Crianças em áreas de desastre enfrentam alto risco de desnutrição aguda
Saiba como crises ambientais e humanitárias aumentam o risco de desnutrição e veja ações simples que ajudam a proteger a saúde das crianças.

Quando falta comida por causa de guerra, enchente ou seca, o corpo das crianças sofre rápido. Aqui você vai entender, de forma simples, como encontrar e salvar pequenos que passam fome em situações de emergência.
No Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara pode salvar vidas!
O que é desnutrição aguda em emergências
Quando o alimento desaparece de repente, o peso da criança cai muito rápido. Esse quadro é chamado de desnutrição aguda e pode causar a morte em poucos dias se nada for feito.
Sinais de perigo que cabem no seu bolso
• MUAC: fita colorida que mede o braço da criança — se tiver menos de 11,5 cm, é sinal de alto risco.
• Edema: aperte o pé da criança; se ficar marcado, pode ser desnutrição grave.
• Cansaço extremo: a criança não quer mamar nem brincar.
Dica: 11,5 cm é mais ou menos a largura de um cartão de crédito.
Por que a situação piora tão rápido
• Estradas e mercados interrompidos.
• Postos de saúde fechados ou sem energia.
• Água suja que causa diarreia e agrava a perda de nutrientes.
Tratamento passo a passo
1. Triagem comunitária
Agentes de saúde usam a fita MUAC e observam o corpo da criança em minutos. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de cura.
2. Tratamento em casa (sem complicações)
• RUTF: pasta de amendoim ou leite em sachê, rica em energia e vitaminas.
• Duração média: seis a oito semanas até a recuperação completa.
• Suplementos de vitamina A, zinco e ferro ajudam a evitar infecções.
3. Internação (com complicações)
Se a criança apresenta febre alta, pneumonia ou não consegue comer, precisa ser internada. Nos hospitais de estabilização, recebe fórmulas específicas (F-75 e F-100) preparadas com água limpa para recuperar forças em segurança.
Logística: como o alimento chega

Em crises humanitárias, cerca de um terço dos custos vai para proteger o transporte. Por isso, muitas equipes:
• Mantêm estoques em armazéns seguros antes das chuvas.
• Usam drones para levar kits leves a comunidades isoladas.
Dinheiro + educação: dupla que funciona
Programas que oferecem transferência de renda combinada com orientação sobre alimentação e vacinas reduzem a desnutrição em até 9% a mais do que a distribuição de comida isolada.
Força da comunidade
Comitês locais — muitas vezes liderados por mulheres — cuidam do estoque, monitoram desvios e ensinam higiene. Em alguns países africanos, essa estratégia manteve a taxa de cura acima de 80% mesmo após o fim da ajuda internacional.
Perguntas comuns
Posso usar leite em pó comum no lugar do RUTF?
Não. O RUTF tem calorias e vitaminas em doses específicas e não precisa de água, o que evita contaminações.
Quanto tempo a criança demora para melhorar?
A maioria volta a ganhar peso em seis a oito semanas com o uso correto do sachê.
E se eu não tiver a fita MUAC?
Procure o posto de saúde mais próximo. Evite improvisar medições caseiras, pois podem dar erro.
Mitos desfeitos
• “A criança só está magrinha porque cresce muito.” — Falso. Braço menor que 11,5 cm indica risco de morte.
• “Sopa rala resolve.” — Falso. É preciso alimento altamente energético e rico em proteínas.
• “Depois da guerra tudo volta ao normal.” — Falso. Sem água limpa e agricultura, a fome retorna rápido.
Conclusão

A desnutrição em emergências é urgente, mas tem solução. Medir o braço, usar o sachê certo e envolver toda a comunidade fazem a diferença.
Lembre: cada minuto conta. Compartilhe estas dicas e ajude mais crianças. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
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