Emoções à mesa: como a ansiedade escolar muda a forma de comer das crianças

Descubra como sentimentos e ansiedade afetam o apetite das crianças e veja atitudes simples para tornar as refeições mais equilibradas.

Sabe aquela dor no peito que a criança sente ao separar-se dos pais na hora da aula? Esse “friozinho” tem nome: ansiedade de separação. Quando ela aparece, muitas crianças acabam comendo mais, especialmente alimentos ricos em açúcar e gordura. No Clube da Saúde Infantil, mostramos como lidar com esse momento e manter o peso saudável.

Por que a ansiedade aumenta a fome

Quando a criança fica ansiosa, o corpo produz mais cortisol, conhecido como “hormônio do estresse”. Esse hormônio faz o corpo pedir comida calórica, como salgadinhos e doces. Pesquisas mostram que, nos primeiros dias de aula, 65% das crianças mudam o jeito de comer. Em crianças já acima do peso, o risco de “comer para acalmar” sobe 40%.

Sinais de alimentação emocional

  • Vontade de comer logo após momentos de choro ou preocupação.
  • Pedir lanches muito calóricos fora de hora.
  • Comer rápido, quase sem mastigar.
  • Dizer que “só se acalma” comendo.

Estratégias simples para o dia a dia

1. Horários certos para comer

Mantenha café da manhã, almoço, lanche e jantar sempre nos mesmos horários. O corpo gosta de rotina, como um relógio.

2. Lanches planejados

Prepare frutas já lavadas, iogurte natural e castanhas. Deixe à vista, como um convite saudável.

3. Comer com atenção plena

Peça à criança que olhe, cheire e mastigue devagar. Diga: “Sinta o sabor como se fosse a primeira vez”. Isso reduz em até 30% os episódios de comer por ansiedade.

4. Respirar antes de beliscar

Ensine a fazer três respirações lentas antes de pegar um lanche. Muitas vezes, a vontade passa.

5. Trabalho em equipe: família e escola

Converse com a professora sobre os horários de lanche. Combine sinais simples: se a criança pedir comida fora de hora, a escola manda um bilhete. Isso ajuda a monitorar.

Quando procurar ajuda profissional

Se a criança ganhar peso rápido ou ficar muito triste, marque consulta com nutricionista e psicólogo. Estudos mostram que o acompanhamento conjunto melhora a adaptação escolar e controla o peso de forma mais eficaz.

Monitoramento constante

Pese a criança uma vez por mês. Anote também o que ela come nos dias de aula. Pesquisas indicam que esse controle em família reduz em 50% o risco de ganho de peso grande durante períodos de estresse.

Conclusão

A ansiedade na volta às aulas pode mudar o jeito que a criança come, mas pequenas ações fazem grande diferença. Rotina de horários, lanches saudáveis e apoio emocional formam um escudo contra o ganho de peso. Com carinho, diálogo e ajuda profissional quando necessário, crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. SILVA, J. R. et al. Stress-induced eating behavior modifications in school children: a systematic review. Journal of Pediatric Psychology, v. 44, n. 8, p. 917-932, 2019.
  2. MARTINEZ-LOPEZ, E. et al. School transition and eating patterns in children with chronic conditions. Pediatric Obesity, v. 15, n. 6, e12645, 2020.
  3. THOMPSON, R. J. et al. Mindful eating interventions for emotional eating in pediatric populations. Eating Behaviors, v. 40, p. 101472, 2021.
  4. SANTOS, M. A. et al. Integrated approaches to weight management in anxious children. International Journal of Obesity, v. 44, n. 5, p. 1089-1098, 2020.
  5. PEREIRA, D. B. et al. Collaborative monitoring systems in pediatric weight management. Obesity Research, v. 29, n. 3, p. 502-515, 2021.