escola pode cobrar taxa extra?”
Não. A LBI proíbe cobranças adicionais por adaptações razoáveis.
“Meu filho pode aplicar insulina em sala?”
Sim. Ele tem direito a um Plano de Manejo Individual (PMI) que define locais e horários seguros.
“O que fazer se a escola não ajudar?”
Procure a direção por escrito, cite as leis, e se não houver solução, acione o Conselho Tutelar ou o Ministério Público.
Derrubando mitos comuns
• Mito: “Criança com doença endócrina deve ficar em casa para se cuidar.”
Fato: Com apoio certo, ela pode frequentar a escola e aprender como qualquer outra.
• Mito: “Aplicar hormônio ou medir glicose assusta os colegas.”
Fato: Explicação simples e apoio da equipe reduz medo e ainda ensina empatia.
Conclusão

O Brasil já tem boas leis para proteger crianças com doenças endócrinas na escola. Falta transformar papel em prática: mais informação, treinamento e recursos. Pais, professores e gestores podem, juntos, criar um ambiente seguro e acolhedor. Lembre-se: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.
- BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, 1996.
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