Crescer forte sem carne: estratégias práticas e seguras para alimentação infantil
Guia prático para famílias sobre alimentação infantil à base de plantas, com foco em nutrientes essenciais, suplementação e monitoramento profissional.

Você quer que seu filho cresça forte, mas prefere não usar carne na alimentação? Boa notícia: grandes sociedades médicas dizem que isso é possível e seguro, se houver bom planejamento. Neste guia rápido do Clube da Saúde Infantil, mostramos os passos mais simples para uma dieta vegetariana ou vegana saudável na infância.
O que dizem os especialistas?
Convergência internacional
Dietistas dos EUA, Reino Unido e Canadá afirmam: com planejamento, a dieta vegetariana ou vegana serve para todas as idades.
Pontos principais:
- Suplementar vitamina B12 sempre em crianças veganas e, quando preciso, em ovolactovegetarianas.
- Usar alimentos fortificados ou suplementos de cálcio e vitamina D em locais com pouco sol.
- Combinar feijões (leguminosas) com cereais integrais para ter proteína completa.
Atenção redobrada nos bebês < 1 ano
A ESPGHAN, sociedade europeia de gastroenterologia pediátrica, diz que bebês veganos precisam de consulta mensal e suplementação extra de B12, ferro, zinco e gorduras boas.
Principais cuidados no prato
Vitamina B12
É o “ponto crítico”. Não existe em plantas. Suplemento diário ou semanal é obrigatório para veganos e, se a comida não atingir a meta, também para ovolactos.
Ferro, cálcio e vitamina D
Use feijão, lentilha, verduras escuras e alimentos fortificados. Em caso de baixa ingestão ou pouco sol, entrar com suplemento.
Proteína e energia
Misture arroz integral + feijão ou soja. Pense na dupla como “peças de quebra-cabeça” que se completam. Use azeite ou pasta de amendoim para dar mais calorias, quando o pediatra orientar.
Onde ainda existe debate?

Brasil: cautela, mas possível
A Sociedade Brasileira de Pediatria classifica a dieta vegana como “risco nutricional elevado”, porém aceita se houver controle rigoroso.
Israel: registro obrigatório de B12
Após dois casos de deficiência grave, médicos de lá devem anotar no prontuário se a criança vegana recebe B12.
Fórmulas infantis
AAP (EUA) libera fórmula de soja; ESPGHAN prefere fórmula feita de arroz hidrolisado. No Brasil só existe a de soja, liberada pela Anvisa.
Como acompanhar seu filho
Consultas regulares
Pediatras sugerem visitas a cada 3-6 meses no primeiro ano para medir peso, altura e revisar a suplementação.
Exames de sangue
Hemograma, ferritina, vitamina B12 e vitamina D ajudam a ver se tudo vai bem. Anote resultados e mostre em cada consulta.
Tendências futuras
Universidades brasileiras já ensinam sobre alimentação vegetariana na residência de pediatria. Há até estudo testando DHA de algas em bebês. A ideia é ter guias únicos no mundo todo, fáceis para famílias e médicos.
Conclusão

Com informação clara e acompanhamento, a dieta vegetariana ou vegana pode ser segura e nutritiva para bebês e crianças. Suplemento de B12, atenção ao ferro, cálcio e vitamina D, além de visitas regulares ao pediatra, formam o “combo” do sucesso. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que, com apoio certo, crescer com saúde é mais legal!
Referências
- INSTITUTO DE PESQUISA ESTRATÉGIA E CONSULTORIA (IPEC). A alimentação dos brasileiros 2021. São Paulo: IPEC, 2021.
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- ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). Alimentação baseada em plantas na infância: evidências e recomendações. Brasília: OPAS, 2023.