Amizade, empatia e saúde: o tripé da convivência escolar sem exclusão

Descubra como promover amizade, respeito e inclusão entre crianças com doenças crônicas, fortalecendo vínculos e bem-estar emocional na escola.

Toda criança merece brincar, aprender e ter amigos. Mas quem vive com uma doença crônica, como asma ou diabetes, pode sentir medo, tristeza e até sofrer bullying.

Hoje, o Clube da Saúde Infantil mostra passos simples para transformar a escola em um lugar mais seguro, acolhedor e feliz para esses pequenos heróis.

Por que a doença crônica mexe com as emoções

Conviver com remédios, consultas e possíveis crises gera preocupação constante. Pesquisas apontam que mais de um terço dos alunos com asma dizem sentir-se “diferentes” ou “excluídos” nas atividades em grupo. A criança pode faltar às aulas, perder conteúdo e achar que nunca vai acompanhar a turma — o que afeta a autoestima, essa força interna que sustenta a confiança.

Impacto na família

Pais cansados ou preocupados tendem a discutir mais, e esse clima interfere no equilíbrio emocional da criança. Por isso, cuidar da saúde mental é tarefa de toda a família.

Sinais de alerta: quando buscar ajuda

• Mudanças bruscas de humor (muita tristeza ou irritação).
• Medo de ir à escola.
• Queixas físicas sem causa médica clara, como dor de cabeça ou de barriga.
• Queda nas notas.

Se notar dois ou mais desses sinais, converse com o professor e procure um psicólogo ou serviço de saúde da sua cidade.

Como a escola pode ajudar

Oficinas de emoções

Aulas curtas sobre sentimentos, realizadas uma vez por semana, reduziram em 45% o isolamento de alunos com doenças crônicas em escolas paulistas.

Material lúdico

Histórias em quadrinhos que explicam o uso de inaladores ou bombas de insulina ajudam toda a turma a compreender o tratamento. Quando todos entendem, o equipamento deixa de ser motivo de piada e passa a ser algo natural.

Dupla de apoio

Um colega treinado acompanha o aluno nas atividades físicas. Esse tipo de parceria aumentou em 30% a participação de crianças com problemas cardíacos nas aulas de Educação Física.

Presença de psicólogo escolar

O Conselho Federal de Psicologia recomenda um profissional para cada 500 alunos. Onde isso ainda não é possível, parcerias com universidades podem oferecer atendimento regular.

Prevenindo o bullying: tolerância zero

O bullying piora o medo e a tristeza, e pode afastar a criança da escola. O Ministério da Educação recomenda três passos principais:

  1. Sensibilizar: promover palestras e rodas de conversa sobre respeito e empatia.
  2. Vigiar: manter professores atentos e criar canais anônimos de denúncia.
  3. Responder rápido: aplicar consequências claras para quem pratica ofensas.

Em escolas que adotaram o programa de “líderes de respeito”, as zombarias relacionadas a dispositivos médicos caíram pela metade.

Dicas para famílias

• Converse abertamente sobre a doença usando palavras simples.
• Participe das reuniões escolares e explique o tratamento aos professores.
• Ensine a criança a falar sobre sua condição em frases curtas, como: “uso a bombinha para ajudar meus pulmões”.
• Procure grupos de apoio ou ONGs locais para trocar experiências e fortalecer o vínculo social.

Conclusão

Crianças com doenças crônicas podem, sim, ter amigos, aprender e ser felizes. Com apoio da família, da escola e dos colegas, o tratamento se torna mais leve e a autoestima cresce forte.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cada passo de inclusão faz diferença. Lembre-se: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Helping adolescents thrive: toolkit for implementation. Geneva: WHO, 2021.
  2. Bertolin, M. D.; Colli, C. O peso da asma em escolares brasileiros: estudo nacional. Jornal de Pediatria, v. 96, n. 2, p. 204-210, 2020.
  3. Costa, T. M.; Oliveira, G. S. Carga familiar e coping em cuidadores de crianças com diabetes tipo 1. Psicologia: Teoria e Prática, v. 23, n. 2, p. 1-15, 2021.
  4. Instituto Sou da Paz. Relatório de impacto do programa “Emoções em Dia” 2018-2020. São Paulo, 2021.
  5. Fonseca, A. L.; Freitas, M. M. HQs como ferramenta de educação em saúde para diabéticos. Ciência & Educação, v. 27, n. 4, p. 1193-1210, 2021.
  6. Nunes, K. F. et al. Parcerias entre pares e inclusão de cardiopatas na Educação Física. Movimento, v. 27, p. 1-12, 2021.
  7. Conselho Federal de Psicologia. Orientações para atuação de psicólogos escolares. Brasília, 2020.
  8. Brasil. Ministério da Educação. Cartilha de prevenção ao bullying. Brasília, 2019.
  9. Leite, V. S.; Almeida, F. P. Programa de líderes de turma e percepção de inclusão. Revista Educação em Questão, v. 58, n. 1, p. 1-20, 2020.