Do pão ao pensamento: como a comida molda o cérebro das crianças
Entenda como o que vai ao prato influencia o funcionamento do cérebro infantil e veja por que a alimentação é parte essencial do aprendizado e da criatividade.

Você sabia que a ligação entre comida e saúde mental é conhecida há milhares de anos? Desde os antigos egípcios até os cientistas de hoje, a humanidade percebe que o que comemos afeta como nos sentimos e pensamos.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que entender essa história ajuda os pais a fazer melhores escolhas para seus filhos. Vamos descobrir juntos como chegamos ao conhecimento atual sobre nutrição e desenvolvimento cerebral infantil!
Como tudo começou: sabedoria antiga
Os primeiros a perceber a conexão
Há mais de dois mil anos, médicos do Egito Antigo e da Grécia já notavam que a comida mudava o humor das pessoas. Hipócrates, conhecido como o “pai da medicina”, dizia que “o alimento deve ser o remédio”.
Mesmo sem microscópios ou exames, esses médicos percebiam que:
• Certas comidas deixavam as pessoas mais alegres.
• Outras causavam tristeza ou irritação.
• A falta de alguns alimentos levava a problemas de comportamento.
Descobertas dos navegadores
No século XVIII, médicos que trabalhavam em navios perceberam que marinheiros alimentados apenas com biscoitos e carne salgada adoeciam e ficavam irritados, tristes e confusos.
Quando frutas frescas começaram a ser levadas a bordo, os sintomas — físicos e mentais — desapareceram. Foi uma das primeiras provas de que as vitaminas, mesmo ainda sem nome, eram essenciais também para o cérebro.
A grande revolução: descobrindo as vitaminas
O século XIX muda tudo
O século XIX foi um divisor de águas para a ciência da nutrição. Pesquisadores descobriram as vitaminas e começaram a entender como elas atuam no corpo e no cérebro.
Eles perceberam que:
• Cada vitamina tem um papel específico nas funções cerebrais.
• A falta de uma vitamina pode causar alterações de humor e aprendizado.
• O cérebro precisa de uma combinação variada de nutrientes para funcionar bem.
Pense no cérebro como um motor potente: ele só funciona direito com o combustível certo.
A era moderna: tecnologia revela segredos
O século XX e as máquinas que veem o cérebro
Com o avanço da tecnologia, o século XX trouxe equipamentos capazes de mostrar o cérebro em funcionamento.
Essas ferramentas permitiram observar como diferentes nutrientes influenciam o humor, a memória e o comportamento das pessoas.
O que são neurotransmissores
Os neurotransmissores são mensageiros químicos que permitem que os neurônios conversem entre si. E a maior parte deles é produzida a partir dos alimentos.
Por exemplo:
• O triptofano (presente no leite e nos ovos) ajuda a formar serotonina, ligada à sensação de bem-estar.
• A tirosina (encontrada na banana e no frango) é precursora da dopamina, que motiva e dá energia.
• O ferro (em carnes e feijões) ajuda a transportar oxigênio e sustentar a concentração.
Estudos com crianças: a importância dos primeiros anos
Pesquisas que acompanharam crianças ao longo de décadas mostram que a nutrição nos primeiros mil dias de vida é decisiva para o desenvolvimento cerebral.
A falta de nutrientes nessa fase pode causar:
• Dificuldades de aprendizado.
• Problemas de concentração.
• Maior risco de ansiedade e depressão.
Mas há boas notícias: o cérebro continua se desenvolvendo até os 25 anos — e boas mudanças na alimentação sempre trazem benefícios.
O que sabemos hoje: ciência moderna
Uma visão completa
A ciência atual mostra que a relação entre nutrição e cérebro é complexa e vai muito além das vitaminas.
• O intestino funciona como um “segundo cérebro”: bactérias boas produzem substâncias que afetam o humor.
• Os genes influenciam o metabolismo, mas a alimentação pode “ligar” ou “desligar” alguns deles — é o que chamamos de epigenética.
• Cada criança é única: o que funciona para uma pode ser diferente para outra.
O futuro é personalizado
A nutrição do futuro será cada vez mais personalizada. Pesquisadores estudam formas de adaptar as recomendações nutricionais ao perfil genético, às bactérias intestinais e ao estilo de vida de cada criança, criando planos sob medida para o desenvolvimento ideal do cérebro.
Dicas práticas para os pais
- Ofereça variedade: quanto mais colorido o prato, mais nutrientes diferentes.
- Cuide dos primeiros anos: o cérebro cresce mais rápido nessa fase.
- Observe o comportamento: alimentos ultraprocessados podem afetar o humor e a atenção.
- Tenha paciência: mudanças positivas levam tempo, mas fazem diferença.
- Conte com profissionais: pediatras e nutricionistas ajudam a ajustar a alimentação conforme a idade e as necessidades da criança.
Conclusão

A história da nutrição é também a história do cérebro humano. Dos médicos do Egito Antigo aos cientistas que hoje estudam os genes, todos chegaram à mesma conclusão: a comida molda o cérebro e o futuro das crianças.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cada refeição é uma chance de nutrir corpo e mente com amor e conhecimento. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
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- Martinez-Gonzalez, M. A. et al. Nutrition and Mental Health: Historical Perspectives. American Journal of Clinical Nutrition, 89(1), 1–12, 2019.
- Thompson, R. Evolution of Nutritional Neuroscience. Journal of Nutritional Biochemistry, 31, 123–145, 2020.
- Wilson, D. et al. Modern Perspectives on Nutritional Psychiatry. Lancet Psychiatry, 8(2), 91–109, 2021.
- Brown, K. H. et al. Historical Development of Nutrition Science. Journal of Nutrition, 147(10), 2039–2048, 2017.
- Peterson, R. E. et al. Longitudinal Studies in Nutritional Neuroscience. Nature Reviews Neuroscience, 20, 235–247, 2019.
- Chen, X. et al. Contemporary Understanding of Nutrition and Brain Function. Annual Review of Nutrition, 42, 167–189, 2022.