Hormônios em conflito: o desafio da epilepsia na puberdade
Descubra como a puberdade interfere na epilepsia e veja a importância de revisar doses e medicamentos com acompanhamento profissional.

Os anos da puberdade trazem muitas mudanças no corpo — e no cérebro também! Para quem vive com epilepsia, esses hormônios novos podem aumentar ou diminuir as crises. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos de forma simples como entender essas mudanças e quando é hora de revisar a dose dos remédios.
O que muda no corpo durante a puberdade
A puberdade é como acender várias luzes de uma vez. Hormônios como estrogênio, progesterona e testosterona sobem rapidamente e podem influenciar o funcionamento do cérebro. Essas substâncias interferem na “eletricidade” cerebral e podem tornar as crises mais fortes ou mais fracas.
Hormônios e crises: o “puxar e empurrar”
- O estrogênio funciona como um acelerador das células nervosas e pode aumentar a frequência das crises, principalmente nas meninas.
- A progesterona age como um freio, ajudando a reduzir as crises.
- Nos meninos, o aumento gradual da testosterona pode ter efeito protetor, diminuindo as crises tônico-clônicas.
Por que o remédio precisa de ajuste
Durante a puberdade, o corpo cresce rápido, o metabolismo acelera e o fígado passa a eliminar os medicamentos com mais eficiência. Isso faz com que o nível de alguns anticonvulsivantes no sangue caia até 30%, exigindo ajustes de dose.
Por exemplo, o valproato costuma precisar de aumento progressivo conforme o adolescente ganha peso e altura.
Como acompanhar
- Pese e meça o adolescente a cada três meses.
- Peça exames de sangue para verificar o nível do medicamento.
- Ajustes pequenos e regulares mantêm o tratamento eficaz e seguro.
Menstruação e epilepsia catamenial

Algumas meninas têm mais crises nos dias próximos à menstruação — é a chamada epilepsia catamenial.
Nesses casos, o médico pode indicar:
- uso temporário de progesterona em cápsulas nos dias de maior risco;
- reforço de medicamentos de ação rápida durante o ciclo.
Registrar as crises em um aplicativo ajuda a perceber padrões e facilitar os ajustes.
Anticoncepcional oral: atenção às interações
Certos anticonvulsivantes, como carbamazepina e fenitoína, podem reduzir a eficácia da pílula anticoncepcional. Já a pílula pode diminuir o nível de lamotrigina, aumentando o risco de crises.
Por isso, é importante conversar com o médico sobre alternativas seguras, como métodos combinados ou troca do anticonvulsivante. O uso de camisinha continua essencial para proteção dupla.
Ossos fortes: vitamina D, cálcio e ácido fólico
O uso prolongado de medicamentos como valproato e fenobarbital pode afetar a saúde óssea em fase de crescimento rápido.
- Avalie a densidade dos ossos periodicamente.
- Suplemente vitamina D e cálcio conforme recomendação médica.
- Para meninas que possam engravidar no futuro, o ácido fólico é essencial: tomar a dose adequada antes da menstruação regular ajuda a prevenir malformações caso ocorra gravidez.
Planejando a passagem para a vida adulta
Entre os 14 e os 18 anos, o adolescente pode começar a participar mais do próprio cuidado.
- Anotar as crises e horários dos medicamentos.
- Aprender a reconhecer sinais de alerta.
- Conversar com o neurologista sobre transição para o serviço adulto.
Esse envolvimento aumenta a autonomia e reduz esquecimentos, garantindo mais segurança no tratamento.
Conclusão

A puberdade muda o corpo, a mente e também o controle da epilepsia. Ajustar doses, observar os hormônios e cuidar da saúde óssea são atitudes simples que fazem grande diferença. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara ajuda famílias a tomar decisões seguras. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
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