Do trabalho às pressões estéticas, as barreiras invisíveis ao aleitamento
Entenda os desafios reais que impedem mães de manter o aleitamento e descubra o que pode mudar com políticas públicas e apoio no dia a dia.

Você sabia? Quase metade dos bebês no Brasil deixa de receber só leite materno antes dos seis meses. Aqui no Clube da Saúde Infantil, queremos mudar esse número. Vamos mostrar, de um jeito simples, por que amamentar é tão importante e como driblar os obstáculos do dia a dia.
Por que o leite materno vale ouro
O leite da mãe é como um “escudo” natural. Ele protege contra doenças e ajuda o bebê a crescer forte. Nada se compara a ele, nem mesmo a melhor fórmula.
Barreiras sociais e culturais
Pressão da família e dos amigos
Em algumas comunidades, é comum oferecer chá ou água logo nas primeiras semanas. Essa prática faz o peito produzir menos leite e pode antecipar o desmame.
Publicidade de fórmulas
Frases como “leite ideal para o desenvolvimento” fazem muitas mães acreditarem que a fórmula é igual ao leite materno. Essa mensagem, repetida em propagandas e rótulos, leva ao desmame precoce.
Volta ao trabalho: o grande teste
Licença-maternidade de quatro ou seis meses?
Ficar 180 dias em casa aumenta em 25% o aleitamento exclusivo. Porém, apenas três em cada dez empresas brasileiras oferecem essa extensão.
Espaço para tirar e guardar o leite
Menos de 40% dos locais de trabalho têm uma sala adequada — limpa, reservada e com geladeira — para a mãe retirar o leite. Sem esse apoio, muitas acabam interrompendo a amamentação antes do desejado.
Mitos e notícias falsas

Quase quatro em cada dez posts sobre amamentação nas redes sociais trazem informações erradas. Veja os exemplos mais comuns:
• “Leite fraco.” Não existe leite fraco. Cada mãe produz o leite ideal para o seu bebê.
• “Amamentar estraga o seio.” O corpo muda, mas cuidados simples evitam dor e rachaduras.
Soluções que já funcionam
Ajuda de mãe para mãe
O projeto “Mãe a Mãe”, em Porto Alegre, aumentou o tempo médio de amamentação exclusiva de 3,5 para 5,2 meses. Conversar com quem já passou pela mesma fase faz diferença.
Bancos de Leite Humano
Hospitais com banco de leite têm 50% mais bebês amamentados até o sexto mês. Você pode encontrar o banco mais próximo em rblh.fiocruz.br.
O que você pode fazer hoje
• Peça apoio da família e explique que o bebê não precisa de chá, água ou fórmula.
• No trabalho, converse sobre horário e local para retirar o leite.
• Procure grupos de mães on-line ou no posto de saúde.
• Em caso de dúvida, fale com um profissional da Estratégia Saúde da Família ou acesse o site do Ministério da Saúde.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples salva mamadas! Compartilhe este texto com outras famílias e faça parte da corrente do bem.
Conclusão

Amamentar pode ser desafiador, mas entender os obstáculos ajuda a superá-los. Com apoio da família, do trabalho e de políticas públicas, o peito vence. Lembre-se: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Almeida, S.; Pereira, S. Desinformação sobre amamentação nas redes sociais: um estudo de conteúdo. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 21, n. 3, p. 859–868, 2021.
- Brasil. Ministério da Saúde. II Pesquisa Nacional de Prevalência de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal. Brasília, 2021.
- Brasil. Ministério da Saúde. Empresa Cidadã: balanço de adesão 2019–2022. Brasília, 2022.
- Broll, E.; Martins, G. Fatores que influenciam o desmame precoce no Brasil: revisão integrativa. Revista de Enfermagem, v. 29, e2020, 2020.
- Costa, M.; Venâncio, S. Influência da propaganda de fórmulas infantis nas escolhas maternas: revisão sistemática.Cadernos de Saúde Pública, v. 35, n. 5, e00016119, 2019.
- Costa, M. et al. Estrutura de apoio à amamentação em empresas brasileiras. Saúde em Debate, v. 45, n. 128, p. 1106–1118, 2021.
- Oliveira, L. et al. Avaliação de um programa de apoio entre pares na promoção do aleitamento materno. Revista Paulista de Pediatria, v. 38, e2018271, 2020.
- Ribeiro, L.; Nakano, A. Licença-maternidade de 180 dias e aleitamento exclusivo: estudo em coorte. Revista de Saúde Pública, v. 52, 2018.
- World Health Organization. Marketing of breast-milk substitutes: national implementation of the International Code. Geneva: WHO, 2022.