Educação e saúde no mesmo time: menos crises, mais acolhimento

A união de esforços entre equipes técnicas e pedagógicas melhora o controle das doenças crônicas e previne conflitos. Saiba como essa parceria transforma rotinas.

Ninguém aprende bem sentindo dor ou medo. Crianças com doenças crônicas sofrem mais quando há bullying na escola. A boa notícia: quando professores e profissionais de saúde trabalham juntos, as crises diminuem e o aprendizado melhora. Veja como fazer isso acontecer!

Por que saúde e educação precisam conversar

Uma simples conversa entre a escola e o posto de saúde pode evitar até 30% das crises de asma e de hiperglicemia em apenas seis meses. Funciona assim:

  • Fichas de alerta: a escola envia um comunicado padrão sempre que a criança passa mal.
  • Reuniões mensais: professor, enfermeiro, psicólogo e médico trocam informações.
  • Plano Individual de Atendimento (PIA): documento com medicamentos, limites físicos e adaptações nas aulas.

Quando o estresse escolar diminui, o nível do hormônio cortisol também cai, ajudando o corpo da criança a controlar melhor a doença.

Programa Saúde na Escola (PSE)

Criado em 2007, o PSE conecta a Unidade Básica de Saúde (UBS) à escola pública. Em municípios que adotaram o eixo Cultura de Paz, os resultados impressionam:

  • 40% menos casos de violência e bullying contra alunos com doenças crônicas.
  • Rodas de conversa mensais sobre autocuidado e respeito.
  • Oficinas de duas horas para professores reconhecerem sinais de crise asmática ou hipoglicemia.
  • O aplicativo e-Saúde Escola registra incidentes e encaminhamentos em tempo real.

Quando o enfermeiro caminha pelos corredores, o agressor percebe que existe uma rede atenta — e a criança se sente protegida e confiante.

Equipes multidisciplinares: quem faz o quê

Inspirado no modelo americano WSCC, o projeto Escola que Cuida, em Florianópolis, reúne:

  • Pediatra, fonoaudiólogo, nutricionista e assistente social dentro da própria escola.
  • Avaliações de saúde duas vezes por ano.
  • Oficinas de resolução de conflitos com psicólogos.
  • Teleconsultas para pais que não conseguem comparecer presencialmente.

Em apenas um ano, as faltas por dor crônica caíram 25% e as notas de matemática subiram 15 pontos.

Desafios e caminhos simples

Ainda há barreiras importantes:

  • Falta de prontuário eletrônico único que reúna informações de escola e saúde.
  • Ausência de formação específica para diretores em gestão de parcerias — 62% das redes ainda não oferecem esse treinamento.

Mas já há soluções acessíveis:

  • Capacitação on-line (EAD) para professores.
  • Métricas conjuntas: registrar cada crise de saúde e cada ato de bullying para mapear “zonas quentes” e agir rapidamente.

O que você pode fazer hoje

  • Se você é pai ou mãe, peça à escola o Plano Individual de Atendimento (PIA) do seu filho.
  • Se você é professor, convide a UBS mais próxima para uma roda de conversa.
  • Se você é gestor, inclua o tema bullying e doenças crônicas no próximo planejamento escolar.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que criança protegida aprende melhor, vive mais saudável e espalha alegria.

Conclusão

Quando escola e posto de saúde caminham juntos, a criança deixa de ser “paciente” e vira protagonista do próprio bem-estar. Menos crises, mais presença em sala de aula e um ambiente de respeito mostram que crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Silva R, et al. Intersetorialidade no enfrentamento do bullying escolar. Revista de Saúde Pública, 53(45), 2019.
  2. Cabral M, Lima P. Psiconeuroimunologia em pediatria: impacto do estresse crônico. Jornal de Pediatria, 96(2):123–130, 2020.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica: Programa Saúde na Escola. Brasília: MS, 2019.
  4. Souza T, Mendes J. Oficinas de capacitação docente em DCNTs. Revista Brasileira de Educação, 25:e250011, 2020.
  5. Almeida F, et al. Plataforma e-Saúde Escola: relatório de implementação. Belo Horizonte: UFMG, 2021.
  6. Prefeitura Municipal de Florianópolis. Projeto Escola que Cuida: resultados preliminares. Florianópolis: PMF, 2022.
  7. Instituto Nacional de Estudos Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Censo Escolar 2021: indicadores de saúde na escola. Brasília: INEP, 2022.
  8. World Health Organization. School health and youth health promotion. Geneva: WHO, 2020.