Quando o lazer também é inclusão: o papel das atividades extracurriculares na infância
Descubra como o lazer pode ser inclusivo e seguro para crianças com doenças crônicas, estimulando convivência, movimento e bem-estar emocional.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que aprender vai além da sala de aula. Esportes, passeios e festas fazem a criança crescer feliz. Mas e quando o aluno tem uma doença crônica, como asma ou diabetes? Este guia mostra, em linguagem simples, como garantir diversão e segurança ao mesmo tempo.
Por que participar faz bem
Participar de atividades fora da sala ajuda o corpo, a mente e as amizades. Estudos no Brasil mostram:
• Programas esportivos adaptados para crianças com asma melhoram o controle dos sintomas em até 22%.
• Excursões supervisionadas para alunos com diabetes tipo 1 aumentam a confiança no uso da insulina.
• O isolamento social cai 30% quando a turma faz oficinas sobre doenças crônicas antes dos jogos.
Em outras palavras, a quadra, o parque ou a festa viram um verdadeiro laboratório de autonomia.
Como preparar a atividade
1. Planejamento simples, mas completo
Junte escola, família e profissional de saúde. Façam um Plano de Ação para Atividades Externas (PAAE) com:
• Limites de tempo e de esforço físico.
• Horários de lanche ou medicação.
• Telefones de emergência e localização de postos de saúde próximos.
2. Ajuste o esporte ao aluno
• Cardiopatia leve: atividades curtas, com pausas e uso de monitor cardíaco.
• Asma: alongamento maior e inalador sempre por perto.
• Epilepsia controlada: evitar piscina sem supervisão e usar capacete em esportes sobre rodas.
3. Kit de saúde sempre junto
• Medicamentos, glicosímetro, carboidrato rápido e autoinjetor de adrenalina.
• Dois adultos treinados para usar o kit, conforme a Lei nº 13.146/2015.
4. Lanche seguro nas festas
• Ofereça opções com baixo índice glicêmico e rótulo claro de alergênicos.
• Crie uma “estação de medição” para checar a glicemia antes e depois das brincadeiras.
5. Transporte acessível
• Cinto ajustável, rampa ou assento próximo à porta.
• Seguro-viagem que cubra a condição crônica da criança.
6. Olho vivo em tempo real
Aplicativos que monitoram glicose ou batimentos no celular do professor emitem alertas automáticos se algo sair do normal.
Treinar equipe e amigos

Cursos rápidos para professores
Capacitações de oito horas em primeiros socorros específicos reduziram em 40% as idas ao hospital em eventos escolares.
Oficinas de “troca de papéis”
Colegas simulam medir glicose ou usar a bombinha de asma. O resultado? O dobro de aceitação entre crianças com doenças respiratórias.
Como saber se deu certo
Indicadores fáceis de acompanhar
• Participação: quantas atividades a criança realmente frequentou.
• Ocorrências clínicas: se houve crises e como foram resolvidas.
• Satisfação: perguntas simples para pais e alunos antes e depois do semestre.
• Desempenho escolar: faltas e notas após as atividades.
O que vem pela frente
Tecnologia a favor da inclusão
• Crachá com sensor que libera sala de descanso se o batimento cardíaco subir demais.
• “Passaporte de saúde” em QR Code que exibe prescrições em segundos.
• Campeonatos de e-sports para quem não pode praticar esportes intensos.
Conclusão

Com bom planejamento, kit de saúde e equipe treinada, toda criança pode brincar, viajar e aprender junto. Quando a escola inclui, o sorriso cresce e o medo diminui. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Brasil. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Diário Oficial da União, 7 jul. 2015.
- Carvalho, G.; Santos, R. Programa esportivo adaptado em escolares asmáticos: impacto clínico e social. Revista Paulista de Pediatria, v. 39, e2021012, 2021.
- Costa, L.; Lima, M. Capacitação docente e redução de remoções hospitalares em eventos escolares para crianças com DCNT. Educação & Saúde, v. 12, n. 2, p. 45-52, 2020.
- Gomes, H.; Ferreira, F. Passaporte de saúde digital: inovação para manejo de DCNTs em excursões escolares.Cadernos de Saúde Digital, v. 4, n. 1, p. 12-20, 2023.
- Morais, V. et al. Telemetria glicêmica em tempo real na escola: estudo multicêntrico. Boletim de Endocrinologia Pediátrica, v. 8, n. 3, p. 77-85, 2022.
- Oliveira, D.; Batista, A. Oficinas de sensibilização e percepção de alunos sobre doenças respiratórias. Psicologia Escolar, v. 28, n. 1, p. 1-9, 2019.
- Pereira, T.; Nascimento, J. Jogos interclasses inclusivos e redução de isolamento social em crianças com DCNTs.Revista Brasileira de Educação Física, v. 33, e002319, 2019.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação para inclusão de escolares com doenças crônicas. Rio de Janeiro, 2022.
- Silva, P. et al. Autogestão de diabetes em excursões escolares: estudo longitudinal. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia, v. 64, n. 4, p. 404-412, 2020.