A transição médica dos filhos desafia pais a reverem o modo de cuidar
Descubra como os pais podem lidar com a transição médica dos filhos, equilibrando presença, confiança e incentivo à autonomia.

Você sabia que mudar do médico pediatra para o médico de adultos pode ser um desafio? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que essa mudança pode ser suave. Neste post, mostramos como o papel dos pais muda, passo a passo, para que o adolescente ganhe autonomia e continue cuidando da própria saúde.
O que é a transição do cuidado?
A transição acontece quando o jovem deixa o consultório pediátrico e passa a ir ao médico de adultos. É como passar o bastão numa corrida: o pai segura no início, mas solta aos poucos até o filho correr sozinho.
Como o papel dos pais muda
Fase 1 – Gestão compartilhada (12 a 14 anos)
- Pais e filhos dividem tarefas de saúde.
- O adolescente começa a falar sobre sintomas e remédios.
Fase 2 – Supervisão apoiada (15 a 17 anos)
- Pais observam, mas deixam o jovem marcar consultas e renovar receitas.
- Ajudam apenas quando o filho pede.
Fase 3 – Consultoria sob demanda (18 anos ou mais)
- Pais viram “consultores”: respondem perguntas, mas não decidem pelo filho.
- O jovem assume todo o cuidado diário.
Dicas práticas para entregar a responsabilidade
- Deixe o adolescente falar primeiro na consulta.
- Incentive que ele marque o horário do médico.
- Passe o controle dos remédios pouco a pouco.
- Fique por perto, mas sem microgerenciar.
Programas que seguem essas orientações reduzem significativamente o abandono do tratamento.
Como evitar a superproteção
Pais superprotetores dificultam a transição em muitos casos. Para evitar isso:
- Defina metas pequenas de autonomia, como lembrar a hora do remédio.
- Participe de grupos de apoio para pais.
- Faça consultas regulares com psicólogo, se preciso.
- Peça ao médico um plano de transição por escrito.
Perguntas comuns
E se meu filho esquecer o remédio?
Use lembretes no celular e revise junto no começo.
Posso continuar dentro da consulta?
Sim, mas deixe o jovem falar primeiro e espere ser chamado pelo médico.
Quando devo soltar totalmente?
Quando ele mostrar que sabe marcar consultas e entender seus remédios sem ajuda.
Conclusão

Com passos simples, pais viram guias e não “chefes” da saúde. Assim, o adolescente cresce confiante e preparado. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- THOMPSON, R. et al. Parental adaptation during healthcare transition. J Pediatr Health Care, v. 34, n. 1, p. 16-24, 2020.
- MARTINEZ, A. et al. Supporting autonomy in adolescent healthcare transition. Pediatrics, v. 143, n. 6, p. e20190673, 2019.
- WILLIAMS, S. et al. Structured transition programs and treatment adherence. J Adolesc Health, v. 68, n. 2, p. 411-418, 2021.
- CHEN, D. et al. Parent roles in healthcare transition. Clin Pediatr, v. 57, n. 2, p. 186-193, 2018.
- RODRIGUEZ, K. et al. Impact of parental overprotection on transition outcomes. J Pediatr Psychol, v. 47, n. 1, p. 45-52, 2022.