Cuidado que cresce junto: a nova fase dos jovens com doenças crônicas

Entenda como planejar a transição do cuidado em doenças crônicas na adolescência, mantendo o acompanhamento em dia e fortalecendo a confiança do jovem.

Mudar do pediatra para o médico de adultos é como trocar de escola: tudo é novo e dá um frio na barriga. Para quem tem diabetes, asma ou epilepsia, o cuidado precisa continuar firme. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que essa passagem pode ser leve, segura e sem sustos. Vamos mostrar passo a passo como fazer.

Por que a transição merece atenção?

Muitos jovens com doenças crônicas acabam esquecendo exames ou remédios nos primeiros anos após trocar de serviço. A rotina muda, a família dá mais espaço e o jovem ainda está aprendendo a decidir por conta própria. Sem um plano, o controle da doença pode piorar.

Riscos quando o jovem muda de médico

Diabetes tipo 1

É comum o aumento dos níveis de açúcar no sangue e o risco de complicações logo após a mudança. Por isso, o acompanhamento frequente é essencial.

Asma

Podem crescer as idas ao pronto-socorro, principalmente quando o jovem não sabe usar corretamente o inalador ou não segue o plano de ação.

Epilepsia

O medo de ter crises fora de controle pode gerar insegurança, afetar o trabalho ou o desejo de dirigir. A orientação médica contínua faz diferença.

Por dentro da cabeça do adolescente

O cérebro ainda está em desenvolvimento. A área responsável por planejar e controlar impulsos amadurece apenas por volta dos 25 anos. Isso explica por que seguir horários de remédio ou medir a glicemia pode parecer chato agora, mesmo sendo essencial para o futuro.

Três pilares para uma transição segura

Começar cedo

  • Iniciar a conversa sobre a mudança ainda por volta dos 12 anos.
  • Aos 14, definir metas simples, como aprender a marcar a própria consulta.
  • Fazer a transferência para o serviço adulto entre 18 e 21 anos, conforme o caso.

Plano individual

Cada jovem é único. Um plano personalizado ajuda a verificar se ele já consegue renovar receitas, explicar sintomas e lidar com o convênio. Se ainda houver insegurança, é hora de treinar mais.

Equipe unida

Consultas com o pediatra e o médico de adultos juntos, nos meses que antecedem a troca, trazem segurança. É como passar o bastão numa corrida: ambos correm lado a lado antes do novo atleta seguir sozinho.

Dicas práticas que funcionam

  • Clínica jovem: espaço onde pediatras e especialistas de adultos atendem juntos. Esse formato reduz internações e melhora o controle da doença.
  • Aplicativos e lembretes: ajudam a lembrar horários de remédio e monitorar resultados. Tornam o cuidado mais leve e constante.
  • Pais como consultores: em vez de decidir, orientam e acompanham. O jovem faz primeiro; os pais apoiam depois.
  • Oficinas práticas: ensinam a usar inalador, reconhecer sinais de alerta e entender direitos do paciente.

Equívocos comuns

  • “Posso parar o remédio quando mudar de médico.” — Não! A doença continua; apenas o acompanhamento muda.
  • “A família deve sair de cena de uma vez.” — A saída deve ser gradual, como o pôr do sol: lenta e segura.

Conclusão

Com início precoce, plano certo e equipe unida, a transição deixa de ser um salto no escuro e vira um caminho firme. Assim, o jovem mantém o tratamento, ganha autonomia e confiança. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

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