A fase do “não quero provar”: o que está por trás da resistência das crianças
Descubra o que a recusa alimentar revela sobre o crescimento infantil e veja formas práticas de ajudar seu filho a explorar novos sabores com tranquilidade.

Seu filho faz cara feia quando vê um alimento diferente no prato? Não quer nem experimentar comidas novas? Fique tranquilo: isso é mais comum do que parece e tem até nome — neofobia alimentar. Aqui no Clube da Saúde Infantil, explicamos tudo sobre esse comportamento que preocupa tantas famílias.
O que é neofobia alimentar
A neofobia alimentar é o medo ou a recusa de experimentar alimentos novos. É como se a criança tivesse um “sistema de proteção” natural, que a faz desconfiar de comidas diferentes. Esse comportamento costuma aparecer entre 2 e 6 anos de idade e faz parte do desenvolvimento infantil.
É normal ter medo de comidas novas?
Sim. Pesquisas mostram que entre 40% e 60% das crianças de 2 a 5 anos passam por essa fase. É uma reação normal, que tende a diminuir gradualmente após os 6 anos.
Quando devo me preocupar
Existem dois tipos de neofobia alimentar:
- Fase normal: passageira e parte natural do crescimento.
- Forma grave: quando a recusa é muito intensa e duradoura.
Procure ajuda médica ou nutricional se:
- A criança come apenas dois ou três tipos de alimento.
- Há perda de peso ou dificuldade para crescer.
- O comportamento continua forte após os 6 anos.
- A recusa afeta a rotina familiar ou causa sofrimento nas refeições.
Como identificar a neofobia alimentar

Sinais mais comuns:
- Recusa imediata de alimentos novos.
- Resistência até para experimentar um pedacinho.
- Preferência constante pelos mesmos alimentos.
- Reações fortes como náusea, choro ou irritação ao ver novos pratos.
Como ajudar seu filho
Dicas práticas que funcionam:
- Ofereça novos alimentos junto com os que a criança já aceita.
- Dê o exemplo comendo alimentos variados na frente dela.
- Não force: o convite deve ser leve e sem pressão.
- Elogie o esforço quando ela provar algo diferente.
- Mantenha um ambiente tranquilo, sem pressa nem distrações.
O que não fazer
❌ Brigar ou castigar.
❌ Forçar a alimentação.
❌ Fazer chantagem (“se comer ganha sobremesa”).
❌ Substituir refeições por lanches ou doces.
Conclusão

A neofobia alimentar é uma fase comum do desenvolvimento infantil que, na maioria das vezes, passa naturalmente. O mais importante é ter paciência e criar um ambiente positivo à mesa. Com tempo, carinho e bons exemplos, seu filho vai aprender a experimentar e gostar de novos sabores.
Lembre-se: cada criança tem seu ritmo — e crescer com saúde é mais legal quando respeitamos esse processo.
Referências
- DOVEY, T. M. et al. Food neophobia and “picky/fussy” eating in children: a review. Appetite, v. 50, n. 2-3, p. 181–193, 2008.
- LAFRAIRE, J. et al. Food rejections in children: cognitive and social/environmental factors involved in food neophobia and picky/fussy eating behavior. Appetite, v. 96, p. 347–357, 2016.
- PETTY, M. L. B. et al. Adaptação e validação da Escala de Neofobia Alimentar Infantil para o português brasileiro. Revista Paulista de Pediatria, v. 36, n. 3, p. 325–333, 2018.