Merendeiras e professores: os primeiros socorristas das alergias infantis
Veja como capacitar merendeiras e professores pode evitar reações e salvar vidas. Treinamento simples que faz diferença na rotina escolar.

Imagine um recreio tranquilo, sem medo de alergias graves. Para isso, merendeiras, professores e gestores precisam estar bem preparados. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos passos práticos para sua escola servir refeições seguras, nutritivas e inclusivas.
Por que treinar a equipe importa
Menos de 40% dos profissionais de cozinha escolar no Brasil receberam curso sobre alergia alimentar nos últimos três anos. Sem esse cuidado, 62% das reações graves acontecem por erro na leitura do rótulo ou por contaminação cruzada.
O treinamento adequado garante:
- Mais segurança e menos risco de anafilaxia.
- Cardápio nutritivo sem aumento de custos.
- Inclusão real, sem “almoço separado”.
O que colocar no treinamento
1. Reconhecer restrições
- Aprender a ler rótulos e identificar os nove principais alergênicos.
- Saber interpretar o laudo médico da criança e seus cuidados específicos.
2. Evitar contaminação cruzada
- Usar áreas e utensílios separados para o preparo das refeições especiais.
- Limpar bancadas e utensílios com solução clorada a 200 ppm, garantindo a higienização completa.
3. Montar cardápio inclusivo
- Substituir alimentos de forma equilibrada, como trocar o leite por bebida de soja fortificada.
- Calcular o custo mantendo o valor nutricional exigido pelo PNAE.
4. Agir em emergências
- Reconhecer sinais precoces de anafilaxia.
- Aplicar adrenalina autoinjetável e acionar o 192 em até cinco minutos.
Formatos de curso que funcionam
Combinar oficinas presenciais de 8 horas com módulos on-line aumentou o conhecimento em 35% em escolas do interior paulista. Aulas práticas, nas quais as merendeiras testam e adaptam receitas, reduzem a resistência às mudanças.
Plataformas digitais ajudam a atualizar conteúdos rapidamente sempre que há mudanças nas leis ou nas orientações do FNDE e da ANVISA.
Barreiras e soluções
- Custo de deslocamento: parcerias com universidades locais e uso de verbas do PNAE cobrem transporte e materiais.
- Alta rotatividade de funcionários: vídeo-aulas obrigatórias na admissão e checklists diários na cozinha mantêm a padronização.
- Rotina corrida: aplicativos gratuitos de checklist enviam relatórios mensais automáticos para a nutricionista responsável.
Caminho para uma cultura inclusiva
A formação deve estar prevista no Projeto Político-Pedagógico da escola. Estabelecer metas no plano de gestão, prever recursos para utensílios exclusivos e incluir o tema em eventos escolares — como festas juninas sem alergênicos — fortalece a cultura de cuidado e igualdade.
Quando a segurança alimentar entra no planejamento pedagógico, a alimentação vira ferramenta de inclusão e cidadania.
Conclusão

Quando merendeiras, professores e gestores sabem o que fazer, a refeição deixa de ser risco e se torna um momento de convivência e aprendizado. Invista em capacitação contínua e veja sua escola florescer com segurança, acolhimento e saúde.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos: crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Brasil. Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Resolução FNDE nº 6, de 8 de maio de 2020. Diário Oficial da União. Brasília; 2020.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação – Alergia Alimentar. 3ª ed. Rio de Janeiro; 2022.
- Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar. São Paulo; 2021.
- Melo LC, Lopes RL, Martins CM. Capacitação de merendeiras escolares para prevenção de alergias alimentares: estudo multicêntrico. Rev Saúde Pública. 2021;55:e19.
- Silva AR, Costa MK, Gonçalves FP. Efetividade de treinamentos de primeiros socorros em reações anafiláticas em escolas públicas. Cad Saúde Colet. 2020;28(3):345-357.
- World Health Organization. Food safety: Guidance for schools. Geneva: WHO; 2019.
- United States Department of Agriculture. Making It Happen! School Nutrition Success Stories. Washington, DC: USDA; 2018.
- UNESCO. Inclusive School Feeding Programmes: Global Guidelines. Paris; 2021.