Segurança também é afeto: o que o plano de emergência ensina à escola
Descubra como o plano de emergência escolar vai além da prevenção, criando vínculos de confiança e acolhimento para crianças com doenças crônicas.

Você já pensou como uma criança com asma ou diabetes se sente na sala de aula? Ter um plano de emergência claro e bem explicado faz toda a diferença. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos como esse documento protege, acalma e inclui nossos pequenos.
Por que o plano de emergência é tão importante
O plano funciona como um manual simples que orienta a escola sobre o que fazer quando a criança precisa de ajuda rápida. Ele traz benefícios concretos:
• Dá segurança ao aluno, à família e aos professores.
• Evita pânico, porque todos já sabem como agir.
• Reduz faltas e melhora notas, pois a criança se sente mais confiante.
Impacto emocional: menos medo, mais confiança
Quando o assunto é escondido, a criança pode imaginar que algo muito grave vai acontecer. Conversas abertas e positivas reduzem a ansiedade e fazem com que ela confie mais na equipe escolar.
Use sempre linguagem simples e acolhedora, substituindo termos técnicos por expressões do dia a dia — por exemplo, “se sentir tonto” no lugar de “hipoglicemia”.
Como envolver a criança
• Explique cada passo do plano com figuras e cores.
• Deixe que ela escolha onde guardar seus remédios.
• Eleja colegas padrinhos treinados para ajudar quando necessário.
Estratégias de inclusão na prática
Professor e colegas podem transformar o cuidado em algo leve e educativo:
• Teatro em sala: simular uma crise leve de asma para ensinar o que fazer.
• Cartaz ilustrado: colocar na sala dos professores com os sinais de alerta.
• Roda de conversa trimestral: espaço para dúvidas, com psicólogo convidado.
Essas ações simples reduzem faltas e aumentam a participação das crianças com doenças crônicas.
Autonomia passo a passo

Autonomia é como aprender a andar de bicicleta: começa com rodinhas.
- A criança leva o glicosímetro ou inalador na mochila.
- Aprende a reconhecer sinais de alerta, como cansaço ou falta de ar.
- Recebe elogios cada vez que assume uma tarefa de cuidado.
Superproteção excessiva pode passar a mensagem de que ela “não consegue”. O incentivo certo mostra o contrário: que ela é capaz e responsável.
Canais de escuta e apoio
A escola deve criar espaços onde o aluno possa expressar medos e dúvidas:
• Caixa de sugestões anônimas.
• Grupo de escuta com orientação educacional.
• Atendimento individual quando necessário.
Esses canais fortalecem a confiança e ajudam a melhorar continuamente o plano.
Dúvidas frequentes
“O plano vai expor meu filho?”
Não. O documento é compartilhado de forma restrita, apenas com quem precisa saber.
“E se eu não entender termos médicos?”
Peça explicações em linguagem simples. A escola tem o dever de traduzir tudo.
“Meu filho vai ficar dependente?”
Ao contrário, o plano ensina a criança a cuidar de si mesma com segurança.
Conclusão

Com diálogo, atividades lúdicas e um bom plano de emergência, a criança se sente capaz e protegida. Informação clara derruba barreiras e fortalece a inclusão. Compartilhe este guia com pais, professores e amigos — crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Brasil. Ministério da Educação. Diretrizes para a inclusão de estudantes com condições crônicas na educação básica. Brasília; 2021.
- Brito LP et al. Percepções de alunos com doenças crônicas sobre planos de emergência escolar. Revista de Educação em Saúde. 2020;9(1):45-58.
- Carvalho MN, Melo RA. Educação e saúde: estratégias lúdicas para inclusão de crianças com DCNTs. São Paulo: Editora Cultura Acadêmica; 2019.
- Guimarães M, Araújo J, Lima P. Autonomia infantil no manejo de DCNTs: guia para profissionais de saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2022.
- Oliveira TC. A ansiedade em crianças com doenças crônicas na escola. Psicologia em Revista. 2019;25(3):78-90.
- Paula F, Cavalcanti J. Programas psicopedagógicos e frequência escolar em crianças asmáticas. Jornal Brasileiro de Pneumologia. 2018;44(2):123-129.
- Santos R, Ferreira A. Planos de emergência e saúde escolar: estudo multicêntrico no Brasil. Cadernos de Saúde Pública. 2021;37(4):e00123420.
- World Health Organization. School health and nutrition: global status report. Geneva: WHO; 2020.