Governança em nutrição: forças unidas contra a desnutrição
Descubra como o trabalho conjunto entre governo, escolas, profissionais de saúde e famílias reduz os índices de desnutrição e fortalece o futuro das crianças.

Você já pensou que vencer a desnutrição é como ganhar um jogo de futebol? Nenhum jogador faz gol sozinho. É preciso um time inteiro correndo junto.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que saúde, escola, agricultura e famílias formam esse time vencedor. Vamos ver como essa união faz diferença de verdade?
Por que juntar forças ajuda mais
Quando várias áreas trabalham juntas, o resultado cresce rápido, como uma bola de neve descendo o morro. Pesquisas mostram que políticas de saúde, assistência social, educação e saneamento, quando integradas, reduzem muito mais a desnutrição.
Exemplo brasileiro: a Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional criou a CAISAN, uma mesa de trabalho com mais de dez ministérios. Cidades que seguiram esse modelo reduziram o baixo peso infantil em até 27% em cinco anos.
Como isso funciona na prática
• Definição de metas claras e conjuntas.
• Recursos financeiros separados por tarefa e monitorados.
• Um único sistema de dados que une informações de saúde, CadÚnico e agricultura — evitando “furos” no acompanhamento.
A voz das famílias conta muito

Nada de decidir tudo de cima para baixo. Os Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEAs) já estão presentes em mais da metade dos municípios brasileiros.
Eles reúnem mães, agricultores e jovens para fiscalizar programas e propor melhorias. Municípios com conselhos ativos conseguem mais verba e alimentos locais de qualidade na merenda escolar.
Ferramentas simples que dão certo
• Audiências públicas com metas divulgadas antecipadamente.
• Plataformas on-line onde qualquer cidadão pode informar falhas, como merenda que não chegou.
• Cursos rápidos para conselheiros aprenderem a ler e acompanhar dados em tempo real.
Quando governo e empresas viram parceiros
Parcerias público-privadas aceleram soluções e ampliam resultados. Cada real investido pode gerar até nove reais de retorno em produtividade e economia de gastos futuros.
Caso real: no semiárido, uma cooperativa de leite e o Ministério da Saúde criaram um iogurte enriquecido com ferro e zinco. O consumo diário reduziu em quase 20% os casos de anemia em crianças de 6 a 10 anos.
Para garantir que todos ganhem:
• Metas de saúde devem constar nos contratos.
• Custos e tecnologias precisam ser transparentes.
• Avaliação independente evita conflitos de interesse.
Olho nos números: transparência que salva
O Mapa da Desnutrição, do IPEA, mostra dados abertos em um painel acessível a qualquer cidadão. Municípios que utilizam essa ferramenta aumentaram em média 22% o investimento em alimentação escolar.
Indicadores simples para acompanhar:
• Altura e peso de crianças menores de cinco anos.
• Percentual do orçamento destinado à alimentação saudável.
• Número de famílias do Bolsa Família que recebem orientação nutricional a cada trimestre.
Três passos para o futuro
- Criar leis que mantenham os times multissetoriais mesmo após trocas de governo.
- Garantir espaço para comunidades tradicionais participarem das decisões.
- Abrir portas para universidades e startups testarem soluções inovadoras e de baixo custo.
Com união e continuidade, quebramos o ciclo da pobreza e garantimos crescimento saudável para todas as crianças.
Conclusão

Governar a nutrição é trabalho de equipe. Quando saúde, escola, agricultura, empresas e famílias jogam do mesmo lado, a desnutrição perde espaço e nossas crianças vencem.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, reforçamos: crescer com saúde é mais legal!
Referências
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- Brasil. Decreto nº 7.272, de 25 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Diário Oficial da União, 26 ago. 2010.
- CAISAN. II Inquérito Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Brasília: Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional, 2022.
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