Quem pode comer na escola? O desafio de criar cantinas para todos
Saiba como cantinas inclusivas enfrentam desafios de alergias, diversidade alimentar e desigualdade sem deixar ninguém de fora.

Você sabia que 8% das crianças brasileiras têm alergia ou intolerância alimentar? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cada aluno merece comer com segurança, respeito e alegria. Neste guia simples, mostramos como montar uma cantina escolar inclusiva, que cuida da saúde, da cultura e do bolso de todos.
Por que falar de inclusão alimentar na escola?
Comer junto faz parte da vida escolar. Quando a cantina pensa nas necessidades de cada criança, ninguém fica de fora. Isso fortalece a autoestima dos alunos e melhora o clima da escola.
Segurança para alergias e intolerâncias
Identifique os alimentos de risco
- Use etiquetas claras com os nomes dos alérgenos, como leite, ovo ou soja.
- Coloque ícones coloridos para facilitar a leitura, como um desenho de “leite” riscado.
Evite a contaminação cruzada
- Separe utensílios e bancadas para preparar comidas sem alérgenos.
- Limpe as superfícies cuidadosamente para evitar mistura de alimentos.
Treine a equipe
- Ensine passo a passo o que fazer em emergências.
- Repita o treinamento a cada semestre para fixar procedimentos.
Registre as restrições de cada aluno
- Mantenha ficha atualizada na cozinha e na secretaria.
- Compartilhe com pais, professores e profissionais de saúde.
Respeito à cultura e à religião

Monte cardápios variados
- Inclua pratos típicos de diferentes regiões do Brasil.
- Ofereça opções sem carne em dias religiosos, quando necessário.
Use a comida como aula de diversidade
- Apresente curiosidades, como “hoje o feijão tropeiro vem de Minas Gerais”.
- Convide famílias para compartilhar receitas tradicionais.
Acessibilidade econômica
Sistemas de subsídio
- Cobrança diferenciada: quem pode paga mais e ajuda quem precisa.
Parcerias com produtores locais
- Comprar direto do campo diminui o preço e garante alimentos mais frescos.
Cardápios sazonais
- Frutas da estação custam menos e têm mais sabor.
- Exemplo: manga no verão e maçã no inverno.
Voluntariado comunitário
- Pais e vizinhos podem ajudar na horta escolar ou em eventos especiais de comida.
Comunicação clara e constante
Canais abertos
- Crie grupos de mensagens ou aplicativo para falar sobre cardápio e avisos.
- Use cartazes simples com cores e desenhos na entrada da cantina.
Envolva todos
- Reuniões curtas com pais e nutricionistas a cada bimestre.
- Pesquisas rápidas de satisfação para ouvir as crianças.
Dúvidas mais comuns
- “A cantina vai ficar mais cara?” – Não, com planejamento e compras sazonais o custo se equilibra.
- “E se meu filho tem uma alergia rara?” – A ficha individual garante atenção especial.
- “Quem fiscaliza?” – A própria escola, pais e órgãos de saúde local podem acompanhar.
Equívocos que precisamos corrigir
- “Alergia leve não precisa de cuidado” – Mesmo traços de alimento podem causar reação grave.
- “Comida tradicional é sempre melhor” – Só se também for segura e incluir todos.
Conclusão

Criar uma cantina escolar inclusiva é possível e faz toda a diferença. Segurança para alergias, respeito à cultura e acesso ao bolso caminham juntos. Aqui no Clube da Saúde Infantil, queremos ver cada criança comendo bem, aprendendo e sorrindo. Lembre-se: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- SILVA, M. R.; SANTOS, A. B. Prevalência de alergias alimentares em escolares brasileiros. Revista Brasileira de Alergia e Imunologia, v. 35, n. 2, p. 45-52, 2021.
- OLIVEIRA, P. S. et al. Gestão de segurança alimentar em cantinas escolares. Journal of School Health Management, v. 8, n. 3, p. 112-125, 2022.
- SANTOS, J. L.; COSTA, R. F. Diversidade cultural na alimentação escolar. Revista de Nutrição Escolar, v. 15, n. 4, p. 78-89, 2021.
- FERREIRA, A. C. et al. Inclusão alimentar e desempenho escolar. Educação e Saúde, v. 12, n. 2, p. 234-248, 2022.
- MARTINS, R. B.; SILVA, D. C. Comunicação efetiva em cantinas escolares inclusivas. Revista de Gestão Escolar, v. 9, n. 1, p. 67-82, 2021.