O adolescente no centro: por que o cuidado é uma tarefa de muitos

Entenda por que o cuidado com o adolescente deve ser compartilhado entre diferentes profissionais e veja como essa integração melhora os resultados.

Você tem um filho ou filha vivendo com asma, diabetes ou outra doença crônica? A boa notícia é que organizar um time de saúde que trabalha junto faz toda a diferença. Estudos mostram menos atrasos em consultas e mais controle da doença quando os especialistas atuam de forma integrada. Aqui no Clube da Saúde Infantil, explicamos como funciona essa equipe multidisciplinar e por que ela ajuda tanto na fase da puberdade.

O que é uma equipe multidisciplinar

Pense em um time de futebol. Cada jogador tem uma função, mas todos buscam o mesmo gol. Na saúde é igual: médicos, nutricionistas, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais atuam com metas compartilhadas para garantir o bem-estar do adolescente.

A equipe costuma incluir:

  • médico da especialidade principal (por exemplo, endocrinologista para diabetes);
  • médico de Medicina do Adolescente;
  • enfermeiro educador;
  • nutricionista;
  • psicólogo;
  • assistente social.

Alguns serviços ainda contam com farmacêutico clínico para revisar interações entre medicamentos.

Por que reunir especialistas no mesmo lugar

Quando o jovem precisa repetir sua história a cada consulta, o cansaço aumenta e a adesão cai. Com o atendimento integrado:

  • há menos repetições, pois todos acessam o mesmo prontuário digital;
  • melhora o controle da doença, com resultados mais estáveis;
  • diminuem as emergências, especialmente em casos de asma e diabetes.

Passo a passo do atendimento integrado

  1. Triagem rápida – perguntas padronizadas para todos os pacientes.
  2. Reunião de equipe – os casos são discutidos em conjunto, definindo prioridades.
  3. Plano único – a família recebe orientações claras e combinadas.
  4. Monitoramento on-line – mensagens ou videochamadas a cada 15 dias mantêm o vínculo.
  5. Revisão presencial – pelo menos a cada três meses.

Em algumas clínicas, aplicativos com painéis coloridos ajudam jovens hipertensos a monitorar a pressão e entender seu progresso.

Quem faz parte da equipe mínima

Não existe tamanho único, mas diretrizes nacionais recomendam pelo menos médico, enfermeiro, nutricionista e psicólogo. O profissional de psicologia é essencial: a puberdade é cheia de dúvidas e o risco de abandonar o tratamento aumenta sem apoio emocional.

Como planejar a transição para o serviço adulto

A preparação deve começar por volta dos 12 anos. Boas práticas incluem:

  • Passaporte Adolescente – arquivo digital com metas, remédios e exames.
  • Consultas conjuntas – pediatra e médico de adultos atendem juntos para garantir continuidade.
  • Carta-síntegra – resumo simples que evita perda de informações entre serviços.

Programas que adotaram essas estratégias aumentaram significativamente o comparecimento à primeira consulta no serviço adulto.

Dicas para famílias e escolas

  • Mantenha uma lista de remédios e horários visível em casa.
  • Combine pequenas metas: por exemplo, lembrar o inalador antes da aula de educação física.
  • Peça ajuda à escola: reuniões virtuais entre pais e equipe de saúde reduzem faltas às aulas.
  • Use linguagem simples: em vez de “hiperglicemia”, diga “açúcar alto no sangue”.

Conclusão

Quando especialistas trabalham como um time, o jovem sente-se seguro, entende melhor o tratamento e evita complicações. Famílias, escolas e profissionais ganham tempo, confiança e tranquilidade. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!


Referências

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