Preconceito na infância está ligado ao aumento de ansiedade e isolamento

A exclusão social vivida por crianças com doenças crônicas afeta a autoestima e pode causar ansiedade. Entenda como prevenir o impacto emocional e promover inclusão.

Quando uma criança tem uma doença que dura muito tempo, como diabetes ou asma, ela pode enfrentar mais do que apenas os sintomas da condição. O olhar diferente das pessoas e o preconceito podem afetar profundamente como ela se sente sobre si mesma. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que entender esse impacto é o primeiro passo para ajudar nossos pequenos a crescerem com mais confiança e alegria.

O que é o preconceito contra crianças doentes

O preconceito acontece quando as pessoas tratam uma criança de forma diferente por causa de sua doença. Isso pode aparecer em olhares estranhos, comentários maldosos ou até mesmo em atitudes de exclusão. Infelizmente, é mais comum do que imaginamos.

A autoestima é como um tanque de combustível emocional

Imagine que a autoestima da criança é como o tanque de combustível de um carro. Quando está cheio, ela se sente confiante e feliz. Mas quando sofre preconceito, é como se o tanque tivesse um furo e fosse esvaziando aos poucos.

Pesquisas mostram que cerca de 75% das crianças com doenças visíveis — como aquelas que usam cadeira de rodas ou têm marcas na pele — sentem-se menos confiantes sobre si mesmas do que outras crianças da mesma idade.

Uma mudança em como a criança se vê

Quando uma criança sofre preconceito durante a fase em que está formando sua identidade, isso pode mudar a forma como ela se enxerga. É como se colocasse “óculos escuros” que tornam tudo mais triste e difícil.

Sinais de ansiedade e tristeza: o que os pais devem observar

Crianças que sofrem preconceito por causa de suas doenças têm até três vezes mais chances de ficarem muito tristes ou deprimidas. E quatro em cada dez crianças com doenças visíveis desenvolvem ansiedade intensa. Isso significa que vivem preocupadas e com medo da rejeição.

Fique atento a sinais como:

  • Medo constante de sair de casa.
  • Preocupação excessiva com o que os outros vão pensar.
  • Dificuldade para dormir.
  • Dor de barriga ou dor de cabeça sem causa médica.
  • Evitar brincadeiras ou contato com outras crianças.

O medo de ser julgada pode atrapalhar o crescimento emocional e a capacidade da criança de se relacionar.

Quando a escola se torna um desafio

Faltas na escola aumentam

O preconceito também afeta o comportamento na escola. Estudos mostram que crianças que enfrentam estigma:

  • Faltam mais às aulas.
  • Participam menos das atividades em grupo.
  • Têm mais dificuldade para fazer amigos.

O ciclo do isolamento

Quanto mais a criança se afasta por causa do preconceito, mais isolada ela fica — e o isolamento agrava o sofrimento emocional. Romper esse ciclo exige atenção e apoio constantes.

Como identificar se seu filho está sofrendo

  • Mudanças de humor sem explicação.
  • Falta de interesse pela escola.
  • Comentários negativos sobre si mesmo.
  • Evitar grupos de colegas.
  • Perguntas frequentes sobre ser “diferente”.

Dicas para ajudar seu filho

  1. Converse abertamente: explique a doença de forma simples e positiva.
  2. Fortaleça a autoestima: elogie qualidades que não têm relação com a condição de saúde.
  3. Ensine respostas: prepare a criança para lidar com perguntas ou comentários.
  4. Busque apoio: participe de grupos de pais e crianças na mesma situação.
  5. Trabalhe com a escola: converse com professores sobre inclusão e respeito.

Conclusão

O preconceito pode afetar profundamente a saúde mental das crianças com doenças crônicas, mas com amor, informação e as estratégias certas, é possível mudar esse cenário.

Cada criança é única e especial, independente de sua condição. Com apoio emocional, compreensão e acompanhamento adequado, ela pode crescer confiante, saudável e feliz.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal — e isso inclui cuidar do corpo e da mente com o mesmo carinho.


Referências

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