Comer bem é brincar melhor: a nutrição por trás do equilíbrio emocional infantil
Descubra como a alimentação influencia o comportamento e o humor infantil e veja quais nutrientes ajudam a manter corpo e mente em harmonia.

Você sabia que o que comemos pode ajudar a mente a ficar mais calma e feliz? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que comida também é cuidado. Vamos mostrar, de forma simples, como nutrientes como ômega-3, vitaminas do complexo B e vitamina D podem trabalhar junto com remédios e terapia para melhorar a saúde mental.
Por que a comida fala a mesma língua do cérebro?
O cérebro usa substâncias chamadas neurotransmissores, como a serotonina, para regular humor e memória. Para fabricar esses “mensageiros”, o corpo precisa de vitaminas e gorduras boas. Sem esses nutrientes, a comunicação cerebral falha — como um celular sem sinal.
Principais nutrientes que ajudam a mente
Vitaminas do complexo B
Função: ajudam a produzir serotonina, dopamina e GABA. Sinal de alerta: falta de ácido fólico (B9) aumenta homocisteína e pode piorar a depressão.
Vitamina D
Função: controla a inflamação no cérebro. Destaque: gestantes que recebem vitamina D nas unidades de saúde apresentam menos sintomas de tristeza.
Ômega-3 (EPA e DHA)
Função: gordura boa que reduz inflamação cerebral. Efeito: o consumo de EPA em proporção igual ou superior a 60% reduz pontuações na Escala de Depressão de Hamilton, com efeito semelhante a doses baixas de antidepressivos.
Zinco
Função: cofator para mais de 100 enzimas cerebrais. Resultado: suplementação reduz resistência ao tratamento em cerca de 37% dos casos de depressão.
Modelos que já funcionam no Brasil

Fortificação de farinha com ácido fólico
Desde 2004, a farinha brasileira recebe ácido fólico. Isso reduziu em até 30% os casos de má-formação do tubo neural em bebês.
Distribuição de vitamina D em UBS
Cidades com pouca exposição solar oferecem suplemento nas unidades de saúde. Gestantes relatam melhora do humor e mais disposição.
Nutricionista nos CAPS e na Saúde da Família
Pacientes com transtorno bipolar recebem plano alimentar inspirado na dieta mediterrânea junto com o uso do lítio. Resultado: menos inflamação e resposta melhor ao tratamento.
Dieta mediterrânea: como adaptar ao prato brasileiro
A dieta mediterrânea é rica em legumes, frutas, azeite e peixes. Em Salvador, o projeto Cozinha Viva trocou o azeite importado por óleo de babaçu, mantendo os antioxidantes. Depois de seis meses, a ansiedade caiu 25% e a memória melhorou.
Probióticos: os “bons vizinhos” do intestino
Cepas como Lactobacillus rhamnosus GG podem reduzir o hormônio do estresse (cortisol) e melhorar o humor. Ainda não fazem parte da lista de remédios do SUS, mas são promissoras.
Desafios para colocar em prática
- Dose certa: estudos utilizam de 1 g a 4 g por dia de ômega-3 por períodos de 6 a 52 semanas.
- Estoque irregular: apenas 41% das unidades básicas de saúde têm suplementos sempre disponíveis.
- Cultura alimentar: peixe e azeite podem ser caros em algumas regiões, exigindo adaptações locais.
O que podemos fazer em casa?
- Adicionar peixe gordo (como sardinha) duas vezes por semana.
- Usar óleos vegetais prensados a frio, como babaçu ou oliva.
- Comer feijão, castanhas e sementes para garantir zinco.
- Tomar sol de manhã por 15 minutos (braços e pernas) para vitamina D.
- Procurar orientação no posto de saúde antes de suplementar.
Perguntas que sempre escutamos
“Posso trocar o remédio pela dieta?”
Não. Alimentação ajuda, mas não substitui remédio ou terapia.
“Quanto tempo até sentir melhora?”
Estudos indicam efeitos entre seis e doze semanas — cada pessoa é única.
“Criança pode usar ômega-3?”
Sim, mas a dose deve ser definida pelo pediatra.
Conclusão

Comida pode ser remédio quando usada com ciência e carinho. Pequenas mudanças na dieta, combinadas com cuidado médico, fazem grande diferença na saúde mental.
Por isso dizemos que nutrição e saúde mental andam de mãos dadas. Vitaminas, ômega-3 e uma dieta colorida ajudam o cérebro a funcionar melhor, reduzem inflamação e apoiam o tratamento de depressão e ansiedade. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!
Referências
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