Crescer exige mais que comida: a história que o corpo conta sozinho
Descubra como a desnutrição infantil afeta o corpo e o cérebro e veja por que nutrir também significa acolher, estimular e garantir um desenvolvimento completo.

Você sabia que a alimentação nos primeiros 1.000 dias de vida — do começo da gravidez até os dois anos — pode mudar todo o futuro de uma criança? Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos de forma simples como a desnutrição faz mal ao corpo, à mente e até à economia do país. Vamos entender juntos?
O que é desnutrição infantil
A desnutrição acontece quando o corpo não recebe energia e nutrientes suficientes. É como tentar encher um balão furado: por mais que você sopre, o ar sempre escapa.
Como a desnutrição afeta o cérebro
Menos conexões neurais
Nos primeiros anos, o cérebro forma milhões de “fios elétricos” chamados sinapses. A falta de nutrientes reduz a construção desses fios, deixando o “painel de controle” da criança com menos botões.
Queda no QI
Estudos mostram perda média de até 15 pontos no QI em crianças desnutridas. É como chegar a um jogo com menos peças no tabuleiro: fica mais difícil vencer.
Impactos no crescimento físico
Baixa estatura (stunting)
Quase uma em cada cinco crianças em países em desenvolvimento é mais baixa que o esperado para a idade. Isso não é apenas questão de altura: corpo menor pode significar músculos mais fracos e imunidade reduzida.
Mais doenças
Com defesas enfraquecidas, gripes e infecções aparecem com mais frequência e demoram a ir embora.
Efeitos para a escola e para a economia
Menos aprendizado
Crianças desnutridas faltam mais às aulas e têm notas mais baixas. É como tentar estudar com a luz fraca: você lê, mas não entende tudo.
Perda de dinheiro para o país
A desnutrição pode reduzir em até 3% o PIB de um país, já que adultos que cresceram com carência alimentar tendem a ser menos produtivos.
Janela de ouro: os primeiros 1.000 dias

Intervenções antes dos dois anos podem recuperar até 80% do potencial de crescimento. Pense nesse período como a fundação de uma casa: conserte rachaduras cedo e a construção ficará firme.
Como proteger as crianças
• Amamentação exclusiva até os seis meses.
• Alimentos variados e coloridos depois dos seis meses.
• Suplementos e acompanhamento regular no posto de saúde.
• Programas sociais de apoio à família (confira em gov.br/saude).
Dúvidas comuns
Meu filho come pouco. Ele está desnutrido?
Nem sempre. O pediatra avalia peso, altura e exames para identificar o caso.
Posso recuperar o atraso depois dos cinco anos?
Recuperar é mais difícil, mas uma alimentação equilibrada e acompanhamento sempre ajudam.
Equívocos que precisamos deixar de lado
• “Desnutrição só acontece em famílias muito pobres.”
Falso. Mesmo em famílias com renda, a falta de informação pode levar a dietas pobres em nutrientes.
• “Basta dar muita comida.”
Quantidade não é tudo: qualidade e variedade contam muito mais.
Conclusão

A desnutrição infantil não é apenas falta de comida: é falta de futuro. Mas com cuidado nos primeiros 1.000 dias, amor e informação correta, cada criança pode alcançar todo o seu potencial. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Black, Maureen M.; Walker, Susan P.; Fernald, Lia C. H. et al. Early childhood development coming of age: science through the life course. The Lancet, 389(10064), 77-90, 2017.
- UNICEF; WHO; World Bank Group. Joint Child Malnutrition Estimates. 2021 edition.
- World Bank. The economic costs of stunting and how to reduce them. 2020.
- Victora, Cesar G.; Adair, Linda; Fall, Caroline et al. Maternal and child undernutrition: consequences for adult health and human capital. The Lancet, 371(9609), 340-357, 2008.
- Brasil. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher. Brasília, 2020.