Quando o corpo se volta contra si: doenças autoimunes na puberdade

Entenda por que algumas doenças autoimunes surgem ou pioram na puberdade e veja como acompanhar essa fase com atenção, diálogo e cuidado médico.

A puberdade é cheia de mudanças. O corpo cresce rápido, os hormônios “acordam” e muita coisa acontece por dentro. Nesse momento, algumas doenças chamadas autoimunes podem aparecer ou piorar. Neste texto do Clube da Saúde Infantil, vamos explicar, em linguagem simples, o que são essas doenças, por que elas ficam mais comuns na adolescência e como a família pode ajudar.

O que são doenças autoimunes

O sistema imunológico é como um exército que protege o corpo. Em doenças autoimunes, esse exército se confunde e passa a atacar o próprio organismo, causando inflamação e sintomas variados. Entre os exemplos mais conhecidos estão lúpus, artrite idiopática juvenil e tireoidite autoimune.

Por que a puberdade é uma fase especial

Na puberdade, hormônios como estrogênio e testosterona aumentam rapidamente. Eles funcionam como mensagens para as células de defesa. Em quem tem predisposição genética, essa comunicação pode se confundir e elevar o risco de doenças autoimunes.

  • Meninas têm mais risco: após a puberdade, para cada nove meninas com lúpus juvenil há apenas um menino.
  • O corpo muda de tamanho e forma rapidamente, o que também altera a forma como os remédios agem.

Principais doenças que aparecem nesse período

Lúpus eritematoso sistêmico juvenil

Pode atingir pele, rins e coração. Em adolescentes, costuma ser mais intenso do que em adultos.

Artrite idiopática juvenil

Inflama as articulações e pode se manifestar de formas diferentes em cada etapa da puberdade.

Tireoidite autoimune

Afeta a glândula tireoide e pode causar cansaço, ganho de peso e dificuldade de crescimento.

Como o médico acompanha e trata

  1. Consultas regulares, geralmente a cada três meses, para acompanhar peso, altura e estágio de crescimento.
  2. Exames de sangue para avaliar a inflamação e ajustar a medicação.
  3. Mudanças nas doses conforme o adolescente cresce, garantindo eficácia e segurança.

Antecipar as transformações do corpo é fundamental para o sucesso do tratamento.

Dicas para famílias e adolescentes

  • Converse abertamente sobre sintomas como dor, cansaço, febre ou queda de cabelo.
  • Mantenha a carteira de vacinação em dia.
  • Incentive uma alimentação equilibrada e variada.
  • Estimule atividade física leve, como caminhada ou natação.
  • Nunca interrompa o tratamento sem orientação médica.

Quando procurar ajuda

Procure o pediatra ou reumatologista se notar:

  • febre que vai e volta;
  • dores fortes nas articulações ou músculos;
  • manchas na pele que não somem;
  • perda de peso sem explicação;
  • inchaço nos olhos, mãos ou pernas.

Perguntas frequentes

Doenças autoimunes têm cura?
Ainda não, mas o tratamento permite controlar bem os sintomas e prevenir complicações.

Remédios cortam o crescimento?
Quando bem ajustados, não. O médico adapta as doses conforme o crescimento do adolescente.

Meu filho pode praticar esportes?
Sim, com liberação e acompanhamento médico. A atividade física leve faz bem à imunidade e ao humor.

Quebra de mitos

  • “É só uma fase de crescimento.” — Sintomas persistentes precisam de avaliação médica.
  • “Só adultos têm lúpus.” — Crianças e adolescentes também podem ter, e quanto antes o diagnóstico, melhor o tratamento.

Conclusão

A puberdade é um momento único e cheio de transformações. Entender como as doenças autoimunes agem nesse período ajuda a buscar ajuda cedo e melhora a qualidade de vida. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples faz a diferença. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

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