A rede que acolhe: como diferentes profissionais cuidam da mente das crianças
Quando profissionais de áreas distintas atuam juntos, o cuidado fica mais completo. Veja como essa colaboração melhora a confiança e o equilíbrio das crianças.

Quando uma criança vive com vitiligo, psoríase, obesidade ou usa um aparelho médico, o desafio não está só no corpo — a mente também sente.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cuidar de todos os lados é o caminho. Neste texto, você vai ver como um time de profissionais, família e escola pode trabalhar junto — como um time de futebol — para proteger a saúde mental da criança.
O que é uma abordagem multidisciplinar
Imagine vários amigos jogando em posições diferentes para marcar o mesmo gol: o bem-estar da criança. Esse “time” é a abordagem multidisciplinar, em que o pediatra coordena o cuidado e conta com psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, assistente social e professores.
Por que isso é importante
- Até 40% das crianças com doença crônica visível apresentam ansiedade ou depressão nos dois primeiros anos após o diagnóstico.
- Quando todos trabalham juntos, a autoestima melhora e o tratamento se torna mais leve e fácil de seguir.
Quem faz parte do time

- Pediatra: técnico do time — organiza consultas e encaminhamentos.
- Psicólogo: avalia o humor e o comportamento com ferramentas simples, como o Strengths and Difficulties Questionnaire.
- Assistente social: identifica dificuldades financeiras ou de transporte que podem aumentar o estigma.
- Nutricionista e fisioterapeuta: orientam sobre dieta especial e movimento seguro.
- Professores e orientadores: apoiam a inclusão escolar e ajudam a prevenir o bullying.
- Família: torcida organizada que motiva e acolhe todos os dias.
Como esse time se comunica
Ferramentas simples
No Hospital Infantil de Brasília, a ficha de consulta tem um campo específico chamado “humor e interações sociais”. Se algo foge do normal, o sistema envia alerta direto ao psicólogo — garantindo que nada passe despercebido.
Reuniões rápidas
Reuniões quinzenais, presenciais ou por vídeo, mantêm todos alinhados. Famílias que receberam um “plano de cuidado compartilhado” relataram 22% mais satisfação com o acompanhamento.
Escola no jogo
Com autorização dos pais, a escola recebe orientações simples sobre hipoglicemia, atividades físicas e linguagem respeitosa. Estudos mostram que envolver a escola reduziu o bullying em 35% em apenas seis meses.
Obstáculos e soluções no Brasil
Falta de profissionais
No SUS, há apenas um psicólogo para cada 25 mil habitantes. A telepsicologia, liberada em 2022, vem ampliando o acesso. Em um estudo com crianças com alopecia, 78% se sentiram menos envergonhadas após oito sessões on-line.
Dinheiro curto
Os programas de matriciamento em saúde mental — em que especialistas apoiam as equipes básicas — reduziram em 15% as internações hospitalares, liberando recursos para mais atendimentos.
Inovações que já ajudam
Aplicativos de humor
Apps lúdicos permitem que a criança registre como se sentiu no dia (“sol” ou “nuvem”).
Os relatórios chegam automaticamente à equipe de saúde, facilitando o acompanhamento.
Realidade virtual
Jogos educativos de realidade virtual ajudam a entender a doença e diminuem o estresse antes de procedimentos.
Um estudo mostrou aumento de 30% no conhecimento sobre a própria condição após o uso dessas ferramentas.
Perguntas que os pais costumam fazer
Meu filho precisa mesmo de psicólogo?
Sim. O psicólogo ajuda a compreender sentimentos, assim como o pediatra cuida do corpo.
A escola vai expor meu filho?
Não. Professores recebem orientações claras e seguem a Lei Geral de Proteção de Dados.
Teleatendimento funciona?
Sim! Pesquisas brasileiras mostram melhora na autoestima e adesão ao tratamento.
Equívocos comuns e a verdade
- “É só uma fase, vai passar.” → Sem apoio, ansiedade e depressão podem piorar.
- “Bullying fortalece.” → Na verdade, aumenta o risco de isolamento e abandono escolar.
- “Se tratar a doença física, a mente melhora automaticamente.” → Corpo e mente precisam ser cuidados juntos.
Dicas para começar hoje
- Pergunte ao pediatra sobre avaliação emocional nas consultas.
- Converse com a escola e ofereça informações simples sobre a condição.
- Procure grupos de apoio, ONGs e associações, como a Associação Brasileira de Vitiligo.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, você também encontra conteúdos sobre alimentação saudável e atividade física infantil para complementar o cuidado.
Conclusão

Proteger a mente de crianças com doenças crônicas visíveis exige trabalho em equipe, comunicação clara e soluções criativas. Quando corpo e mente recebem atenção juntos, o tratamento se torna mais leve e a criança ganha confiança para brincar, aprender e sonhar. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Johnson E, Lee M, Taylor H. Mental health comorbidities in pediatric chronic illness: a systematic review. Journal of Pediatric Psychology, 43(10):1043–1056, 2018.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia de atenção integral à criança com doença crônica. Rio de Janeiro: SBP, 2020.
- Canadian Paediatric Society. Supporting inclusion for children with visible chronic conditions. Ottawa, 2021.
- Silva RN, Almeida VS, Costa PR. Implementação de prontuário eletrônico integrado em hospital infantil público.Revista de Administração em Saúde, 21(2):45–53, 2019.
- Melo TM, Castro EK. Satisfação familiar e planos de cuidado compartilhado em pediatria crônica. Psicologia: Reflexão e Crítica, 33:e25, 2020.
- Conselho Federal de Psicologia. Mapa da Psicologia no Brasil. Brasília, 2023.
- Freitas L, Dias M, Bastos A. Telepsicologia em alopecia na infância: resultados preliminares. Saúde em Debate, 46(133):120–130, 2022.
- Brasil. Ministério da Saúde. Núcleos de apoio à saúde da família: manual operacional. Brasília, 2022.
- Hernandez J, O’Connor D. Virtual reality for pediatric chronic disease education: a randomized trial.Cyberpsychology, Behavior and Social Networking, 25(4):243–250, 2022.
- Associação Brasileira de Vitiligo. Relatório anual de atividades. São Paulo, 2023.