Passo a passo para informar corretamente professores e equipe de saúde sobre diabetes

Descubra como compartilhar informações de forma clara entre escola, família e equipe de saúde para cuidar de crianças com diabetes com segurança.

Trocar informações todos os dias salva vidas. Para a criança com diabetes, saber a hora da refeição, o valor da glicemia e a dose de insulina é tão importante quanto aprender a ler. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos caminhos simples para que família, escola e equipe de saúde falem a mesma língua. Vamos lá?

Por que falar sempre é importante

Quando escola e família compartilham dados em tempo real, as crises de hipoglicemia diminuem significativamente. A regra é simples: quanto mais claro o recado, mais segura a criança.

Ferramenta 1: diário de bordo

O que é: um caderno impresso ou digital onde se anota horário das refeições, glicemia antes de comer, carboidratos e dose de insulina.
Como usar: preencha campos padronizados. Isso evita confusão e garante clareza — o Conselho Nacional de Educação recomenda documentos simples e acessíveis.

Ferramenta 2: ficha de intercorrências

Use este formulário quando ocorrer hipoglicemia ou hiperglicemia. Ele ajuda a identificar padrões e orienta o médico na atualização do Plano de Cuidados Individualizado (PCI).

Ferramenta 3: protocolos assinados

Toda folha importante deve ter assinatura dos pais e ciência da direção. Assim, a escola segue a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e todos ficam mais tranquilos.

Tecnologia que aproxima

Aplicativos de monitoramento

Apps como Glooko® e Tidepool® enviam os valores de glicemia do sensor direto para o celular dos pais. Professores visualizam apenas o essencial, respeitando a LGPD. O uso desses aplicativos reduz faltas por hipoglicemia e melhora a segurança geral.

Grupos de mensagem

Crie um grupo apenas para avisos urgentes: hora, valor da glicemia e ação feita. Evite mensagens fora do horário de aula — isso reduz a “fadiga” de alertas e mantém a equipe focada.

Plataforma escolar

O mesmo site onde os responsáveis veem notas pode ter um campo específico de “Saúde”. Peça que ele tenha criptografia e backup diário para proteger os dados das crianças.

Relatórios e reuniões

Boletins quinzenais ou mensais

Reúnem média de glicemia, número de crises e participação nas aulas de Educação Física. O relatório se torna referência nas consultas médicas e nas reuniões com a escola.

Encontros trimestrais

Pais, professores, coordenação e profissionais de saúde podem revisar metas e atualizar o PCI em conjunto. Essa prática fortalece o vínculo entre todos.

Roteiro de transição

Quando a criança muda de turma, envie um dossiê com o PCI, contatos de emergência e rotina de resposta. Isso reduz falhas e garante continuidade dos cuidados.

Linguagem que acolhe

Troque palavras que assustam. Em vez de “sua glicemia explodiu”, diga “vamos ajustar para chegar no alvo”. Criar um glossário comum — hipoglicemia, correção, carboidrato rápido — evita erros.

Workshops semestrais com alunos e professores reduzem o isolamento e aumentam a empatia. Que tal organizar o próximo?

Como manter o sistema vivo

• Nomeie um responsável na escola, como o coordenador.
• Revise os aplicativos uma vez por ano.
• Faça pesquisa de satisfação com notas de 1 a 5.
• Registre eventos graves, ligações para o SAMU e faltas a cada semestre.

Compartilhar esses números ajuda a enxergar avanços e pontos de melhoria.

Conclusão

Uma comunicação clara cria uma rede de segurança. Ela permite que a criança viva o papel mais importante: ser estudante. Mantenha o diário, use a tecnologia com cuidado e fale com empatia. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que, com informação na medida certa, crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Aguiar, A.; Santos, V. Comunicação escola-família no cuidado de crianças com doenças crônicas. Revista de Educação em Saúde, v. 15, n. 2, p. 35-48, 2022.
  2. Brasil. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Diário Oficial da União, 15 ago. 2018.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Caderneta de Saúde da Criança: orientações para alimentação saudável. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.
  4. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº 2, de 11 de setembro de 2020. Diário Oficial da União, 14 set. 2020.
  5. International Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas. 10th ed. Brussels: IDF, 2021.
  6. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2022-2023. Rio de Janeiro: SBD, 2022.