Conviver é curar: caminhos para combater o estigma de forma leve e eficaz
Saiba como promover empatia e inclusão nas escolas, combatendo o estigma e o isolamento de alunos com doenças crônicas de forma leve e prática.

Ver seu filho lidar com uma doença crônica pode doer. Além do cuidado médico diário, surge um desafio invisível: o preconceito. Bullying na escola, medo de ficar “diferente” e tristeza podem pesar como uma mochila cheia de pedras.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara e carinho transformam essa história. Vamos mostrar, passo a passo, como todos — escola, família e amigos — podem tirar esse peso e fazer a criança crescer com mais alegria.
O impacto das doenças crônicas na mente da criança
Doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 1, asma grave ou artrite, acompanham a criança todos os dias. Isso é como ter que cuidar de um jardim frágil: precisa de atenção constante.
Emoções que costumam aparecer
- Ansiedade: medo de uma crise acontecer na sala de aula.
- Tristeza: sensação de estar fora do jogo quando não pode brincar.
- Baixa autoestima: pensar “eu sou diferente” e se isolar.
Efeito na vida escolar
Estudo em São Paulo mostrou que esses alunos gostam 28% menos da escola do que colegas sem doença crônica. Consultas médicas e faltas frequentes afastam amigos.
Por que surge o estigma e o bullying
Quando colegas não entendem o que é um inalador ou uma injeção de insulina, a cena vira motivo de piada. O desconhecido assusta. Por isso, falar abertamente sobre a doença é o primeiro remédio contra o preconceito.
Quatro passos para a escola combater o estigma

- Sensibilizar sempre
Semana temática com jogos simples que mostrem como usar glicosímetro ou inalador. Assim, o aparelho vira algo normal. - Treinar professores
Eles aprendem a perceber comentários maldosos e a mediar conflitos na hora, com empatia em vez de castigo. - Dar voz à criança
Se ela quiser, pode explicar à turma o que sente. Falar em primeira pessoa dá autonomia e corta fofocas. - Chamar a família
Reuniões rápidas para trocar experiências e combinar cuidados sem superproteger.
Na Finlândia e no Canadá, ações parecidas cortaram quase pela metade os casos de bullying contra esses alunos. Em Minas Gerais, o “Projeto Respira” reduziu 32% das ofensas a crianças com asma.
Rede de apoio: quem pode ajudar
Um adulto de confiança — seja o professor, o orientador ou o profissional de saúde da escola — diminui 40% o risco de pensamentos ruins em adolescentes com DCNT.
Plano Individual de Saúde e Bem-Estar
É um documento simples, feito juntos por família, escola e equipe de saúde. Lá ficam:
- Sinais de alerta: queda repentina de notas, frases como “não sirvo para nada”.
- Para onde correr: contato do psicólogo ou do CAPSi em até 48 horas.
- Ferramentas de calma: respiração lenta, diário de emoções.
Sinais de alerta de saúde mental
Professores podem usar um questionário curto como o SDQ a cada semestre. Quando a escola dá retorno à família, a chance de ajuda certa triplica.
Resumo rápido: o que aprendemos
- Ansiedade e tristeza são comuns em quem vive com DCNT.
- Desconhecimento gera bullying; informação, não.
- Quatro pilares — sensibilizar, treinar, dar voz e envolver famílias — mudam a cultura.
- Rede de apoio e um adulto de confiança salvam vidas.
Conclusão

Estigma e bullying não podem falar mais alto que o sorriso da criança. Quando escola, família e amigos se unem, o inalador ou a insulina viram parte natural da rotina, como um caderno ou um lanche. Ao derrubar o preconceito, abrimos espaço para sonhos, aprendizado e brincadeiras. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
- PINQUART, M.; SHEN, Y. Anxiety in children and adolescents with chronic physical illnesses: A meta-analysis. Acta Paediatr, v. 100, n. 8, p. 1069-1076, 2011.
- CUMMINGS, C. M. et al. Depression in youth with chronic illness: prevalence and treatment. Child and Adolescent Psychiatric Clinics of North America, v. 25, n. 2, p. 281-294, 2016.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Helping children cope with stress during the COVID-19 pandemic. Genebra: OMS, 2020.
- FERREIRA, G. M.; LOPES, C. S. Qualidade de vida e satisfação escolar em crianças com doenças crônicas. Revista Paulista de Pediatria, v. 37, n. 3, p. 276-284, 2019.
- KIME, N. et al. Absenteeism from school in children with chronic disease. Child Care Health and Development, v. 46, n. 5, p. 562-570, 2020.
- THOMA, M. V. et al. Chronic stress and neural responses to social evaluation in children. Developmental Psychobiology, v. 63, n. 4, e22138, 2021.
- AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. Psychosocial care for people with diabetes. Diabetes Care, v. 41, p. S126-S134, 2018.
- OLIVEIRA, W. A. et al. Bullying among Brazilian students: a nationwide survey. Jornal de Pediatria, v. 91, n. 5, p. 432-438, 2015.
- KÄRNÄ, A. et al. Anti-bullying interventions: Implementation and outcome in Finland. Scandinavian Journal of Psychology, v. 60, n. 4, p. 354-364, 2019.
- SOUZA, R. C. et al. Projeto Respira: intervenção educacional em asma escolar. Revista Brasileira de Alergia e Imunopatologia, v. 44, n. 2, p. 111-118, 2021.
- BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes para atenção à saúde de educandos com DCNT. Brasília: MEC, 2022.
- ASSOCIAÇÃO DE PACIENTES CRÔNICOS DO BRASIL. Manual de Inclusão Escolar. São Paulo: APCB, 2020.
- HORRELL, A. A. et al. Environmental cues and inclusive school climate. Journal of School Health, v. 90, n. 7, p. 556-564, 2020.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Managing Chronic Health Needs in Child Care and Schools. Atlanta: CDC, 2019.
- MAUGHAN, E. D. et al. Mental health screening in school settings. Journal of School Nursing, v. 34, n. 1, p. 14-28, 2018.
- SILVA, M. M. L. et al. Mentoria entre iguais em diabetes tipo 1: resultados preliminares. Diabetology & Metabolic Syndrome, v. 14, n. 1, p. 18, 2022.
- GOODMAN, R. The Strengths and Difficulties Questionnaire: a research note. Journal of Child Psychology and Psychiatry, v. 38, n. 5, p. 581-586, 1997.
- BHIDE, S. et al. School screening and linkage to mental health care. School Psychology Review, v. 49, n. 2, p. 163-174, 2020.
- UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND. Seen, Counted, Included: ensuring inclusive education. New York: UNICEF, 2021.