O que o comportamento tenta dizer quando a criança não consegue falar

Entenda os sinais de sofrimento emocional em crianças com doenças crônicas após o bullying e saiba quando procurar apoio psicológico gratuito ou pelo plano de saúde.

Seu filho tem uma doença crônica e anda mais triste? Ele reclama de dor de barriga antes da escola? Esses podem ser sinais de bullying. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos, em linguagem simples, quando é hora de buscar ajuda profissional e onde encontrar esse cuidado no Brasil. Porque crescer com saúde é mais legal.

Por que ficar de olho nos sinais

Crianças com doenças crônicas podem desenvolver ansiedade e depressão quando sofrem bullying. Ignorar o problema pode piorar a doença, aumentar crises de asma ou desregular a glicemia.

Sinais de alerta mais comuns

• Mudança de humor constante ou irritação exagerada.
• Dores de cabeça ou de barriga sem motivo médico claro.
• Isolamento de amigos e queda nas notas.
• Esquecimento ou recusa de remédios e consultas.
• Frases como “não sirvo para nada” ou “queria sumir”.

Se esses sinais durarem mais de duas semanas, ou se houver falas sobre se machucar ou morrer, procure ajuda imediatamente.

Quando buscar ajuda profissional

Quando o sofrimento atrapalha a rotina ou o tratamento da doença, é hora de agir. Não espere “passar sozinho”. Quanto antes a criança for acolhida, melhor será a recuperação.

Tratamentos que funcionam

Psicoterapia cognitivo-comportamental

Esse tipo de terapia ajuda a trocar pensamentos ruins, como “sou fraco”, por ideias positivas e ensina a responder melhor ao bullying.

Terapia familiar

Pais e irmãos aprendem a se comunicar melhor e a apoiar juntos.

Grupos de apoio

Encontros com outras crianças na mesma situação diminuem o sentimento de solidão e aumentam a autoconfiança.

Intervenção na escola

A equipe escolar, a família e os profissionais de saúde podem criar um plano para monitorar o bullying e ajustar atividades.

Uso de medicamentos

Em casos mais graves de depressão ou ansiedade, o psiquiatra pode indicar remédios, sempre avaliando as outras medicações em uso.

Onde achar atendimento no Brasil

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) e as Unidades Básicas de Saúde oferecem psicólogos sem custo. Procure a secretaria de saúde do seu município.

Planos de saúde

A legislação brasileira garante cobertura para sessões de psicoterapia, inclusive on-line, com indicação médica.

Telessaúde

Plataformas reconhecidas pelo Conselho Federal de Psicologia permitem consultas por vídeo, com o mesmo sigilo e qualidade do atendimento presencial.

ONGs e hospitais de referência

Algumas organizações ligadas a doenças específicas oferecem triagem psicológica gratuita ou de baixo custo. Informe-se na associação de pacientes da sua região.

Dicas para a primeira consulta

• Explique à criança que o profissional vai cuidar dos sentimentos, como o médico cuida do corpo.
• Deixe-a anotar dúvidas ou perguntas.
• Garanta um momento a sós entre a criança e o profissional.
• Reforce que a conversa é sigilosa, salvo em situações de risco.

A importância do acompanhamento contínuo

Mesmo depois que o bullying diminui, avaliações regulares — a cada três meses no primeiro ano e depois a cada seis — ajudam a evitar recaídas. Mudanças de escola ou de fase da vida podem exigir reforço no cuidado.

Buscar ajuda não é sinal de fraqueza. É um gesto de coragem e de amor.

Conclusão

Reconhecer os sinais de sofrimento, procurar ajuda cedo e acompanhar de perto faz toda a diferença. Assim, a criança aprende a lidar melhor com a doença e com as pessoas ao redor. Crescer com saúde é mais legal.


Referências

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