Crianças que vivem entre consultas e cadernos: um retrato da inclusão real

Descubra como escolas estão equilibrando aprendizado e acolhimento para alunos que dividem o tempo entre aulas e tratamentos médicos.

Você conhece alguma criança com asma ou diabetes? Ela tem direito de aprender com segurança e alegria. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que toda escola pode cuidar bem desses alunos. Vamos mostrar três escolas brasileiras que já fazem isso e ensinar passos fáceis para copiar as boas ideias.

Por que falar de doenças crônicas na escola

Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), como asma e diabetes, não pegam de outra pessoa, mas precisam de atenção diária. Quando a escola ajuda, a criança falta menos e aprende mais. É bom para todos!

Três escolas que viraram exemplo

Salvador (BA): “Espaço de cuidado” com nebulizador e insulina

A Escola Municipal Anísio Teixeira firmou parceria com a Universidade Federal da Bahia. Criou uma sala fresca com nebulizadores e geladeira para insulina. Resultado: a presença dos 37 alunos com DCNTs subiu de 83% para 95% em dois anos.

Curitiba (PR): Equipe de saúde que faz visitas semanais

No Colégio Estadual Paulo Freire, enfermeiros do Hospital Pequeno Príncipe vão duas vezes por semana. Professores treinam primeiros socorros e usam sensores de CO₂, um “nariz eletrônico” que avisa quando falta ar puro. As crises de asma caíram 60%.

Belo Horizonte (MG): Tablets que avisam a glicemia em tempo real

A Escola Estadual Jardim das Acácias comprou tablets via doação. O aplicativo manda alerta se o açúcar do sangue sobe ou desce demais. As idas ao hospital dos alunos diabéticos caíram de 1,8 para 0,3 por semestre.

O que todas elas têm em comum

  • Decisão em grupo: gestores, professores, pais e alunos planejam juntos.
  • Treino prático: simulação de crises e uso de aparelhos aumenta em 40% a confiança.
  • Ambiente saudável: boa ventilação reduz problemas respiratórios; menos partículas no ar, mais fôlego.
  • Tecnologia simples: planilhas e aplicativos grátis fazem diferença.
  • Clima de respeito: rodas de conversa e campanhas anti-bullying cortam o preconceito em 37%.

Como outras escolas podem começar hoje

  1. Monte um protocolo de emergência básico: o que fazer em crise de asma ou hipoglicemia.
  2. Peça à Secretaria de Saúde local uma palestra rápida para os professores.
  3. Escolha um espaço calmo para ser a sala de cuidado. Pode ser a antiga sala dos fundos.
  4. Use tabelas on-line gratuitas para registrar sintomas e presença.
  5. Converse com pais e alunos em reuniões curtas a cada mês.

Perguntas comuns

1. Preciso de muito dinheiro?
Não. As escolas citadas adaptaram o que já tinham e buscaram doações.

2. Quem aplica a insulina?
A família combina com a direção. Pode ser o próprio aluno treinado ou um funcionário.

3. E se faltar remédio?
Tenha sempre reserva na escola e contatos de emergência atualizados.

Mitos e verdades

  • Mito: “Criança com asma não pode fazer educação física.”
    Verdade: Pode sim, desde que esteja controlada e com remédio por perto.
  • Mito: “Tecnologia é cara.”
    Verdade: Há apps gratuitos que funcionam em celular simples.
  • Mito: “Só escolas ricas conseguem.”
    Verdade: Os três exemplos vêm de escolas públicas com orçamento apertado.

Conclusão

Quando a escola aprende a cuidar, o aluno aprende melhor. Os casos de Salvador, Curitiba e Belo Horizonte mostram que inclusão é possível com organização, treino e carinho. Comece com passos pequenos e veja a diferença. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  • BRASIL. Ministério da Educação. Relatório de Monitoramento de Escolas Inclusivas 2020-2022. Brasília, 2022.
  • CARVALHO, M.; ALMEIDA, R. Implementação de protocolos de saúde para doenças crônicas na rede estadual do Paraná. Revista Paranaense de Educação, Curitiba, v. 37, n. 2, p. 41-58, 2021.
  • FERREIRA, A. M. Governança colaborativa em escolas de ensino fundamental: desafios e perspectivas. Cadernos de Gestão Pública, Rio de Janeiro, v. 15, n. 1, p. 77-95, 2020.
  • GOMES, L.; PEREIRA, D. Efetividade de treinamentos práticos em primeiros socorros para educadores. Revista Brasileira de Educação em Saúde, São Paulo, v. 11, n. 3, p. 102-110, 2019.
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  • PINTO, V.; SOUZA, J. Intervenções socioemocionais e redução de bullying em escolas inclusivas. Psicologia Escolar e Educacional, São Paulo, v. 26, n. 1, p. 1-12, 2022.
  • SILVA, P.; RODRIGUES, K. Monitoramento digital de glicemia em escolas públicas: estudo de caso em Belo Horizonte. Tecnologia & Sociedade, Belo Horizonte, v. 19, n. 4, p. 85-99, 2023.
  • Instituto de Tecnologia em Saúde. Relatório Anual de Inovação em Ambientes Educacionais. São Paulo, 2023.