Cuidar também é prever: o plano que transforma medo em preparo

Descubra como transformar o medo em ação dentro da escola. Veja como um plano de emergência bem construído protege alunos com doenças crônicas e traz segurança para todos.

Você já pensou como a escola do seu filho reage a uma crise de asma ou hipoglicemia?
Um documento simples, chamado plano de emergência escolar, pode salvar vidas. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos de forma fácil os principais obstáculos enfrentados pelas escolas brasileiras e como superá-los.

O que é o plano de emergência escolar

O plano é um passo a passo que orienta o que fazer quando uma criança com doença crônica passa mal na escola. Ele segue diretrizes do Ministério da Educação e da Lei Brasileira de Inclusão.

Por que sua escola precisa dele

• Crises bem atendidas evitam internações e custos elevados.
• Professores treinados se sentem mais seguros para agir.
• Famílias ficam mais tranquilas e confiantes.

Principais barreiras no Brasil

Resistência cultural e estrutural

Muitos gestores ainda veem o plano como algo “extra” ao currículo. Professores temem “virar médicos”. Além disso, em boa parte das escolas, não há local adequado para guardar medicamentos com segurança.

Falta de recursos? Há soluções baratas

Treinar um aluno custa cerca de R$ 12 por ano e reduz gastos futuros com emergências e processos. Algumas medidas simples:

• Parceria com faculdades de Enfermagem para minicursos aos fins de semana.
• Uso de aplicativos gratuitos que enviam alertas aos pais.
• Transformar um armário comum em mini-farmácia com trava e termômetro.

Questões legais e burocráticas

A Lei Brasileira de Inclusão garante o atendimento, mas não define quem aplica o medicamento. Isso gera medo de processos. O Conselho de Enfermagem, no entanto, autoriza que enfermeiros treinem professores para usar inaladores e kits simples.

Desigualdade regional

Enquanto o socorro chega em poucos minutos nas capitais, em áreas rurais pode demorar mais de 40 minutos. Por isso, algumas escolas adotam rádios da Defesa Civil ou contam com “enfermeiros volantes” que visitam várias unidades.

Caminhos para avançar

  1. Vincular o repasse de verbas a metas de segurança.
  2. Incluir o tema das doenças crônicas na formação de professores.
  3. Criar plataformas on-line para registrar e revisar planos de emergência.
  4. Fazer parcerias com as Secretarias de Saúde para fornecer kits de primeiros socorros sem burocracia.

Como os pais podem ajudar

• Pergunte se a escola tem um plano de emergência escrito.
• Entregue laudo médico atualizado com orientações simples.
• Ofereça participar de reuniões de treinamento.
• Compartilhe este artigo com outros pais e com a direção escolar.

Perguntas frequentes

“Quem pode aplicar um remédio de emergência?”
Professores e cuidadores treinados por um enfermeiro, conforme o Conselho Federal de Enfermagem.

“Minha escola é pequena. Vale a pena?”
Sim. Prevenir custa muito menos do que lidar com uma crise.

“Preciso de uma sala especial?”
Não. Um armário trancado e um plano claro já fazem grande diferença.

Equívocos comuns

• “Só escolas grandes precisam de plano.” – Errado: toda escola deve proteger o aluno.
• “Treinamento é caro.” – Errado: custa pouco e evita emergências mais graves.
• “Só médico pode agir.” – Errado: a lei permite que profissionais treinados prestem os primeiros cuidados.

Conclusão

Fazer um plano de emergência escolar é simples e salva vidas. Com informação, parceria e vontade, qualquer escola pode se tornar um ambiente mais seguro para crianças com doenças crônicas. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. Brasil. Ministério da Educação. Diretrizes gerais da educação inclusiva. Brasília; 2021.
  2. Brasil. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Lei Brasileira de Inclusão. Diário Oficial da União; 7 jul. 2015.
  3. World Health Organization. Global status report on noncommunicable diseases 2021. Geneva; 2021.
  4. Silva AR et al. Implementation of emergency action plans in Brazilian schools: barriers and facilitators. Revista de Saúde Pública. 2021;55:e211.
  5. Feuerstein N, Lima PS. Perceptions of school nurses regarding care of students with chronic conditions. Escola Anna Nery. 2022;26(1):e20220234.
  6. UNICEF. Education and inclusion of children with chronic conditions: a global perspective. New York; 2022.
  7. Gandy G, Luo Q. Cost-benefit analysis of school-based emergency training. Pediatrics. 2021;148(5):e20210512.
  8. Carvalho M, González C. Training school staff for chronic disease emergencies: a systematic review. Journal of School Health. 2022;92(3):219-229.
  9. Brasil. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN nº 564/2017. Diário Oficial da União; 3 abr. 2017.