O que acontece quando os colegas entendem a doença em vez de temê-la
A empatia nasce da informação: quando a escola fala abertamente sobre doenças crônicas, o bullying diminui e o respeito cresce entre as crianças.

Você já viu um colega usar inalador ou medir a glicose e alguém rir? Infelizmente isso ainda acontece. Mas a boa notícia é que existe um caminho simples para mudar essa história: ensinar empatia e inclusão na própria sala de aula. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos como programas curtos e divertidos diminuem o bullying e fazem cada aluno se sentir parte do grupo.
Por que falar de saúde na sala de aula
Quando a turma entende o que é diabetes, asma ou epilepsia, o medo vira cuidado. Estudos mostram que, após algumas semanas de aulas sobre o tema, o número de comportamentos de zombaria diminui de forma significativa.
Três passos para uma escola mais empática
1. Conteúdo claro sobre doenças
• Vídeos curtos e infográficos ajudam a explicar o porquê de uma picada de insulina ou do uso de um inalador. É como comparar o corpo a um carro: a insulina é o combustível que faz o motor funcionar.
• Materiais adequados à idade: livros ilustrados para os pequenos e quizzes ou podcasts para os maiores.
• Alunos como professores: crianças que convivem com a doença podem contar sua rotina, o que aumenta a confiança de todos.
2. Atividades que tocam o coração
• Dramatizações e simulações em que os alunos vivenciam restrições alimentares ou medições de glicose ajudam a se colocar no lugar do outro.
• Círculos de conversa promovem escuta e diálogo, reduzindo expressivamente os casos de bullying.
• Projetos solidários, como arrecadar fundos para ONGs que atendem crianças com doenças crônicas, fortalecem a empatia e o senso de comunidade.
3. Avaliar e manter a mudança
• Questionários anônimos antes e depois das ações ajudam a medir o crescimento da empatia e do conhecimento da turma.
• Formação de professores sobre doenças crônicas e primeiros socorros diminui a ansiedade de toda a equipe escolar.
• Parcerias com postos de saúde reforçam que inclusão e cuidado são responsabilidades de todos.
Perguntas comuns
“Falar de doença não assusta as crianças?”
Quando a linguagem é simples e lúdica, o tema desperta curiosidade, não medo.
“Isso dá muito trabalho?”
Os programas costumam durar apenas uma aula por semana e usam materiais digitais já disponíveis.
Derrubando mitos
• Mito: “Epilepsia é contagiosa.”
Fato: não é contagiosa. A crise é apenas um curto-circuito passageiro no cérebro.
• Mito: “Injeção de insulina dói muito.”
Fato: as agulhas modernas são extremamente finas, e a dor é mínima.
Conclusão

Quando entendemos que cada corpo funciona de um jeito, a diferença vira oportunidade de cooperação. Programas simples de educação em saúde transformam curiosidade em cuidado e reduzem o bullying. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Earnshaw VA, Long CM, Lown EA. School-based stigma and bullying toward youth with chronic illnesses. Journal of Pediatric Psychology. 2020;45(9):1042-1053.
- Cowie H, Myers C. School-based peer education interventions to combat bullying and promote wellbeing.Aggression and Violent Behavior. 2021;58:101507.
- Brasil. Ministério da Educação. Programa Escolas de Saúde: relatório de impacto 2019–2022. Brasília: MEC; 2023.
- Nabors LA, Morgan S, Lehmkuhl HD. Illness education programs in schools: a review of the literature. Child Health Care. 2019;48(1):1-17.
- Espelage DL, Hong JS. School climate, empathy, and bystander behavior: a multilevel analysis. Child Abuse & Neglect. 2019;96:104080.
- Oliveira RA, Martins BG. Estratégias socioemocionais e prevenção do bullying no Brasil: revisão sistemática.Psicologia Escolar e Educacional. 2022;26:e221778.