Escola em tempo seco: o cuidado com a respiração também faz parte da lição
Ventilação, hidratação e pausas ao ar livre ajudam a reduzir o impacto do tempo seco nas escolas. Veja como tornar o ambiente mais saudável.

Ar seco pode virar um grande inimigo dentro da escola. Quando a umidade do ar cai, nariz e pulmão sofrem — e as faltas aumentam. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos passos fáceis para manter o ar mais saudável. Vamos juntos?
O que é baixa umidade e por que ela faz mal
Quando a umidade do ar fica abaixo de 30%, o corpo perde água para o ambiente. O nariz resseca e deixa de filtrar germes e poeira com eficiência. As crianças respiram mais vezes por minuto e puxam o dobro de ar por quilo de peso que um adulto, por isso sentem os efeitos do ar seco mais rápido.
Principais sinais de alerta
- Nariz entupido ou sangrando.
- Tosse seca, principalmente à noite.
- Crises de asma ou chiado.
- Olhos ardendo ou lacrimejando.
Desafios dentro da sala de aula
Sala cheia e pouca ventilação
Salas lotadas acumulam calor e poeira. Cortinas, tapetes e brinquedos de pelúcia retêm sujeira invisível. Quando alguém varre o chão, a poeira sobe como uma nuvem e irrita as vias respiratórias.
Poeira no caminho da escola
Muitos alunos chegam em ônibus antigos ou passam por rotas próximas a queimadas e rodovias. Assim, a exposição ao ar seco e poluído começa antes mesmo da aula.
Soluções rápidas e baratas
Pausar esportes ao ar livre
Se a umidade estiver abaixo de 30% ou o índice de qualidade do ar for ruim, é indicado suspender atividades físicas externas e substituir por alongamentos ou brincadeiras em áreas cobertas.
Purificador de ar
Um aparelho com filtro HEPA ajuda a reduzir a poeira fina e melhora a qualidade do ar. Se não for possível equipar todas as salas, vale priorizar aquelas que recebem crianças com asma ou alergias.
Umidificador ou truque da toalha úmida
O umidificador ultrassônico mantém a umidade entre 40% e 50%. Sem o aparelho, baldes com água ou toalhas molhadas sobre cadeiras podem aumentar levemente a umidade do ar — e ainda render uma boa aula prática de ciências.
Limpeza que não levanta poeira
- Usar aspirador com filtro de alta eficiência.
- Passar pano úmido, nunca vassoura seca.
- Lavar brinquedos de pelúcia com frequência.
Ar-condicionado: limpar é tão importante quanto ligar
Filtros de ar-condicionado precisam de manutenção mensal. Escolas que seguem essa regra reduzem significativamente fungos e partículas no ar das salas.
Todos juntos: professor, família e aluno

Professor preparado
Professores podem receber treinamento rápido para identificar sinais de chiado ou dificuldade para respirar. Ter um plano de ação visível na sala, com orientações sobre o uso do inalador, ajuda a agir rápido em emergências.
Família engajada
Pais devem manter vacinas em dia e entregar à escola o plano escrito de manejo da asma, quando houver. Essa simples medida ajuda a equipe a responder corretamente diante de uma crise.
Aluno investigador
As crianças podem medir temperatura e umidade nas aulas de ciências, aprendendo na prática por que beber água e manter o nariz limpo ajuda a respirar melhor.
Perguntas que sempre surgem
“Um balde com água resolve?”
Ajuda, mas não substitui o umidificador. Pense nele como um reforço temporário.
“Posso usar vassoura se for rápido?”
Não. Mesmo uma varrida rápida levanta poeira. Prefira sempre o pano úmido.
“Ar-condicionado resseca o ar?”
O aparelho em si não reduz a umidade, mas pode espalhar fungos e poeira se o filtro não estiver limpo.
Checklist rápido para a escola
- Umidade entre 40% e 50%.
- Limpeza com aspirador e pano úmido.
- Pausa em esportes externos quando o ar estiver muito seco.
- Filtros de ar-condicionado limpos todos os meses.
- Plano de emergência para asma visível na sala.
Conclusão

O ar seco não precisa ser vilão. Com ações simples — balde com água, filtro limpo e atenção redobrada — a sala de aula pode continuar sendo um ambiente seguro para aprender e brincar.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia prático de doenças respiratórias em escolares. 3ª ed. Rio de Janeiro: SBP; 2022.
- Brasil. Ministério da Saúde. Doenças respiratórias crônicas em crianças: guia de manejo. Brasília: Ministério da Saúde; 2021.
- Instituto Nacional de Meteorologia. Boletim climático anual 2022. Brasília: INMET; 2023.
- Organização Mundial da Saúde. WHO guidelines on indoor air quality: dampness and mould. Geneva: World Health Organization; 2021.
- Silva C; Oliveira M. Absenteísmo escolar e problemas respiratórios em regiões semiáridas. Revista de Saúde Pública. 2021;55:e78.
- Fundação Oswaldo Cruz. Queimadas, poluição e saúde infantil: relatório técnico. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2022.
- Gonçalves L; Soares P; Menezes A. Eficácia de purificadores de ar em creches durante períodos de baixa umidade.Cadernos de Saúde Coletiva. 2021;29(4):489-498.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Qualidade do ar em ambientes climatizados de uso público. RDC nº 9, de 16 de janeiro de 2003. Diário Oficial da União; 17 jan. 2003.