O sabor do convívio: refeições em família que despertam curiosidade e afeto

Descubra como as refeições em família fortalecem vínculos, despertam curiosidade e ajudam as crianças a desenvolver uma relação saudável com a comida.

Você já reparou que seu filho copia tudo que vê? Comer não é diferente. Quando a família mostra prazer ao provar um alimento, a chance da criança aceitar o mesmo alimento quase dobra. Vamos entender por que isso acontece e como usar esse poder do exemplo no dia a dia.

O que é neofobia alimentar

Neofobia é o medo do novo na hora de comer. É comum entre 2 e 6 anos. A criança recusa o alimento não por teimosia, mas por proteção. Ela precisa de sinais de que o alimento é seguro.

Por que o exemplo da família importa

1. Disponibilidade

O alimento precisa estar na mesa com frequência. Se não aparece, a criança não tem chance de aprender.

2. Visibilidade

Pais e cuidadores devem comer o alimento na frente da criança. Sentar juntos ajuda a mostrar que é normal.

3. Valência afetiva

Sorrir, cheirar e elogiar o sabor ou a cor — como dizer “que cenoura docinha” — acalma a criança. Ambientes tensos ou brigas diminuem a vontade de copiar.

Repetir essa sequência por várias refeições aumenta bastante a aceitação de vegetais e outros alimentos novos.

Refeições em família: um pequeno grande ritual

Sentar à mesa pelo menos cinco vezes por semana cria a ideia de comida de gente. Evite preparar pratos diferentes para a criança. Quando todos comem o mesmo, ela entende que aquele alimento é seguro e gostoso.

A força dos amigos e dos desenhos

Colegas na escola

Um amigo que come brócolis pode estimular a criança a experimentar também. Programas escolares que promovem esse tipo de convivência usam o efeito do exemplo positivo entre colegas.

Personagens da TV

Ver o super-herói preferido comendo fruta anima a criança. Mas o efeito dura pouco se o alimento real não aparece. Por isso, mostre o desenho e depois ofereça a fruta de verdade.

Atividades que unem vídeos educativos e oficinas culinárias podem aumentar significativamente o consumo de vegetais entre pré-escolares.

Dicas simples para o dia a dia

• Planeje pelo menos cinco refeições em família por semana.
• Use palavras positivas sobre cor, cheiro e textura. Evite ameaças como “só sai da mesa se comer”.
• Convide um amigo ou primo que já goste do alimento para o almoço.
• Dê nomes divertidos: salada do Hulk, sanduíche do astronauta.
• Se não gosta de um alimento, evite comentários negativos perto da criança.

Conclusão

Quando pais, amigos e até personagens favoritos dão o exemplo, o medo de novos alimentos diminui. Ofereça sem pressionar, sorria e compartilhe a mesa. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cada garfada é um passo para crescer forte e feliz. E lembra: crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. Birch, L. L.; Fisher, J. O. Development of eating behaviors among children and adolescents. Pediatrics, v. 101, supl., p. 539-549, 1998.
  2. Powell, F. et al. Mealtime emotional climate and child eating patterns. Appetite, v. 162, p. 105152, 2021.
  3. Wardle, J. et al. Increasing children’s acceptance of vegetables: a randomized trial. Journal of the American Dietetic Association, v. 103, n. 10, p. 1443-1447, 2003.
  4. Hamer, M.; Pienaar, M. Family meals and food neophobia in early childhood. Public Health Nutrition, v. 24, n. 12, p. 3782-3789, 2021.
  5. Hendy, H. et al. Peer influence on the acceptance of unfamiliar foods in preschoolers. Appetite, v. 65, p. 81-87, 2013.
  6. Keller, K. L. et al. Television food advertising and children’s food choice. Appetite, v. 62, p. 113-119, 2013.
  7. Jardim, D. C. et al. Oficina culinária e aceitação de hortaliças em pré-escolares: ensaio comunitário controlado. Cadernos de Saúde Pública, v. 37, n. 6, p. e00234520, 2021.
  8. Beckerman, J. P. et al. Parental modeling, consistency and child dietary quality. Nutrients, v. 9, n. 2, p. 136-148, 2017.