O desafio de criar filhos saudáveis quando o corpo insiste em repetir alertas

Saiba interpretar sintomas persistentes e compreender quando o corpo da criança pede atenção especial para garantir crescimento saudável.

Você sabia que 3 em cada 10 crianças brasileiras têm alguma doença crônica? Essas doenças, como asma, diabetes e obesidade, podem afetar muito a vida do seu filho. Mas a boa notícia é que, quando descobertas cedo, podem ser controladas. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que conhecimento é poder – e poder salvar a saúde das nossas crianças.

O que são doenças crônicas não transmissíveis?

As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) são como visitantes que chegam para ficar. Elas não passam de uma criança para outra, mas precisam de cuidado constante. É como cuidar de uma planta especial – com atenção diária, ela cresce saudável.

Por que isso importa para seu filho?

No Brasil, cerca de 30% das crianças em idade escolar têm pelo menos uma dessas doenças. Isso significa que em uma sala com 30 alunos, 9 crianças podem ter alguma condição crônica.

O problema maior é que muitas vezes demora muito para descobrir a doença. Em média, passam 2 anos e 3 meses entre os primeiros sinais e o diagnóstico correto. É como um quebra-cabeças onde as peças demoram para se encaixar.

As doenças mais comuns nas escolas brasileiras

Asma (22% dos casos)

A asma é como se o pulmão ficasse mais sensível, reagindo a coisas no ar. A criança pode ter:

• Tosse que não passa.
• Cansaço rápido ao correr.
• Chiado no peito.

Obesidade (19% dos casos)

Quando o corpo da criança tem mais peso do que deveria para sua idade e altura. É como uma balança que precisa de equilíbrio.

Diabetes tipo 1 (5% dos casos)

É quando o corpo não consegue controlar o açúcar no sangue sozinho. A criança precisa de insulina, como se fosse uma chave para o açúcar entrar nas células.

Pressão alta infantil (4% dos casos)

Sim, crianças também podem ter pressão alta! É quando o sangue “empurra” as veias com mais força do que deveria.

Como essas doenças afetam a escola?

Faltas e notas

Crianças com doenças crônicas não controladas:

• Faltam 32% mais à escola.
• Têm notas 25% menores que os colegas saudáveis.
• Perdem em média 45 dias de aula por ano.

É como tentar aprender a andar de bicicleta pulando algumas lições – fica mais difícil acompanhar.

Vida social

4 em cada 10 crianças com essas doenças têm dificuldade para:

• Brincar com os amigos.
• Participar de educação física.
• Se sentir incluída no grupo.

O custo da demora

Quando a doença demora para ser descoberta, o tratamento fica 3 vezes mais caro. É como consertar um vazamento pequeno antes que alague a casa inteira.

Para o SUS, isso custa R$ 3,5 bilhões extras por ano – dinheiro que poderia ser usado para prevenir outras doenças.

Sinais de alerta: quando procurar ajuda

Fique atento se seu filho tem:

• Cansaço fácil ao brincar.
• Tosse que não melhora.
• Sede excessiva ou vai muito ao banheiro.
• Ganha peso muito rápido.
• Dores de cabeça frequentes.

O que você pode fazer

  1. Observe seu filho – você o conhece melhor que ninguém.
  2. Anote os sintomas – quando começaram, como são.
  3. Procure o pediatra – não espere melhorar sozinho.
  4. Mantenha consultas em dia – prevenção é o melhor remédio.

Dicas para o dia a dia

• Incentive atividades físicas adequadas.
• Mantenha alimentação saudável.
• Crie rotina de sono.
• Converse sobre sentimentos.

Apoio na escola

Se seu filho tem uma doença crônica:

• Converse com professores.
• Explique as necessidades especiais.
• Deixe medicamentos na escola (se necessário).
• Mantenha contato com a equipe escolar.

Conclusão

Descobrir uma doença crônica no seu filho pode assustar, mas lembre-se: com diagnóstico precoce e cuidado adequado, as crianças podem ter uma vida normal e feliz. Milhares de crianças brasileiras vivem bem com essas condições.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação é a melhor ferramenta dos pais. Quando sabemos o que procurar, podemos agir rápido e dar ao nosso filho a melhor chance de crescer saudável.

Afinal, crescer com saúde é mais legal – e com os cuidados certos, toda criança pode ter essa chance!


Referências

  1. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. Brasília: MS; 2022.
  2. Silva JR, et al. Tempo de diagnóstico das DCNTs na infância. Rev Saude Publica. 2021;55(3):45-52.
  3. Oliveira MC, Santos RM. Impacto econômico das DCNTs infantis. J Pediatr (Rio J). 2022;98(2):112-120.
  4. Costa LP, et al. Custos em saúde relacionados ao diagnóstico tardio. Rev Bras Epidemiol. 2021;24:e210034.
  5. Sociedade Brasileira de Pediatria. Panorama das DCNTs na Infância. São Paulo: SBP; 2022.
  6. Ferreira AS, et al. DCNTs e desempenho escolar. Rev Educ Pesqui. 2021;47:e238757.
  7. Cardoso MA, et al. Absenteísmo escolar e DCNTs. Cad Saude Publica. 2022;38(5):e00054421.
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