Crescer também é mudar de cuidado: a passagem do pediatra ao médico adulto

Descubra como conduzir a transição do cuidado infantil para o adulto de forma acolhedora, mantendo a confiança e o vínculo com a saúde.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que mudar do pediatra para o médico de adulto não precisa ser complicado. Com um bom plano, a família ganha segurança e o jovem continua o tratamento sem pausas. Neste guia, você vai aprender modelos simples e testados que ajudam nessa fase.

O que é a transição do cuidado?

A transição é o momento em que o adolescente deixa o pediatra e passa a ser atendido por um médico de adulto. Pense nisso como passar o bastão em uma corrida: todo mundo corre junto por um tempo para não deixar o bastão cair.

Por que planejar é importante?

Sem planejamento, muitos jovens acabam interrompendo o tratamento nesse período. Quando existe um plano, o risco cai e a saúde agradece.

Modelos que funcionam

Protocolo estruturado

  • Tem regras claras, prazos flexíveis e papéis definidos.
  • Usa formulários iguais para todos e reunião entre equipes.
  • Resulta em maior continuidade de cuidado em hospitais que adotam o método.

Programa gradual com consultas conjuntas

  • Pediatra e médico de adulto atendem juntos por alguns meses.
  • O jovem ganha confiança aos poucos.
  • Apresenta sucesso bem maior do que uma mudança brusca.

Adaptação de modelos internacionais

  • Um exemplo é o programa canadense Got Transition.
  • No Brasil, versões adaptadas aumentaram muito a adesão ao tratamento após a troca de médico.
  • Os ajustes levam em conta cultura, recursos locais e o funcionamento do nosso sistema de saúde.

Passo a passo prático para famílias

  1. Converse cedo com o pediatra, por volta dos 12 anos.
  2. Faça uma lista de dúvidas simples, como “quem renova minhas receitas?”.
  3. Peça um plano escrito com datas e contatos.
  4. Participe de pelo menos duas consultas conjuntas.
  5. Marque retorno com o novo médico três meses depois da troca.

Mitos e dúvidas comuns

Mito: “Posso esperar adoecer para trocar de médico.”
Fato: O ideal é começar quando o jovem está bem, para aprender sem pressa.

Mito: “O novo médico não vai entender meu histórico.”
Fato: O protocolo inclui um resumo médico fácil de ler e trocar.

Quando buscar ajuda extra?

  • Se o jovem tem doença crônica e usa remédios contínuos.
  • Se a família se sente insegura mesmo após o plano.
  • Se há sinais de abandono, como faltas às consultas.

Conclusão

Planejar a troca do pediatra para o médico de adulto é como preparar uma viagem: checar documentos, arrumar malas e sair sem pressa. Com protocolos estruturados, consultas conjuntas e modelos já testados, a caminhada fica leve e segura. Lembre: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. PETERS, A. et al. Transition of care for adolescents from paediatric services to adult health services. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2020, 4: CD009794.
  2. SILVA, M. R.; SANTOS, J. P. Protocolos de transição em saúde do adolescente: experiência brasileira. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, 2021, 16(43): 2876.
  3. THOMPSON, K. et al. Implementing transition: Ready Steady Go. Archives of Disease in Childhood Education & Practice Edition, 2019, 104: 270-272.
  4. COSTA, R. F. et al. Adaptação transcultural de programas de transição médica: desafios e soluções. Jornal de Pediatria, 2022, 98: 102-109.