O tempo em que o bebê ainda não fala, mas o corpo já aprende tudo

Descubra por que os primeiros 1000 dias são decisivos para a saúde e como alimentação, sono e afeto moldam o metabolismo e a imunidade para o futuro.

Você sabia que grande parte da nossa saúde adulta começa a ser definida ainda na barriga da mamãe? A ciência chama isso de DOHaD, mas aqui vamos falar de forma simples. No Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal. Vamos descobrir juntos como cuidar melhor dos primeiros 1000 dias da criança!

O que é a teoria DOHaD

A sigla vem do inglês e quer dizer “origem desenvolvimentista da saúde e doença”. A ideia é clara: aquilo que acontece na gravidez e nos dois primeiros anos de vida pode ligar ou desligar botões no nosso corpo que aumentam o risco de obesidade, diabetes e doenças do coração.

Por que os primeiros 1000 dias importam

Pense nos primeiros 1000 dias como a fundação de uma casa. Se a base é forte, a casa fica firme por toda a vida. É nesse período que órgãos, hormônios e defesas do corpo se formam. Pequenas mudanças agora podem ter efeitos grandes no futuro.

Como o ambiente muda nossos genes

Nossos genes são como um livro. A epigenética age como um marca-texto que destaca ou apaga trechos do livro sem rasgar páginas. Alimentação, estresse e contato com substâncias tóxicas podem deixar essas marcas para sempre.

Nutrição da mãe

Comer bem na gravidez ajuda a pintar o livro de forma positiva. Dietas muito pobres ou ricas em açúcar podem programar o bebê para guardar mais gordura mais tarde.

Estresse e toxinas

Situações de estresse intenso ou contato com fumaça e agrotóxicos podem escrever notas ruins nesse livro, aumentando o risco de doenças crônicas.

O que isso significa para pais e pediatras

• Pré-natal de qualidade é essencial.
• Incentive a amamentação exclusiva até 6 meses (veja nosso post sobre aleitamento materno).
• Introduza alimentos frescos e variados, evitando ultraprocessados.
• Mantenha o cartão de vacina em dia (consulte o site do Ministério da Saúde).

Com esses cuidados simples, ajudamos a reescrever o destino de doenças crônicas.

Mitos comuns

Mito: “Se o bebê é gordinho agora, será sempre saudável.”
Fato: Ganho de peso muito rápido no primeiro ano aumenta o risco de obesidade futura.

Mito: “Genética é destino.”
Fato: O ambiente pode alterar a forma como os genes se manifestam. Boas escolhas mudam o jogo.

Perguntas frequentes

Preciso de suplementos caros?
Nem sempre. Uma alimentação balanceada e orientação médica costumam ser suficientes.

O pai também influencia?
Sim. Há indícios de que o estilo de vida do pai antes da concepção também conta.

Já passei dos 1000 dias. Ainda dá tempo?
Sempre vale melhorar hábitos. Porém, quanto mais cedo, melhor.

Conclusão

Cuidar da alimentação, do ambiente e do carinho na gravidez e nos primeiros dois anos é como plantar sementes de saúde que duram toda a vida. Aqui no Clube da Saúde Infantil, reforçamos: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Gluckman, P. D.; Hanson, M. A. Developmental origins of health and disease. Cambridge: Cambridge University Press, 2018.
  2. Barouki, R. et al. Developmental origins of non-communicable disease: implications for research and public health.Environmental Health, London, v. 11, p. 42, 2019.
  3. Victora, C. G. et al. Maternal and child undernutrition: consequences for adult health and human capital. Lancet, London, v. 371, p. 340-357, 2018.
  4. Santos, S. et al. Epigenetic modifications and developmental programming in Brazilian children. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 23, e200012, 2020.
  5. Silva, A. A. M. et al. DOHaD research in Brazil: challenges and perspectives. Journal of Developmental Origins of Health and Disease, Cambridge, v. 10, p. 155-158, 2019.
  6. Waterland, R. A. Epigenetic mechanisms affecting long-term health: implications of nutritional influences during development. Current Opinion in Pediatrics, Philadelphia, v. 29, p. 289-295, 2017.