Coração em crescimento: o que saber sobre pressão alta na puberdade

Veja como o crescimento rápido e os hormônios da puberdade influenciam a pressão arterial e saiba como prevenir riscos ao coração do adolescente.

Você sabia que a pressão do sangue costuma subir um pouquinho na puberdade? Isso é comum, mas precisa ser vigiado. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos em palavras simples quando esse aumento vira problema e como proteger o coração do seu filho.

O que é pressão arterial

A pressão arterial é a força que o sangue faz nas paredes das artérias. Imagine uma mangueira de jardim: quando tapamos a ponta, a água sai com mais força. Com o sangue é parecido — e quando essa força fica alta demais, chamamos de pressão alta ou hipertensão.

Por que a pressão sobe na puberdade

Durante o crescimento rápido do corpo, os hormônios começam a agir de forma intensa e isso pode aumentar a pressão. Os meninos tendem a ter valores um pouco mais altos do que as meninas nessa fase. Esse aumento é geralmente temporário, mas deve ser acompanhado.

Quanto é normal

Cada adolescente tem um valor “normal” de pressão que depende de idade, sexo e altura. Os médicos usam tabelas de percentis para avaliar. Se a pressão fica acima do percentil 95 em mais de uma medição, é sinal de alerta e deve ser investigado.

Como medir em casa

  1. Use um aparelho automático próprio para crianças ou adolescentes.
  2. Peça que o jovem sente e apoie o braço na mesa.
  3. Aguarde cinco minutos em silêncio antes de apertar o botão.
  4. Anote data e valor em um caderno ou aplicativo para acompanhar.

Monitoramento de 24 horas

O médico pode solicitar um exame chamado MAPA, que mede a pressão durante o dia e a noite. Isso ajuda a detectar casos em que a pressão sobe apenas em alguns momentos ou enquanto o adolescente dorme.

Quando tratar

O primeiro passo é mudar hábitos: reduzir o sal, aumentar frutas e verduras e estimular a prática de esportes. Se mesmo assim a pressão continuar alta, o médico pode indicar medicamentos. Durante a puberdade, o corpo muda rápido e as doses precisam ser ajustadas com frequência.

Remédios na medida certa

Adolescentes às vezes precisam de doses diferentes das usadas em crianças menores. Por isso, o acompanhamento médico regular é essencial para garantir segurança e eficácia do tratamento.

Perguntas comuns

Pressão alta dá dor de cabeça?
Pode dar, mas muitas vezes não há sintomas — por isso é importante medir.

Só adultos têm hipertensão?
Não. Adolescentes também podem ter e precisam de acompanhamento.

Posso parar o remédio quando a pressão baixar?
Não. A interrupção deve ser feita apenas com orientação médica.

Equívocos que precisamos esquecer

  • “É normal a pressão subir na puberdade, então não preciso medir.” — É importante medir para saber se está dentro do esperado.
  • “Remédio para pressão é só para idosos.” — Alguns adolescentes precisam, e isso ajuda a proteger o coração.

Dicas rápidas para um coração forte

  • Mexa o corpo pelo menos 60 minutos por dia.
  • Reduza refrigerantes e salgadinhos, que contêm muito sal.
  • Durma bem: de oito a dez horas por noite.
  • Visite o pediatra todo ano para medir a pressão.

Conclusão

A pressão arterial pode subir na puberdade, mas com medição correta, hábitos saudáveis e acompanhamento médico, o adolescente cresce forte e protegido. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. FLYNN, J. T. et al. Clinical practice guideline for screening and management of high blood pressure in children and adolescents. Pediatrics, v. 140, n. 3, 2017.
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  3. URBINA, E. M. et al. Cardiac and vascular consequences of pre-hypertension in youth. Journal of Clinical Hypertension, v. 13, n. 5, 2011.
  4. STERGIOU, G. S.; BOUBOUCHAIRAOPOULOU, N.; KOLLIAS, A. Accuracy of automated blood pressure measurement in children: evidence, issues, and perspectives. Hypertension, v. 69, n. 6, 2017.
  5. FALKNER, B.; DANIELS, S. R. Summary of the Fourth Report on the diagnosis, evaluation, and treatment of high blood pressure in children and adolescents. Hypertension, v. 44, n. 4, 2004.