Do hospital ao trabalho, as leis que protegem o leite materno no Brasil
Saiba quais são as principais leis que protegem a amamentação no Brasil e por que ampliar o apoio às mães é essencial para a saúde infantil.

Você sabia que o Brasil tem leis e programas que ajudam mães a amamentar? Mesmo assim, ainda há desafios. Neste texto curto e direto, o Clube da Saúde Infantil mostra o que já funciona, o que pode melhorar e como cada família pode se beneficiar. Vamos lá?
O que a lei garante para as mães
Desde 1980, o Brasil cria regras para proteger o aleitamento materno. Veja os pontos principais:
Licença-maternidade de até 180 dias
Algumas empresas participam do Programa Empresa Cidadã. Nelas, a licença passa de 120 para 180 dias — o tempo ideal para amamentar exclusivamente por seis meses, como recomenda a OMS.
Pausas e salas de amamentação no trabalho
A Consolidação das Leis do Trabalho garante duas pausas de 30 minutos por dia para amamentar até o bebê completar seis meses. Já a Portaria 1.078/2022 cria as salas de apoio à amamentação: espaços limpos e reservados para retirar e guardar o leite com segurança.
Propaganda de fórmulas sob controle
A NBCAL (Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes) proíbe anúncios enganosos de mamadeiras e leites artificiais. Essa medida evita que mães sejam confundidas por propagandas e ajuda a proteger o aleitamento natural.
Hospitais e postos que ajudam
Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC)
São 326 hospitais onde o parto e o pós-parto estimulam o início da amamentação ainda na primeira hora de vida. Procure o selo Amigo da Criança na maternidade.
Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil
Nas Unidades Básicas de Saúde, equipes treinadas oferecem apoio e orientações simples para mães e pais sobre amamentação e alimentação complementar.
Salas de apoio perto de você
Até 2022, existiam 455 salas de apoio à amamentação em empresas e órgãos públicos. Pergunte se o seu local de trabalho já tem uma!
Bancos de leite humano: nosso tesouro
O Brasil é líder mundial em bancos de leite humano, com 232 bancos e 217 postos de coleta.
Em 2021, as doações ajudaram 216 mil bebês prematuros em todo o país.
Se você tem leite de sobra, doe! Saiba como em rblh.fiocruz.br.
Desafios que ainda existem
• No Norte, apenas 11% das maternidades têm o selo Amigo da Criança, contra 34% no Sudeste.
• Só 37% das mulheres com carteira assinada trabalham em empresas com licença de 180 dias.
• Em 2022, foram registradas 1.115 propagandas irregulares sobre alimentação infantil na internet.
O que cada um pode fazer
Famílias, empresas e governo têm papéis diferentes, mas todos podem ajudar:
• Mães e pais: peçam informações na Unidade Básica de Saúde e participem de grupos de apoio on-line ou presenciais.
• Empresas: aderir ao Programa Empresa Cidadã e criar salas de apoio faz toda a diferença.
• Todos nós: denunciar propagandas enganosas no site da Anvisa.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que compartilhar conhecimento é o primeiro passo para bebês mais fortes e famílias mais felizes.
Conclusão

O Brasil tem boas leis e programas para apoiar a amamentação, mas ainda precisa garantir que cheguem a todas as regiões e empresas. Quando a proteção legal e o apoio prático andam juntos, o leite materno salva vidas. Espalhe essa ideia — crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Brasil. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069, 1990.
- Brasil. Lei nº 11.770, 2008. Cria o Programa Empresa Cidadã.
- Brasil. Consolidação das Leis do Trabalho. Decreto-Lei nº 5.452, 1943.
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 1.078, 2022.
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2.644, 2022.
- Brasil. Ministério da Saúde. Iniciativa Hospital Amigo da Criança: relatório 2023.
- Brasil. Ministério da Saúde. Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil: boletim informativo, 2023.
- Fiocruz. Relatório anual da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, 2022.
- IBGE. Relação Anual de Informações Sociais, 2022.
- Anvisa. Relatório de monitoramento da NBCAL, 2023.
- Carvalho, J. et al. Efeitos da consultoria de lactação na duração do aleitamento materno exclusivo. Cadernos de Saúde Pública, 2022.