Municípios investem em rastreamento para detectar doenças ainda na infância

Saiba como cidades brasileiras estão adotando programas de rastreamento precoce e conseguindo identificar doenças crônicas em crianças antes dos sintomas.

Você sabia que pesar, medir e checar a pressão da criança duas vezes por ano pode evitar problemas sérios no futuro? Vários municípios do Brasil já fazem isso e colhem ótimos resultados. Neste post do Clube da Saúde Infantil, mostramos exemplos que deram certo e explicamos, em linguagem simples, por que rastrear cedo é tão importante. Vamos lá?

Por que rastrear cedo faz diferença

Quando descobrimos um problema no começo, é mais fácil resolver. É como apagar uma vela antes que vire incêndio. O rastreamento precoce procura sinais de obesidade, pressão alta e outras doenças crônicas não transmissíveis em crianças de 0 a 12 anos.

O que é avaliado

  • Peso e altura (para calcular o IMC).
  • Cintura (medida da barriga).
  • Pressão arterial.
  • Hábitos de alimentação e movimento.

O IMC é a relação entre peso e altura. Pense nele como uma régua que mostra se a criança está dentro do saudável.

Histórias que inspiram

Minas Gerais: programa “Vivendo Saudável”

Três cidades mineiras criaram uma linha de cuidado entre posto de saúde, escola e centro esportivo. Em quatro anos:

  • Excesso de peso caiu de 32% para 24%.
  • Casos de pressão alta diminuíram 38%.

O segredo? Equipe fixa — pediatra, nutricionista, educador físico e psicólogo — e treinamento dos agentes comunitários de saúde.

Sobral (CE): “Alerta 1000 Dias”

Gestantes ganham um passaporte de saúde com dados da mãe e do bebê. Assim, a equipe já sabe quem precisa de atenção extra logo na primeira consulta.

  • 92% dos bebês de risco receberam cuidado nutricional antes dos 6 meses.
  • Apenas 4% ficaram acima do peso aos 2 anos (média estadual é quase três vezes maior).

Curitiba (PR): telepediatria que aproxima

Unidades sem pediatra usam tablets para conversar com o especialista à distância. Em um ano:

  • 8.500 crianças avaliadas.
  • 1.200 encaminhadas para tratamento de obesidade, colesterol alto ou pressão alta.

Tecnologia que encurta caminho e evita filas.

Resultados que vão além dos números

Ana, 5 anos, foi identificada com IMC alto na escola. Depois de dieta simples, brincadeiras e apoio psicológico, o peso voltou ao normal e a gordura no fígado desapareceu.

João, 11 anos, descobriu pressão alta. Bastou reduzir sal e pedalar com o pai nos fins de semana para a pressão baixar em seis meses. O pai também passou a controlar a própria pressão.

Esses casos mostram que cuidar da criança muda toda a família.

Três pilares do sucesso

  1. Vigilância ativa: exames marcados a cada semestre.
  2. Trabalho em equipe: escola, posto de saúde e comunidade juntos.
  3. Tecnologia amiga: telemedicina e prontuário eletrônico.

Dicas fáceis para pais e cuidadores

  • Leve a criança às pesagens e vacinas; aproveite para medir a pressão.
  • Observe sinais de risco: ganho rápido de peso, cansaço fácil, ronco forte.
  • Troque refrigerante por água e suco natural.
  • Reserve 60 minutos por dia para brincar ao ar livre.
  • Converse com o agente de saúde — ele é ponte entre casa e posto.

Dúvidas comuns

“Meu filho é gordinho, mas saudável. Preciso me preocupar?”
Sim. Peso extra na infância pode virar diabetes e pressão alta cedo.

“Pressão alta não é coisa de adulto?”
Não. Crianças também podem ter e, se tratar cedo, evitam remédios mais tarde.

“Teleconsulta funciona?”
Funciona. Enfermeiro e pediatra se falam em tempo real, e a criança recebe cuidado rápido.

Onde buscar ajuda

Procure a unidade básica de saúde mais próxima ou ligue para o Disque Saúde 136 do Ministério da Saúde. Aqui no Clube da Saúde Infantil, temos outros textos sobre obesidade infantil e hipertensão infantil.

Conclusão

Rastrear cedo é como pôr um farol na estrada da vida da criança: mostra obstáculos antes que causem acidente. Com exames simples e trabalho em equipe, peso extra, pressão alta e outras doenças deixam de ser surpresa.

Crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Vilela, M. F.; Souza, C. P.; Dias, R. S. et al. Vivendo Saudável: impacto de programa comunitário sobre indicadores de obesidade infantil em municípios de Minas Gerais. Revista de Saúde Pública, v. 53, p. 65, 2019.
  2. Prefeitura de São João del-Rei. Relatório de avaliação econômica do Programa Vivendo Saudável. São João del-Rei, 2021.
  3. Secretaria Municipal de Saúde de Sobral. Projeto Alerta 1000 Dias: protocolo técnico. Sobral, 2022.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS: indicadores de saúde por município. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br.
  5. Silva, M. A.; Gonçalves, T. R.; Moreira, R. B. et al. Telepediatria no rastreamento de DCNTs: experiência de Curitiba. Cadernos de Saúde Pública, v. 36, n. 4, e00123419, 2020.
  6. Unidade Básica de Saúde Santa Maria. Relatório de acompanhamento de casos de risco metabólico infantil.Petrolina, 2023.
  7. Oliveira, L. D.; Santos, H. F.; Freitas, V. G. et al. Controle pressórico em escolares após intervenção familiar: estudo longitudinal. Jornal de Pediatria, v. 98, n. 5, p. 500-509, 2022.
  8. UNICEF. Indicadores de bem-estar na primeira infância no Brasil. Brasília: UNICEF, 2022.