Especialistas alertam: ar seco e queimadas colocam crianças em risco
A combinação de ar seco e fumaça agrava doenças respiratórias e aumenta internações de crianças. Entenda os riscos e aprenda a se prevenir.

Quando o tempo fica parado e cheira a terra queimada, muitas famílias já sabem: vem crise respiratória por aí. No Clube da Saúde Infantil, vamos mostrar de forma simples como o ar seco e a fumaça das queimadas afetam a saúde das crianças e, principalmente, o que você pode fazer hoje para proteger quem você ama.
Por que o ar seco faz mal
Pense no muco do nariz e dos pulmões como um gel que segura sujeira e micróbios. Quando o ar fica muito seco — com menos de 30% de umidade — esse gel endurece, perde a função e deixa o caminho livre para poeira e vírus entrarem. O resultado é tosse, chiado, irritação e falta de ar. Quanto menor a criança, maior o impacto.
Quem sofre mais
- Crianças com asma ou bronquite.
- Bebês prematuros.
- Crianças com doenças respiratórias crônicas.
- Famílias que moram próximas a queimadas ou áreas com muita poeira.
Sinais de alerta em casa
Fique atento se a criança apresentar:
- Tosse forte e persistente.
- Chiado no peito.
- Respiração rápida ou cansada.
- Nariz e garganta muito secos ou com sangramento.
Esses sintomas indicam que o ar pode estar irritando as vias respiratórias e exigem atenção médica se persistirem.
Sete passos simples para proteger seu filho

- Ofereça água várias vezes ao dia: manter a hidratação é o melhor jeito de proteger os pulmões.
- Umidifique o quarto: use bacia com água, toalha molhada ou umidificador.
- Lave o nariz: o soro fisiológico ajuda a limpar e hidratar as vias respiratórias.
- Mantenha o tratamento diário: se seu filho usa medicamentos de controle, siga as orientações médicas mesmo sem crise.
- Feche janelas quando houver fumaça: vedar com pano úmido ou fita adesiva ajuda a segurar a fuligem.
- Acompanhe a umidade do ar: aplicativos gratuitos avisam quando o nível cai demais.
- Evite atividades ao ar livre em dias secos: escolas e famílias podem adaptar a rotina nesses períodos.
Histórias que ensinam
Em Petrolina, uma mãe criou um “kit seca” com água, bombinha e soro para a filha de seis anos, que tem asma. Em Cuiabá, uma família com um menino de nove anos e fibrose cística notou que as crises aumentavam nos dias de fumaça intensa. Com pequenas adaptações, como fechar janelas e usar toalhas molhadas, conseguiram reduzir as idas ao pronto-socorro.
Redes de apoio que funcionam
- Nebulização Solidária: estações públicas de inalação que ajudam a aliviar crises e reduzem internações infantis.
- Distribuição de soro nas escolas: medida simples que reduz sangramento nasal e infecções.
- Grupos comunitários: mensagens rápidas entre vizinhos para avisar sobre picos de fumaça e combinar caronas até o posto de saúde.
Quando buscar ajuda médica
Procure o pronto-socorro se a criança:
- Tiver dificuldade para respirar ou falar.
- Ficar com lábios ou unhas arroxeados.
- Usar muita força para respirar (costelas marcadas).
- Precisar da bombinha mais de três vezes em uma hora.
Nessas situações, o atendimento deve ser imediato.
Desmistificando ideias comuns
Mito: “Se a crise passou, posso parar o remédio.”
Fato: O tratamento contínuo reduz o risco de novas crises e hospitalizações.
Mito: “Bacia com água não ajuda.”
Fato: Qualquer fonte de vapor aumenta um pouco a umidade e já melhora o conforto respiratório.
Conclusão

O ar seco e a fumaça podem parecer invisíveis, mas causam grandes problemas aos pulmões das crianças. Com medidas simples e a força da comunidade, fica mais fácil vencer esse inimigo.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara salva vidas. Compartilhe este conteúdo com outras famílias e lembre-se: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Soares RM, et al. Revista de Saúde Coletiva. 2023.
- Instituto Nacional de Meteorologia. Boletim climatológico anual. 2023.
- Felix G; Barros LC. Jornal de Pediatria. 2023.
- Hospital Universitário de Petrolina. Relatório anual. 2023.
- Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá. Indicadores 2019–2023.
- Rocha A. Depoimentos de famílias. 2024.
- Moraes FR, et al. Cadernos de Saúde Pública. 2023.
- Lopes JT; Figueiredo MR. Revista Paulista de Pediatria. 2023.
- Santos A. Tese (UnB). 2023.
- Secretaria de Saúde do DF. Programa Nebulização Solidária. 2023.
- Secretaria de Saúde do MS. Projeto Salina na Escola. 2023.
- Corrêa PR; Silva NA. Revista Brasileira de Enfermagem. 2023.
- Oliveira SE. Revista Antropologia & Saúde. 2024.
- Sociedade Brasileira de Pneumologia. Diretrizes para asma. 2023.