Do pediatra ao clínico: uma mudança que acompanha o crescimento

Descubra o que muda entre pediatra e clínico geral e veja como essa transição ajuda o adolescente a assumir novas responsabilidades sobre o próprio corpo.

Você ou seu filho está crescendo e surge a dúvida: “É hora de trocar o pediatra por um médico de adulto?”. Neste texto do Clube da Saúde Infantil, explicamos, em linguagem simples, como funciona essa mudança, por que ela é importante e o que esperar de cada tipo de consulta. Vamos juntos?

Por que existe a transição de médico?

O pediatra cuida de bebês, crianças e adolescentes. Já o clínico geral (ou médico de família) cuida de adultos. Quando o corpo e a mente amadurecem, a forma de cuidar também muda. É como trocar a escola infantil pelo ensino médio: novas regras, novos desafios.

Abordagem do cuidado: família x paciente

Pediatria: foco na família

No consultório pediátrico, pais ou responsáveis participam de quase tudo. O pediatra conversa, orienta e avalia o desenvolvimento da criança. As consultas costumam durar mais tempo e incluir observações sobre comportamento e rotina familiar.

Clínica médica: foco no indivíduo

Ao chegar à vida adulta, o próprio paciente vira o centro da conversa. O médico pergunta sobre hábitos, sintomas e histórico sem, necessariamente, ter os pais por perto. A ideia é incentivar autonomia, como quando um jovem aprende a dirigir sem ajuda.

Ambiente do consultório

Consultório de criança tem paredes coloridas, brinquedos e ambiente lúdico para reduzir a ansiedade. Já o espaço de adultos costuma ser mais sóbrio, com cores neutras e clima profissional. Essa mudança ajuda o jovem a entender que sua saúde agora é assunto sério e pessoal.

Registros e documentos

Pediatras anotam detalhes do crescimento, vacinas e marcos do desenvolvimento. Clínicos gerais, por sua vez, focam mais em exames, pressão, colesterol e outras medidas objetivas. É como trocar um álbum de fotos por um boletim de notas: ambos registram progresso, mas de maneiras diferentes.

Formação dos profissionais

A residência de pediatria enfatiza prevenção, vacinação e dinâmica familiar. Já a de clínica médica aprofunda doenças crônicas e múltiplos problemas ao mesmo tempo. Em geral, o pediatra mantém contato próximo com os pais durante a adolescência, enquanto o clínico busca desenvolver autonomia no jovem adulto.

Quando fazer a mudança?

Não existe idade exata, mas a maioria dos especialistas sugere entre 18 e 21 anos. O ideal é conversar com o pediatra e planejar juntos. Muitos consultórios fazem encaminhamento e até marcam a primeira consulta no novo médico para facilitar.

Dúvidas comuns

  • Posso ficar com o pediatra para sempre? O pediatra é formado para cuidar de crianças. Após certa idade, ele pode não estar atualizado em doenças adultas, como hipertensão.
  • E se eu tiver uma doença crônica? O pediatra pode ajudar na transição, enviando relatórios completos ao clínico.
  • Preciso ir sozinho ao médico novo? Não. Você decide. Levar um familiar nas primeiras vezes pode ajudar na adaptação.

Dicas para uma transição tranquila

  1. Converse com seu pediatra sobre o momento certo.
  2. Peça seu histórico médico completo.
  3. Agende a primeira consulta com o clínico quando estiver saudável, para se conhecerem sem pressa.
  4. Anote perguntas antes da consulta. Facilita lembrar de tudo.
  5. Lembre-se: crescer com saúde é mais legal!

Conclusão

Trocar o pediatra pelo clínico geral faz parte do crescimento. Entender as diferenças de abordagem, ambiente e formação ajuda a tornar esse passo mais fácil. Planeje com calma e conte sempre com profissionais de confiança. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara ajuda famílias e jovens a tomar boas decisões. Afinal, crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Diretrizes para transição do cuidado. São Paulo: SBP, 2020.
  2. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Transitions Clinical Report. Pediatrics, v. 142, n. 5, p. e20182587, 2018.
  3. COSTA, M. T.; SILVA, R. B. Diferenças na prática médica entre pediatria e clínica geral. Revista Brasileira de Medicina de Família, v. 14, n. 2, p. 45-52, 2019.
  4. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Manual de Boas Práticas em Transição do Cuidado. Brasília: CFM, 2021.
  5. SANTOS, J. A. et al. Formação médica especializada no Brasil. Revista Médica Brasileira, v. 66, n. 3, p. 123-130, 2020.
  6. INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM SAÚDE. Pesquisa Nacional sobre Práticas Médicas. Rio de Janeiro: IBES, 2021.