Do mapa do clima ao cotidiano das creches, a luta contra o ar seco
O tempo seco acende alertas em todo o país e aumenta crises respiratórias infantis. Veja como governos, escolas e pais podem agir juntos.

Você já sentiu o ar seco arranhar a garganta? Para as crianças, esse desconforto pode virar uma crise de tosse ou falta de ar. Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos mostrar como os alertas de baixa umidade funcionam no Brasil e o que famílias, escolas e governos fazem — ou ainda precisam fazer — para proteger nossos pequenos.
Por que a umidade baixa faz mal às crianças
Quando o ar fica seco, abaixo de 30%, o corpo perde água mais rápido. É como deixar um pano molhado no sol: ele seca depressa. Nas crianças, esse “ressecamento” pode causar irritação no nariz e na garganta, aumentar crises de asma e alergias e elevar o risco de infecções respiratórias.
Crianças pequenas respiram mais vezes por minuto que os adultos, por isso sentem os efeitos nocivos com mais intensidade.
Como funcionam os alertas de umidade no Brasil
O Instituto Nacional de Meteorologia e o Centro Nacional de Monitoramento de Desastres utilizam uma ampla rede de estações para medir o ar em tempo real. Quando a umidade cai abaixo de 30%, é emitido um aviso de “umidade relativa crítica” — um sinal de alerta para escolas, famílias e profissionais de saúde.
Em algumas regiões, especialmente no Semiárido, ainda faltam medidores em funcionamento, o que dificulta o envio dos alertas e deixa muitas comunidades sem informação.
Exemplo que deu certo
No Paraná, um aplicativo desenvolvido pelo sistema de saúde estadual envia mensagens de alerta diretamente aos pais e cuidadores. Com a ajuda dessa ferramenta, foi possível reduzir as internações infantis por asma e problemas respiratórios durante o inverno seco. Um simples aviso, recebido na hora certa, pode evitar uma ida ao hospital.
Dicas rápidas para casa e escola

Quando receber um alerta de ar seco, siga estes passos:
- Ofereça água a cada hora — garrafinha sempre por perto.
- Evite atividades físicas intensas ao ar livre.
- Mantenha o ambiente arejado e use pano úmido ou balde com água no quarto à noite.
- Em crianças asmáticas, siga o plano de medicação preventiva.
Algumas redes municipais já adotam protocolos que suspendem aulas de educação física quando a umidade cai abaixo de 25%. Vale confirmar se a escola do seu filho tem essa prática.
Hospitais e equipamentos: o ar também precisa de “remédio”
Nos últimos anos, hospitais de várias regiões do país receberam purificadores e umidificadores para unidades pediátricas. Esses equipamentos ajudam a reduzir a poeira e a manter o ar mais úmido, diminuindo crises respiratórias e tempo de internação.
Mas atenção: eles exigem limpeza e manutenção regulares — caso contrário, podem se transformar em foco de fungos e bactérias.
O que falta melhorar
- Mais monitoramento: ampliar a rede de estações no Norte e no Semiárido.
- Meta infantil: criar um índice de vulnerabilidade à seca para orientar políticas públicas.
- Integração: aproximar saúde, educação e defesa civil para respostas mais rápidas.
- Conectividade: garantir que os alertas cheguem a todos, inclusive em áreas sem internet, com alternativas de rádio e comunicação comunitária.
Teleconsulta: médico na tela, alívio em casa
Serviços de telessaúde têm se mostrado grandes aliados em períodos de seca. As consultas virtuais ajudam famílias a receber orientações rápidas e evitam a superlotação dos hospitais.
O próximo passo, segundo especialistas, é permitir que as receitas eletrônicas cheguem diretamente às farmácias populares.
Como você pode ajudar
- Cadastre seu número nos serviços de SMS da defesa civil local.
- Compartilhe os alertas com vizinhos e grupos de escola.
- Cobre a instalação de medidores de umidade e protocolos em escolas e creches.
- Participe de reuniões e audiências públicas sobre leis e programas de ar limpo nas cidades.
A voz das famílias tem poder: políticas fortes nascem da soma de ciência, cuidado e participação comunitária.
Conclusão

Quando o ar fica seco, agir rápido é essencial. Alertas bem divulgados, escolas preparadas e hospitais equipados salvam vidas e evitam crises respiratórias.
Com colaboração entre governo, profissionais de saúde e famílias, garantimos que nossas crianças cresçam com mais segurança — porque crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Anatel. Relatório de acesso à internet no Brasil. Brasília; 2023.
- Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 1.420, de 24 de maio de 2021. Diário Oficial da União; 2021.
- Brasil. Instituto Nacional de Meteorologia. Relatório anual de monitoramento climático. Brasília: INMET; 2022.
- Cemaden. Relatório técnico: cobertura de estações no Semiárido. São José dos Campos: Cemaden; 2023.
- Fiocruz. Indicadores de governança climática em municípios brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2022.
- FNS. Prestação de contas 2022. Brasília: Fundo Nacional de Saúde; 2022.
- IPEA. Custo-efetividade de intervenções em qualidade do ar em hospitais. Brasília; 2023.
- MMA. Plano nacional de adaptação à mudança do clima: revisão 2022. Brasília: Ministério do Meio Ambiente; 2022.
- Observatório do Clima. Protocolos de qualidade do ar em instituições de ensino. São Paulo; 2023.
- SBP. Relatório de manutenção de equipamentos de controle de umidade em UTIs. São Paulo: Sociedade Brasileira de Pneumologia; 2022.
- SESA/PR. Avaliação do aplicativo “Na Seca Não”. Curitiba: Secretaria de Estado da Saúde do Paraná; 2022.
- TelessaúdeRS. Relatório de atendimento 2022. Porto Alegre; 2023.