Cada gota conta: por que o teste do pezinho é vital para o bebê
Conheça o momento certo de coletar, como é feito e por que o teste do pezinho garante saúde e desenvolvimento seguros.

Você já ouviu falar no Teste do Pezinho? Ele é um exame simples, feito nos primeiros dias de vida do bebê, que pode evitar muitos problemas de saúde no futuro. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara ajuda as famílias a cuidar melhor dos pequenos. Vamos explicar, de forma bem fácil, como o teste funciona e por que ele é tão necessário.
O que é o Teste do Pezinho?
O Teste do Pezinho é um exame de sangue que detecta doenças que o bebê pode ter desde o nascimento, antes mesmo de aparecerem sinais no corpo. Uma dessas doenças é o hipotireoidismo congênito, que afeta a produção do hormônio da tireoide.
Quando o teste deve ser feito?
A coleta ideal é entre o 3º e o 5º dia de vida. Antes de 48 horas, o resultado pode dar falso positivo, porque o hormônio TSH do bebê ainda está em “pico”.
Como é a coleta do exame?
Passo a passo
- O profissional limpa o calcanhar do bebê com álcool.
- Faz um furinho rápido com lanceta.
- Deixa algumas gotinhas de sangue caírem em um papel especial, chamado papel-filtro.
- O papel seca ao ar livre, longe de calor e umidade.
- Depois, ele vai para o laboratório.
O que o laboratório analisa?
O laboratório mede o nível de TSH (um hormônio ligado à tireoide). O método mais usado no Brasil é o imunoensaio fluorimétrico (DELFIA). Se o TSH estiver acima de 10 mUI/L, o resultado é considerado alterado.
Como são os resultados?

• Normal: TSH ≤ 10 mUI/L. Os pais recebem a notícia e seguem a vida.
• Alterado: TSH > 10 mUI/L. O serviço de saúde liga para a família, pede um novo exame ou encaminha para tratamento.
Cobertura do Teste do Pezinho no Brasil
O Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) cobre, em média, 83% dos recém-nascidos. Alguns estados chegam perto de 100%, mas outros têm dificuldades, principalmente em áreas distantes.
Desafios
• Transporte lento das amostras.
• Diferença na qualidade da coleta.
• Dificuldade em localizar as famílias quando o resultado vem alterado.
Ainda assim, a rede de laboratórios segue regras rígidas de qualidade e libera o resultado em 5 a 7 dias.
Por que o Teste do Pezinho é importante?
Pense na tireoide como um “motorzinho” que ajuda o corpo a crescer. Se esse motor falha e o problema não é tratado logo, o bebê pode ter atraso no desenvolvimento, problemas de crescimento e dificuldades de aprendizado. Detectar cedo é como consertar o motor antes que ele quebre de vez.
Perguntas comuns dos pais
Dói muito?
O furinho é rápido e causa só um leve incômodo, como uma picada de mosquito.
Preciso levar meu bebê em jejum?
Não. O bebê pode mamar normalmente antes do exame.
Se o resultado vier alterado, meu filho já tem a doença?
Não sempre. Às vezes é preciso repetir o exame. O médico explica cada passo.
Equívocos para evitar
• “O teste é opcional.” Na verdade, ele é obrigatório por lei no Brasil.
• “Só preciso fazer se houver casos na família.” Mesmo sem histórico, o bebê pode ter a doença.
• “Se o resultado for normal, nunca mais preciso verificar.” Em casos raros, o médico pode pedir novos exames. Siga sempre a orientação profissional.
Conclusão

O Teste do Pezinho é simples, rápido e pode mudar a vida do seu bebê. Fazê-lo no tempo certo garante tratamento precoce e um futuro mais saudável. Compartilhe esta informação com outras famílias: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes Nacionais da Triagem Neonatal. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
- AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Update of newborn screening and therapy for congenital hypothyroidism. Pediatrics, v. 137, n. 6, p. e20162758, 2018.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE TRIAGEM NEONATAL. Manual de Procedimentos Técnicos para Triagem Neonatal. São Paulo: SBTN, 2019.
- MACIEL, L. M. Z. et al. Congenital hypothyroidism: recommendations of the Thyroid Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism. Arq Bras Endocrinol Metabol. v. 65, n. 1, p. 6-14, 2021.
- LEÃO, L. L.; AGUIAR, M. J. B. Triagem neonatal: o que os pediatras deveriam saber. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 84, n. 4 Suppl, p. S80-S90, 2019.