Cada dia conta: por que fazer o teste do pezinho no prazo salva vidas
Saiba por que realizar o teste do pezinho nos primeiros dias de vida é essencial e como famílias e profissionais podem fazer a diferença.

O teste do pezinho salva vidas ao detectar doenças graves nos primeiros dias de vida, mas nem todos os bebês no Brasil conseguem realizá-lo no tempo ideal. Vamos entender o que é, os desafios e como mudar essa realidade.
O que é o teste do pezinho?
O teste do pezinho é um exame simples: algumas gotinhas de sangue do calcanhar do bebê são colocadas em papel especial. Esse papel vai para o laboratório, onde doenças como hipotireoidismo congênito são investigadas. Quanto mais cedo o resultado, melhor o tratamento.
Cobertura no Brasil: números reais
O Programa Nacional de Triagem Neonatal afirma cobertura de 100% dos nascidos, mas na prática apenas 85% fazem o teste entre o 3º e o 5º dia de vida.
Diferenças entre regiões
• Sudeste – mais de 95% dos bebês testados.
• Norte – cerca de 65%.
Isso ocorre pela falta de postos de coleta, laboratórios e transporte rápido em áreas distantes.
Por que cada dia conta?
No caso de hipotireoidismo congênito, o tratamento deve começar antes dos 14 dias de vida. Passar desse prazo aumenta o risco de atraso no desenvolvimento.
Principais barreiras
Transporte da amostra
Em cidades grandes, o papel com sangue viaja diariamente. Na Amazônia, pode esperar avião ou barco, levando até 15 dias para chegar.
Comunicação do resultado
Muitos postos usam telefone ou carta. Se ninguém atende, o bebê pode ficar sem retorno. Cinco capitais mostraram 8% de bebês sem acompanhamento após resultado alterado.
Soluções que já funcionam

Laboratórios perto de casa
Estados como Santa Catarina criaram micro-laboratórios regionais. O custo por teste caiu 30% e o resultado chega mais rápido.
Tecnologia que avisa rápido
• Minas Gerais abriu central de ligação 24 horas, reduzindo 40% do tempo entre resultado e tratamento.
• Drones no Pará entregam o papel em até 48 horas a menos.
Políticas e economia
Cada R$ 1 investido na triagem economiza de R$ 9 a R$ 12 em cuidados futuros. Por isso, o governo estabeleceu metas de 95% de cobertura com repasse de verbas.
Como pais e comunidade ajudam
• Solicitar na maternidade a data de coleta marcada.
• Agentes de saúde que visitam casas no primeiro mês reduzem 70% dos atrasos.
• Divulgar informações em rádios comunitárias e redes sociais locais.
O futuro do teste do pezinho
Máquinas portáteis já analisam amostras em 30 minutos dentro da própria maternidade. Inteligência artificial ajuda a priorizar exames em áreas remotas, garantindo que o CEP não defina a saúde do bebê.
Conclusão

Garantir o teste do pezinho no prazo é dar ao bebê a chance de crescer forte, aprender e brincar sem limitações. Se cada família, profissional de saúde e gestor público fizer sua parte, todos os pequenos terão a mesma oportunidade. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
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