As marcas invisíveis da desnutrição: o impacto no metabolismo e nas doenças futuras
Descubra como a desnutrição infantil afeta o corpo de forma duradoura e por que a prevenção precoce é essencial para evitar diabetes e problemas cardíacos.

Você sabia que a falta de comida na infância mexe com o corpo para sempre? Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos mostrar, de forma simples, como a desnutrição “ensina” o organismo a economizar energia, aumenta o risco de doenças crônicas e o que fazer para proteger as crianças.
O que é programação metabólica?
Quando o bebê ou a criança pequena passa fome, o corpo entra em modo “economia de energia”. É como se guardasse cada gota de combustível para tempos difíceis. Esse processo chama-se programação metabólica.
Fenótipo poupador: corpo em modo economia
No chamado fenótipo poupador, o organismo aprende a gastar pouco e a guardar gordura. Se, mais tarde, a criança vive em um ambiente com muita comida, esse “programa antigo” vira problema e pode causar excesso de peso, diabetes e pressão alta.
Desnutrição hoje, doenças amanhã
Estudos mostram que crianças desnutridas alteram para sempre a forma de usar açúcar e gordura no corpo. Isso aumenta o risco de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardíacas, na vida adulta.
Mudanças que passam para as próximas gerações
A desnutrição também altera pequenos “interruptores” do DNA, chamados marcas epigenéticas. Elas controlam quais genes ligam ou desligam, sem mudar o código genético. Essas marcas podem ser transmitidas aos filhos, mantendo o risco de doenças por gerações.
Recuperação nutricional: nem rápida, nem devagar demais

A velocidade certa do ganho de peso
Oferecer comida de qualidade é essencial, mas a recuperação precisa ser gradual. Ganho de peso muito rápido logo após a fome pode reforçar o fenótipo poupador. Profissionais de saúde recomendam seguir o ritmo indicado pelos guias do Ministério da Saúde.
O que os pais podem fazer?
- Garantir alimentação variada e equilibrada desde a gravidez.
- Acompanhar o crescimento com o pediatra ou nutricionista.
- Evitar “engordar de uma vez” após um período de fome.
- Buscar programas de apoio, como nossos Guias de Nutrição.
Dúvidas frequentes
A criança desnutrida precisa comer o máximo possível?
Não. O ideal é ganhar peso de forma constante e monitorada.
Essas mudanças no DNA são permanentes?
As marcas epigenéticas podem durar a vida toda, mas bons hábitos reduzem bastante o risco.
Equívocos comuns
“A desnutrição some quando a criança engorda.” — Na verdade, o corpo já foi programado. É preciso cuidado por toda a vida.
“Só quem é magro fica doente.” — Crianças que engordam rápido após a fome podem parecer saudáveis, mas o risco interno continua alto.
Conclusão

A desnutrição infantil não é apenas falta de comida hoje — ela deixa marcas invisíveis que podem durar gerações. Com informação simples e ações corretas, podemos quebrar esse ciclo. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!
Referências
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- World Health Organization. Guidelines on optimal feeding of low-birth-weight infants in low- and middle-income countries. Geneva: WHO; 2019.